Tudo como dantes quartel-general em Abrantes
Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Tudo na mesma como a lesma.
Naufrágio na garrafinha em bar aberto à navegação
Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Tudo na mesma como a lesma.
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Rui Pelejão
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Labels: sardinhas; caracóis; Cravinho
Aqui na terra estão jogando futebol, tem muita sardinha, cerveja e caracol, mas eu queria lhe dizer que a coisa aqui tá preta.
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Rui Pelejão
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12:59
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«As vogais mudas manifestaram-se em frente à biblioteca, reivindicando a dupla nacionalidade.»
«O chá estava servido, as vogais mudas permaneceram caladas perante a estridente tagarelice das vogais abertas, que falavam da vida íntima das consoantes e devoravam bolinhos de noz besuntados com manteiga.»
«Depois de andarem a noite toda nos copos, o dicionário Houaiss e a trema estavam cá com um daqueles ressacões. O Houaiss teve uma laringite e ficou afónico enquanto a trema ficou sem palavras.»
«As vogais mudas foram obrigadas a aprender linguagem gestual, para poderem obter o visto de residência em Copacabana.»
«O poeta sentia-se incapaz de prosseguir o verso sem a ajuda das vogais mudas e por isso mudou de profissão e dedicou-se à panificação. A língua, já farta das suas melancolias, respirou de alívio.»
«O linguista estendeu a língua, esverdeada e com pus- É figado - disse o médico.»«Alberto atirou a matar na velha estátua do Professor de Românicas.»
«Stôra, dói-me a gramática!- lamuriou-se o menino Julinho.- Bochecha com o prontuário.Respondeu prontamente a Professora Gertrudes.»
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Rui Pelejão
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Labels: contos curtos
Não sou o Goethe, nem o Lawrence Durrel, mas tenho uma Niko e um CD dos Cocteautwins. O meu primeiro slide-show. V7 está moderninho, mas com poucas ideias. Enjoy the music!
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Rui Pelejão
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20:38
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Duelo longo, e arrepiante. Cinema em estado bruto.
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Rui Pelejão
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03:43
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E daí talvez não, os pântanos do Louisiana podem não ser muito hospitaleiros. Grande filme "Southern comfort", o melhor de Walter Hill. Esta cena só é comparável ao duelo de banjos de "Deliverance", outra boa razão para não ir pescar para território "red kneck", não se deixam enganar pela candura do vídeo em cima, "Deliverance" é um dos mais brutais e crus filmes da década de 70, assinatura de John Boorman.
Alons dancer? Non, merci
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Rui Pelejão
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03:42
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Hoje apetecia-me ir a um baile de música cajun.
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Rui Pelejão
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Comer croissants quentinhos com compota num quarto de hotel de cinco estrelas, enquanto nos espreguiçamos vagarosamente com o sol fresquinho da manhã; este é definitivamente um dos pequenos grandes prazeres da vida, pensava Irina Profileva, tocadora de oboé na orquestra de Kiev em digressão pela Áustria.
Envolvida neste langor dulcificado, depois de aviar meia dúzia de minúsculos croissants estaladiços besuntados com doce de laranjas amargas, a gutural ucraniana rendeu-se ao sono…
Na madrugada as tropas de Al-Mil-Folhas avançavam silenciosamente sobre os bosques de Viena. A elite das tropas otomanas, conhecida por apreciar salgadinhos e beber chá verde em desbragadas infusões, tomava a dianteira das colunas turcas, na esperança de serem os primeiros a tomar o pequeno-almoço, depois de tomarem de assalto Viena, uma cidade desprevenida e a ressacar do Festival Musical de Verão, onde jorrou cerveja em intermináveis solfejos.
Pela aragem da madrugada só soprava o ladrar intermitente e funcionário de algum cão, ou um cantar pífio de galo fora-de-horas. A brigada do croquete, assim se chamava a divisão de elite do Vizir, rumorejava com pequenos passos e aproximava-se gulosa dos muros de Viena. Iniciaram então a construção de um túnel subterrâneo, com a ajuda de escravos importados de Bizâncio, para poderem infiltrar-se nas belas esplanadas centrais de Viena, para galar as duquesas austríacas que planeavam sodomizar antes do chá da tarde.
O túnel cavava-se rapidamente, e Al-Mil Folhas desfraldava já a bandeira otomana do quarto crescente que planeava colocar bem no centro da Matzleinsdorfer Platz. A essa hora, numa viela escôncia, Karl Palmier, conhecido pasteleiro da Casa Imperial Austro-Húngara industriava os seus discípulos na correcta forma de amassar a massa para que ficasse estaladiça, quando ouviu um pequeno ruído metálico, persistente. Mandou Cassias Voltev, um reconhecido preguiçoso a quem estava incumbida a tarefa de bafejar canela sobre os bolos, ir lá fora indagar a origem do ruído. Voltev voltou e informou descontraidamente que as tropas otomanas se preparavam para tomar de assalto Viena, estando a concluir um túnel para poderem tomar o pequeno-almoço na Matzleinsdorfer Platz.
Karl Palmier cofiou longamente a sua longa barbicha e disse: - Main gotta! Turcos é que não! A barbárie dos salgadinhos daria cabo da nossa arte.
Decidido, limpou as mãos sujas de farinha ao avental ricamente bordado e pegou e desatou a bater furiosamente na panela onde se trucidavam os ovos, incitando os seus discípulos a fazerem o mesmo:
– Vêm aí os turcos! Vêm aí os turco! Saqueiam-nos o pequeno almoço! Ó da guarda, os infiéis roubam-nos o pão!
O escarcéu alertou os lorpas da Guarda Imperial que rapidamente desembainharam os seus instrumentos de mijo e inundaram as galerias turcas com as réstias de uma noite de empinanço de canecas. Horrorizados, os seguidores de Alá bateram em retirada, muito aborrecidos por terem de ir tomar o pequeno-almoço a outro lado.
Quando informado do episódio da noite anterior, o Imperador, agradecido, encomendou aos pasteleiros de Viena um pão que evocasse o seu pãotriótico feito.
Karl Palmier, que como o seu nome indica, já havia inventado o palmier, lembrou-se então da bandeira desfraldada com a lua em quarto-crescente, abandonada pelos turcos, e inventou um pãozinho folhado em forma de quarto-crescente, que em francês pasteleiro, se chamaria croissant. Pãozinho que se constituiria como um dos mais apreciados baluartes da civilização ocidental e que é presença habitual nos pequeno-almoços dos hotéis de cinco estrelas, como aquele onde Irina Profileva ressonava profundamente, a desperdiçar fôlego para o oboé necessário na “Música para fogos de artifício” que a Orquestra Filarmónica de Kiev tocaria no festival de Verão de Viena.
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Rui Pelejão
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Até dá vontade de ir para a choldra, mas afinal de contas na choldra já estamos nós
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Rui Pelejão
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E já agora, cumprimos perpétua
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Rui Pelejão
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"Depois de meses e meses de chuva cerrada, a Primavera, com uma persistência vegetal, secreta, conseguira vencer o manto húmido que pesava sobre a cidade. Nas últimas semanas, o ar estava ligeiro, aliviado, e era a Primavera, finalmente a Primavera, tal como ela costumava chegar a Lisboa depois de muitas hesitações e de muito trabalho para vencer as nuvens na costa. As pessoas mal dão por isso. Um belo dia sentem a necessidade de olhar o céu, vêem azul, um azul fino, alegre, e dizem: Já sei. - Depois descobrem as pombas do Rossio e as colinas pousadas diante do rio, cobertas de luz macia, feminina; descobrem uma nova expressão no andar das mulheres e um novo perfume - nelas e na cidade. E todos regressam mais tarde aos autocarros e a casa. É isso a Primavera: um novo sentido no olhar, uma nova velocidade. - Já sei - dizem as pessoas."
Esta é uma das brisas de "Lavagante", peça notável de José Cardoso Pires, resgatada às águas turvas do esquecimento por esse camaroeiro metódico e amigo - Nélson de Matos.Num tempo de escritinha piegas e comiserativa, de céus plúmbeos de vaidades, que bom é olhar para o céu azul, fino e alegre, e dizer - Já sei! É o velho Cardoso Pires. E bebemos o oitavo ou décimo, esquecendo os autocarros da vida.
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Rui Pelejão
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Hooje só apetece bye, bye, baby
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Rui Pelejão
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23:04
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A propósito do cancelamento do concerto dos Tóquio Hotel, lembro-me de um hotel em Tóquio.
Sentado no balcão de um bar muito “Lost in Translation” já estendia a manápula de lavagante ao oitavo ou décimo Bushmills (segundo a tabuada de José Cardoso Pires) e graças a isso conseguia manter um animado conciliábulo com um executivo japonês, gordo e velho - o que é uma raridade, porque em Tóquio só se vêm japoneses novos, magros e a cair de bêbados depois do cair do Sol.
O japonês só falava japonês e os filmes do Kurosawa não me davam sustento para cavaqueira. Por isso usámos a língua mais internacional do mundo – o escocês, espécie de esperanto dos povos copofónicos, pontuado com gargalhadas como vírgulas e com brindes como parágrafos.
Ia no oitavo ou décimo brinde, já sem assunto e a dedicar uns planos de sabre Yakuza ao pianista-leninista, que na sua sonolência de zombie-relógio ia matraqueando o “New York, New York” pela oitava ou décima vez.

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Rui Pelejão
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"A guerra dos sexos não se pode vencer porque se confraterniza demasiado com o inimigo".
Por isso aderi ao novo Clube do Bolinha virtual, onde sete rapazes escrevem sobre a vida, o amor e o aquecimento global dos pézinhos numa noite fria de Inverno. O nome do exclusivo clube de meninos ingleses é pnethomem, e eu cozinho às quinta-feiras - dia de cozido à portuguesa. Os outros cozinheiros são o António Costa Santos, o António Eça de Queiroz, o Fernando Carvalho, o Manuel S. Fonseca, o Mauro Castro e o Paulo Simões Mendes.
Logo ali ao lado está o clube da Luluzinha, e temos escrita de artilharia pesada na pnetmulher com a minha ilustrissima comadre Rititi, a Teresa Castro, a Paula Capaz, a Ana Anes, a Marta Botelho, a Mónica Marques e a Sofia Vieira.
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Rui Pelejão
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17:50
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O balcão do Vodka7 não é elitista nem esquecido. O balcão do vodka7 é pequenino e preguiçoso, mas gosta de coisinhas boas para ler, ouvir, ver e respirar. É por isso tempo de passar um paninho no balcão para lá pôr omissaoimpossivel (posto de escuta avançado do som da frente) e sem pénis nem inveja (desmentido freudiano com veneno docinho).
Lá estão em cima do balcão, que ficam muito bem.
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Rui Pelejão
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21:00
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Labels: coisas boas
"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação".
Marcel Proust
Eis uma boa divisa para usar à noite em Lisboa e partir em busca do tempo perdido.
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Rui Pelejão
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Labels: Proust
Parem o que estão a fazer, e vão olhar de forma diferente para o que estão a fazer.
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Rui Pelejão
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O Benfica cumpre 104 anos de vida, longos meses de mau futebol e anos de jejum.
Não vejo grandes motivos para comemorar.
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Rui Pelejão
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