3/24/2008

Bye bye baby

Hooje só apetece bye, bye, baby

3/19/2008

Tóquio Hotel: A Ética de um putanheiro

A propósito do cancelamento do concerto dos Tóquio Hotel, lembro-me de um hotel em Tóquio.
Sentado no balcão de um bar muito “Lost in Translation” já estendia a manápula de lavagante ao oitavo ou décimo Bushmills (segundo a tabuada de José Cardoso Pires) e graças a isso conseguia manter um animado conciliábulo com um executivo japonês, gordo e velho - o que é uma raridade, porque em Tóquio só se vêm japoneses novos, magros e a cair de bêbados depois do cair do Sol.
O japonês só falava japonês e os filmes do Kurosawa não me davam sustento para cavaqueira. Por isso usámos a língua mais internacional do mundo – o escocês, espécie de esperanto dos povos copofónicos, pontuado com gargalhadas como vírgulas e com brindes como parágrafos.
Ia no oitavo ou décimo brinde, já sem assunto e a dedicar uns planos de sabre Yakuza ao pianista-leninista, que na sua sonolência de zombie-relógio ia matraqueando o “New York, New York” pela oitava ou décima vez.



Rodei sobre os calcanhares do banco-giratório alguns 180 graus na esperança de avistar alguma Scarlett Johansson, e nada, nem sombra de pecado. Nem sequer um Bill Murray para recordar o dia da marmota ou lhe pedir o telemóvel da Andy McDowell.
Só homens de negócios galhofando como hienas com o humor típico de féretros. Todos os homens de negócios têm cara de agentes funerários. A diferença é que um transportam mortos nas suas carrinhas e os outros são tanatoperadores transportados nos seus Rolls por motoristas-cadáveres.
Estava com pouca disposição para velórios de bar de hotel. Despedi-me do barman e do meu japonês gordo com uma vénia exageradamente coreografada, traçando com a exactidão de uma régua a saída. À passagem pelo teclista-funcionário do “Fly me to the moon” ainda tacteei os bolsos na esperança de encontrar uma pistola com silenciador, para lhe espalhar os miolos na pauta-menú, ou um sabre de esventrar barrigas de fugu para lhe extrair o dedo do dó doloroso à maneira Yakuza, mas a única arma no bolso era mesmo um Lucky Strike de seis balas. Descarreguei um no canto do lábio, arregacei a gola da gabardina à laia de Marlowe preparando-me para enfrentar a chuva miudinha com ares de “cão danado”, que é manha velha do viajante meio à rasca se sentir nativo do “bas fond” em qualquer latitude.

O hotel ficava perto da rua principal do Kabukicho, o infame red district de Tóquio. É uma rua estreita que em passadas bem bebidas não bate a Avenida da Liberdade. Deambulei no meio de uma multidão-cardume que exibia uma biodiversidade digna de oceanário do vício. O inevitável marinheiro americano de bícepes-destroyers, os yuppies-Sony cambaleando com espuma feroz no canto do lábio, as tribos adolescentes-manga – um misto de punk de Manchester com pipis das meias altas; os “gangsters” de imitação de braços tatuados a comer com pauzinhos uns fritos de cheiro atroz.
Uma autêntica Babilónia. E olhando para o céu, os jardins suspensos da Babilónia.
Os japoneses vivem em claustrofobia de safio, engordados na sua ilha pelo paciente lavagante americano. Depois de Iwo Jima, o expansionismo japonês foi circunscrito ao céu de arame farpado e aos motores Toyota das trucks do Texas. É para o céu que o Japão cresce despeitado. E é por isso que Kabukicho tem provavelmente o metro quadrado com maior concentração de putas do planeta. É como se o Red District de Amsterdão e toda a Las Vegas coubessem numa só rua. Os arranha-céus empinam-se numa fanfarronice de proxeneta, desafiando a paz assexuada dos anjos. Arranha-céus que no seu ventre guardam o desejo de todos os desejos. Jardins suspensos da Babilónia, o paraíso dos viciosos, dos libertinos, dos lavagantes implacáveis.
Como ainda não se fazem “Lonely Planets” ou Guias Michelin dos melhores bataclans e apenas o turismo gay está aceite pelos cânones do politicamente correcto através dos guias “Spartacus”, os escravos do “amor exposto é para consumo na casa” têm de fazer como nas páginas amarelas e ir pelos seus dedo, arriscando e rezando a todos os santinhos dos putanheiros para não entrar num postíbulo de açoites nas nádegas, que não trouxe almofadinha para a bola.

O lutador de Sumo de smoking abriu-me a porta do elevador e com um sorriso de gola com goma que desconforta mais do que encoraja, apontando o botãozinho do 14º andar. A porta do elevador abriu-se directamente para um mar de poltronas dóceis, pernas esguias e decotes longos como a noite, iluminados por uma luz suave de champagne.
No centro do pequeno palco, um japonês minúsculo de impecável fato claro dos mares do Sul com um lenço escarlate na lapela, sobrancelhas desenhadas a tinta da China e uns lábios fio de nylon, exalava em inesperada voz gutural – “All my friends are gone, and my hair is gray”. O Leonard Cohen afinal era um japonês-diva-rabeta a cantar Tower of Song numa Torre de Babel de putas em Tóquio! Precisava decididamente do 14º whisky, um por cada andar daquele arranha-céus.
Mesmo os putanheiros mais experimentados não conseguem evitar um calafrio de safio fora de água quando entram num lupanar. É um desconforto de entrevista para emprego numa companhia de navegação. Felizmente o balcão do bar estende-se como bóia de salvação para os momentâneos náufragos, um rochedo seguro onde se pode beber em recuperação de fôlego e coragem.

Raros são os putanheiros portugueses capazes de entrar num bordel desconhecido sozinhos. Ou se fazem acompanhar de uma quadrilha selvagem para ter auditório para a malícia tonta das piadas brejeiras com que tentam atabalhoadamente disfarçar o terror do sexo e a culpa mórbida da transgressão moral; ou então tornam-se clientes habituais, para ser tratados como tais, como o fazem na marisqueira onde vão todos os domingos e tratam com familiaridade de sargento o empregado por pssst ó Zé – traz-me aí um travessa de percebes e uma imperial mista – é para já sr. Engenheiro – diz de lá, em subserviência de falsete o Zé.
Este é o putanheiro de marisqueira da direcção do Benfica que só vai a bordéis-marisqueiras onde se sinta em casa e que empinado na nota de 100 euros trata com altivo desdém o Zé e a puta. Este é o tipo de putanheiro que eu não gosto, nem eu nem o Zé, nem a puta.
Por isso, “ladrão só, puta só”. E as putas, acima de todas, devem ser tratar com galantearia e educação.

Largo âncora no balcão e peço mais um marinheiro –escocês a nadar em Perrier. De toda a espécie de barmen do mundo, o barman de Bataclan é o que mais se aproxima em antipatia do taberneiro português ou da miúda-gira-que- serve-copos-no-bairro-alto-mas-é-actriz.
Dali não há que esperar condescendência ou psicanálise de balcão. Servir um copo é martelar um carimbo para esmifrar o papalvo com aparentes sinais de falta de cona. O melhor é não tentar ganhar a confiança destas madres superioras de bordel, que se portam como se fossem pais, irmãos, ou amantes das noviças, e se vingam do seu suplício de Tântalo em nós, pobre pecadores-bebedores.
Entaramelando duas braçadas no whisky sinto uma cauda de perfume vaguear-me no pescoço como um cachecol de caxemira. Altiva e esguia, passa por mim com uma ausência insinuante. Olho, ela pára e olha para trás sorrindo com uma brancura de espuma de mar: Hi, baby all alone? Só e mal acompanhado – desabafo, fingindo intraduzível indiferença

(To be continued)

3/15/2008

Clube do Bolinha ... e da Luluzinha

"A guerra dos sexos não se pode vencer porque se confraterniza demasiado com o inimigo".

Ainda assim, um bocadinho de sectarismo sempre é bom para desenjoar deste tempo de multiculturalismo, metrosexualismo e outras merdas acabada em ismo.


Por isso aderi ao novo Clube do Bolinha virtual, onde sete rapazes escrevem sobre a vida, o amor e o aquecimento global dos pézinhos numa noite fria de Inverno. O nome do exclusivo clube de meninos ingleses é pnethomem, e eu cozinho às quinta-feiras - dia de cozido à portuguesa. Os outros cozinheiros são o António Costa Santos, o António Eça de Queiroz, o Fernando Carvalho, o Manuel S. Fonseca, o Mauro Castro e o Paulo Simões Mendes.

Logo ali ao lado está o clube da Luluzinha, e temos escrita de artilharia pesada na pnetmulher com a minha ilustrissima comadre Rititi, a Teresa Castro, a Paula Capaz, a Ana Anes, a Marta Botelho, a Mónica Marques e a Sofia Vieira.



PS:A maior parte deles têm blogues, mas só linkei os que sei de cor e salteado.

3/13/2008

Primeiro Balcão

O balcão do Vodka7 não é elitista nem esquecido. O balcão do vodka7 é pequenino e preguiçoso, mas gosta de coisinhas boas para ler, ouvir, ver e respirar. É por isso tempo de passar um paninho no balcão para lá pôr omissaoimpossivel (posto de escuta avançado do som da frente) e sem pénis nem inveja (desmentido freudiano com veneno docinho).
Lá estão em cima do balcão, que ficam muito bem.

Positivismo

"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação".
Marcel Proust

Eis uma boa divisa para usar à noite em Lisboa e partir em busca do tempo perdido.

Ballad of Hollis Brown

Parem o que estão a fazer, e vão olhar de forma diferente para o que estão a fazer.

2/28/2008

Efeméride triste

O Benfica cumpre 104 anos de vida, longos meses de mau futebol e anos de jejum.
Não vejo grandes motivos para comemorar.

Explicação da Sicília

Piaggio al fresco

Sicília Sacra


Fiat Lux: Altar pagão

Vita Sicília

Natureza morta e o ladrão de bicicletas

Vita Sicilia

Dióxidus Carbonus - A Vespa que espera

Impressões da Sicília


"L'arte rinnova i popoli e ne rivela la vita." - Máxima do Teatro Massimo em Palermo

Tropa de Elite - Trailer Oficial

"Tropa de Elite" é o mais potente filme brasileiro desde a "Cidade de Deus". Potente é mesmo a palavra certa para o vencedor do Festival de Berlim.

Depois disto ver cinema português metido à besta, só dá é mesmo para "raparáparáparapá-ráparápará".

Impressões da Sicília

Gelateria Marcelo, sapataria Patania, homem sentado, nº87, mulher loura de braços arqueados - produção própria, pistaccio

Vodka News- Detritos cómicos e um planeta chamado Pasárgada

«Cientistas suspeitam de existência de novo astro a 12 mil milhões de quilómetros da TerraCálculos teóricos baseados em simulações informáticas apontam para a existência de mais um planeta, o nono, nos confins do Sistema Solar, afirmam cientistas da Universidade de Kobe (oeste do Japão) hoje citados na imprensa nipónica. »
in SIC online

Depois da despromoção de Plutão da condição de planeta, por ter falsificado o passaporte, e afinal ser mas é um planeta anão, incapaz de criar um vazio na sua órbita; agora, o Sistema Solar pode afinal voltar a ter nove planetas com a papelada em dia. A confirmar-se a descoberta de um planeta longínquo, sugiro já um nome : "Pasárgada". E é para lá que eu vou, assim que houverem low costs intergalácticos. Levo só uma escova dos dentes, um pacote de bolachas com recheio de baunilha e um livrinho do Manuel da Bandeira, com o seguinte poema:

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei
—Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986,


So long sailor

2/27/2008

Sicília inexplicável

O vale dos templos - lago tromp l`oeil

Explicação da Sicília

A rua do amor

Explicação da Sicília

A gruta de Vénus

Explicação da Sicília

O bairro das nuvens

Explicação da Sicília

Ci videremo
questo huomo,
cosi la mano
que fan tutte

Explicação da Sicília


Sobre o céu da cidade, as estrelas que brilham são os olhos dos homens que dormem.
O teu olhar de pedra brilha na sombra clara, vigilante, permanente, triste.
A mão criadora deu-te vida e com ela, a maldição de não brilhares na noite sobre a cidade, onde os olhos dos homens se fecham húmidos, antecipando a morte em prestações diárias e soturnas. A tua maldição é da eternidade, a nossa é a de acordar todos os dias com as estrelas apagadas. E a esperança que definha sem luz.

Explicação da Sicília

O castigo de Neptuno

2/21/2008

Explicação da Sicília

A janela petrificada e a voz do "castrato"

Explicação da Sicília

O templo das formigas

Explicação da Sicília

Caminhando pela via sacra à espera de um gelado

Explicação da Sicilia

Chapéus à espera do Sol

Voglio un biglietto per Sicilia

Mulher comendo melancia

Fumar o cachimbo da paz

Vamos lá acender um cigarrito na clandestinidade que sempre tem outro sabor. Calma, amigo não fumador, não se pire já, quem não vem para aí mais um arrazoado sobre a liberdade individual, o totalitarismo sanitário, ou queixumes sobre o “soweto” a que este “apartheid” anti-tabágico nos remeteu.
Cá por mim, estimo que o meu caro amigo não fumador tenha uma vida longa, próspera e feliz, e que os seus pulmões pereçam em impecável estado de conservação na hora fatal de meter os pés para cova e dar repasto à minhocada.
Cá com o ginbras as minhocas correm risco de intoxicação – álcool, cigarros e molhanga à farta. Já no seu caso, caro amigo não fumador, será certamente uma refeição mais “light”, uma espécie de saladinha saudável, uma pitéu vegetariano para qualquer minhoca preocupada com calorias.
O que nos separa, agora e na hora da nossa morte, é que o meu amigo não fumador, morrerá cheio de saúde, eu cá não.
Mas isto não me parece motivo para não podermos ter uma coexistência pacífica – o meu amigo sem as baforadas “bioquímicas” dos meus Lucky Strikes, e eu sem ter de passar à clandestinidade, que tem pelo menos a vantagem de acossar a consciência entorpecida.
Qualquer fumador concorda com restrições ao fumo, apenas defende a criação de locais para fumadores em espaços públicos. Acha sinceramente que é pedir muito?

Somos ricos em bitaites

Será que se pode conversar sobre alguma coisa neste país sem despoletar uma querela, sem inflamar o radicalismo, sem criar zaragatas, barafundas e “vendettas”? Bom senso, tolerância e pluralismo são mais raros do que um banqueiro cristão honesto neste reino da trafulhice organizada e do fanatismo sem rédeas.
O debate sobre o aborto, um tema que devia ser de consciência, descambou num escarcéu de feira. A localização do novo aeroporto, tema técnico-político, derivou numa berraria manipulatória que conduziu o balido do rebanho à tosquia certa, e os lobos esfaimados a exigirem cordeiros para a incineração (neste caso ministros) e terrenos para a construção. Agora, temos a ASAE e a lei do tabaco a dividir a opinião pública e publicada, como se estivéssemos à beira de uma guerra civil.
É uma doença mórbida que aflige e gangrena, é a clubite facciosa, que divide o mundo em preto e branco. Só há dois partidos em Portugal – a favor e contra.

E como é que se forma a opinião em Portugal? Regra geral por interesse próprio e mesquinho – no caso da lei do tabaco é flagrante – é contra quem fuma, é a favor quem não fuma. Noutros casos a opinião é moldada pelos media e os seus papagaios dilectos, que à força de tanto papaguearem evidências pouco evidentes nos convencem a “aderir” e a telefonar para o Praça Pública, ou escrever cartas para os jornais. Noutros casos, a opinião forma-se por mera embirração – o Sócrates é um arrogante – e pronto, já está! O Guterres era muito dialogante, e lixou-se; este é um orelhas moucas, e também se vai lixar.
Num país de broncos, néscios e intrujas, é admirável ver as mais insuspeitas vocações nascerem de geração espontânea – pode sem incompatibilidade ser-se especialista em embriologia, ornitologia, engenharia aeronáutica, pneumonologia, ares-condicionados, direito comunitário, colheres de pau e, claro, saber escalpelizar o losango do Paulo Bento com maior precisão do que um pente de risco ao meio. Tudo sem ter de passar além das gordas da “Bola” ou das patarequices do Professor Martelo.
Há em todo o português um opinion maker, um Rui Santos, aos saltinhos na gravata para ser escutado, respeitado, e sobretudo seguido na sua mundivisão.
Somos pobres, lemos pouco ou nada, mas temos uma riqueza mais inalienável do que as dunas do Litoral devoradas pelos PIN`s da ganância imobiliária.
Temos opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Um povo assim tão esclarecido precisa de choque tecnológico para quê? Eu aliás sou contra dar computadores à borla aos putos para verem sites pornográficos na net? Mas que pouca vergonha!

Texto livre de fumo no país badalhoco

“Mas onde é que alguém já se viu ser maldito? Valha-nos Nossa Senhora. Gostar de ir parar à cadeia? Cruz credo! Encher o estômago com xaréus? Louvado seja Deus. (…) Vá de retro Satanás! Andar a pedir esmola? Deus l`acrescente.
Morte ao neofascismo que nos começa a pesar”. Ámen.”

Luiz Pacheco



Pouco se me dá rotular Luiz Pacheco como uma lata de salsichas – libertino, libertário, anarquista, abjeccionista, ou até, suinicultor de “uma orgia verborrágica que é própria da catilinária reles”, como sugeriu no “Expresso” João Pereira Coutinho, esse pedantantolas tótó que julga poder auscultar as doenças venéreas do mundo a partir das edições anotadas de Cambridge ou dos aforismos “dandys” e rabetas (ou panasca, se for politicamente mais correcto) de Oscar Wilde.
Quem não frequentou tascas, ovo cozido em sal, tintol a granel e nunca teve de cravar cinquenta paus para nada, é notoriamente manco da mais elementar cultura de humanidade - simples, bácora, e “catilinária-, estando impossibilitado de qualificar “obra literária”- que não é apenas o somatório de capítulos e de narrativa linear, como julga o incandescente plumitivo, que rezam as crónicas é da espécie auto-proclamada de provocadores que nos sobram neste atoleiros – a espécie de provocadores elegantes que faz furor entre yuppies analfabetos e liberalóides mal fodidas.

Uma frase bebedolas e “catilinária” de Luiz Pacheco contém uma humanidade mais feroz do que alguma vez esta fauna de criançolas bem na vida será capaz de produzir numa opus magnum de fabrico caseiro, burilada no permeio de uma garfada de risotto al funghi entre missionários do verbo concordar, ou nos seus seminários bolsistas-chupista de Cambridge onde se serve chá, Stuart Mill e caganças em forma de scones.
Para um “liberal” não está mal de ver.
O liberalismo esgota-se na soleira da negociata e do Estado, porque quando ao resto, terço na mão e Te Deum conservador na laringe.
A liberdade de um homem poder seguir o seu caminho, decidir o seu destino, essa de nada vale, se não cumprir o “cânone”, não for “elegante”,“sofisticado” ou excêntrico. Tecnicamente, o único provocador aceitável para JPC e comensais do risotto é o provocador “snob”.
O liberalismo, ou a liberdade de culto do individualismo parece exclusiva a essa casta educada. A liberdade vernácula, de tasca, essa já é cabotinismo.
Como diria Pacheco, e que tal umas deliciosas sandes de merda.

Mas sandes de merda é coisa que já não se serve nesta casa de pasto iofilizada em que se tornou Portugal.
Em Castelo Branco havia há uns anos um tasco que servia sandes de molho, com os resquícios da molhanga carnívora. A certas horas com o sobejo de trocos no bolso eram de estalo. Devidamente acompanhados por whisky à tampinha ou a olhómetro – sirva-me aí 100 escudos de whisky – e lá vinha o VAT 69 respingado com generosidade.
Isso era no tempo em que o Pacheco era vivo. Agora que vivemos no tempo dos Pereiras Coutinhos (os do capital e do barco de férias e os da escritinha cocker spanier- ladrar muito, morder nicles), já só há sandes plastificadas com rucola assexuada e salmão funcionário.
A tasca da serradura no chão e o papagaio asneirento, essas são lembradura coevas do tempo dos nossos avós. A serradura higiénica para absorver os entornances de tinto tremeliques “delirus tremens foi substituída por produtos de higiene – luvinhas de borracha, lixívias, super-pops. “Odeio este tempo detergente”, dizia Ruy Belo, e agora que o detergente se tornou uma arma de destruição maciça dos maus costumes?
E agora que sob os auspícios de sua eminência Sócrates, dos seus sacristãos Serrasqueiros, e da STASI armada do politicamente correcto (a ASAE) levamos este país para uma espécie de RDA de costumes.
Agora que andamos limpinhos, caladinhos e frequentamos mais ginásios de musculação do que tascas, e agora?


Agora, gostaria de convidar o sr. Sócrates, o Sr. Sarrasqueiro e o Sr.Nunes, o sheriff da ASAE de bigode à Wyatt Earp que tem como única qualidade apreciável o facto de fumar cigarrilhas e frequentar casinos (ainda há salvação para ele); gostava de os convidar a ir a um bairro operário para almoçar uma refeição económica a 5 euros – sopa, prato, sobremesa, café e com sorte um bagacito. E depois, em cavaqueira digestiva gostava de os ver perguntar ao tasqueiro de avental besuntado de fritos como é que ele consegue praticar aqueles preços. E depois, em alegre camaradagem operária (raios afinal somos ou não somos socialistas) perguntar ao brutamontes do macacão com nódoas de óleo, se ele não se importa do bife com ovo a cavalo não ter estagiado numa câmara frigorífica topo de gama, afinal o facto de levar para casa 500 euros por mês não é desculpa para ter de almoçar sem condições de higiene.
Já não me atrevia a convidar o Sr. Sócrates a vir ao seu distrito eleitoral, afinal tem um banquete com a sra. Ângela Merckl para discutir o futuro da Europa, mas o Sr. Serrasqueiro, que já foi deputado do distrito, aposto que arranja um tempinho para ir ver as velhas de Valverde fazer dois quilómetros a pé para irem comprar umas latas de atum e de feijões pequenos ao Carvalhal, já que os senhores de crachás e coletes à Balada de Hill Street fecharam todas as vendas imundas e conspurcadas de Valverde que há 30 anos vendiam desinterias, bactérias e intoxicações alimentares ao ignaro povo, sem que esta soltasse queixume.

Atrevia-me a um sonoro bardamerda, se não estivesse incerto das consequências nefastas que isso podia ter para a minha conta bancária se o desabafo chegasse às orelhinhas selectivas da sra. Edite Estrela e do juiz da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), dois burocratas a soldo do Governo mais orwelliano com que já tive oportunidade de privar.
Mas como isto é um mero ópusculo sem pretensões libertárias, talvez me escape de estagiar numa penitenciária correctiva, ainda por cima ao que tudo indica, parece que por lá, dar um caldo de heroína é possível. Fumar nem por isso.
Ora, estando eu preso, a fumar um cigarrito na minha cela, chegava o guarda e dizia – é expressamente proibido fumar! (não basta ser proibido, é preciso ser expressamente).Resposta previsível: – E o que é que o meu caro senhor se propõe fazer, talvez prender-me?
Melhor que isto só a personagem de João César Monteiro, o réu João de Deus, quando instigado pelo juiz de toga a levantar-se, respondeu laconicamente – levante-se você, seu filho da puta!
Mas nós cá neste rebanho só balimos quando somos nós as ovelhas negras, apontadas a dedo, tresmalhadas.
Quando toca aos outros, encolhemos os ombros com uma solidariedade falsa de ufa que alívio. Quando nos toca a nós, bufamos, escrevemos artigalhadas em blogues e nos jornais, coceamos, marramos, mas nos finalmente ficamos mais quietos do que um boi de estábulo à espera da manja ou do cutelo.
Somos uns valentões de garganta e uns cobardolas que nos levantamos com respeitinho, que tememos os bófias, os padrecos e os “ayatholas” do politicamente funesto. Somos, afinal uns mansos à espera que a manja chegue plastificada e desbacterizada antes do cutelo.
O país do Sr. Sócrates, paladino do défice e do choque tecnológico às custas do trabalho forçado dos nossos impostos é um país tão moderninho, asseado e limpinho. É um país de sapato italiano e peúga rota, que na sua pelintrice se arma ao pingarelho com o vanguardismo sanitário na lapela e o desemprego e a pobreza nos cueiros. Um país limpinho, onde se faz jogging na segunda circular a levar com os escapes venenosos, onde se come em restaurantes saudáveis a 15 euros – salada+batido+fruta tudo embrulhado em plástico-, e onde vamos, provavelmente morrer cheios de saúde e impolutos, aos 98 anos, em hospitais que já não há, em lares de entulho pré-morte e em excursões de turismo sénior às obras faraónicas do aeroporto de Alcochete.
Até dá gosto viver neste país limpinho, onde se gastam milhões com uma Entidade Reguladora da Comunicação Social, em aparatosas operações STOP de bófias de passa-montanhas e shot gun a vigiar esses criminosos automobilistas, em câmaras de televigilância em cada esquina, e numa agência de segurança alimentar.
Tudo isto num país onde quem vigia a liberdade de imprensa tem proporcionalmente mais meios do que vigia a corrupção. Tudo isto num país onde se passa fomeca e onde a única verdadeira agência de segurança alimentar se chama Banco Alimentar Contra a Fome. Tudo isto num país asseadinho na montra e badalhoco até dizer chega na manápula do poder.
O Baptista Bastos que tem bom nariz para a coisa, diz que anda para aí um cheirinho a fascismo. Eu cá por mim é um pivete que tresanda mais que a celulose de Vila Velha. O que vale é que vem aí o Carnaval, e pode ser que me vendem umas bombinhas mais potentes não confiscadas pela ASAE.
Ou isso, ou confiar na profecia do Conde de Abranhos e esperar “Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa".

PS: Era para publicar no JF, mas depois não foi porque não me apeteceu cortar, fica aqui, para o arquivinho

2/15/2008

Desculpem lá qualquer coisinha


PODER CEGO
"Poder Cego" de Rudolf Schlichter, 1937, Berlinische Galerie
e patente ao público na exposição "Arte degenerada" promovida pelo partido Nazi
Fulgurante serão informativo de Mário Crespo, ontem na SIC-Notícias. O único genuíno “ancor man” cá do condado portucalense ontem parecia determinado em dar razão aos seus detractores que não lhe suportam o tom intimista, ligeiramente cabotino e um tudo nada xéxé. Eu cá que aprecio o estilo, tenho de reconhecer que ontem foi mau dia para o bom do Crespo.
Primeiro, uma entrevista a Dalila Rodrigues, a curadora do Museu de Arte Antiga que foi banida pela ministra entretanto também banida. O pretexto, o livro que a senhora escreveu sobre o pintor Grão Vasco a convite da editora de Zita Seabra. A conversa de cácárácá, queque e afectada, chegou ao ponto de Mário Crespo perguntar à senhora como lhe corre a vida, e ela explicar longamente que vai a Viseu de comboio, mas leva o portátil para trabalhar, e que em Viseu tem uns amigos à espera que a levam de carro ao Museu. Ficamos a saber que é bom ter amigos em Viseu, e também na Casa da Música, onde a ex-curadora da Arte Antiga vai coordenar o departamento de marketing e comunicação. Ora aí está uma vibrante nota pessoal que me faz desconfiar que afinal a ministra até tinha as suas razões. É que a personagem é de uma candura insuportável, quase bucólica, ou seja uma sonsa. Eu cá se fosse ministro, não queria nenhuma falsa sonsa a dirigir-me um museu. Mas a sonsa afectada fez as delícias de Mário Crespo que só lhe faltava escorrer baba com tão iluminada sapiência sobre a arte de apanhar comboios para Viseu e trabalhar no portátil durante a viagem. Foi um verdadeiro momento barroco de televisão por cabo.

Pouco depois, na habitual rubrica frente-a-frente, Pedro Passos Coelho e Joana Amaral Dias, discorriam com graciosidade sobre os temas da actualidade. Eles representam uma nova geração de políticos, usam palavras caras, expõem com firmeza, ordenam argumentos com a precisão de uma folha Excel, mas são de um modo geral tão pertinentes como uma gaita-de-foles e tão imprevisíveis como uma máquina de calcular.
Convidados a comentar a decisão do Governo australiano em pedir desculpa aos aborígenes pela opressão e segregação a que foram submetidos durante séculos, os nossos encantadores comentadores, aplaudiram com cortesia a justa reparação histórica.

O delírio seguiu-se, quando Mário Crespo lhes perguntou se haveria razões históricas para os portugueses pedirem desculpa aos povos colonizados.
Ora, para Pedro Passos Coelho, os pecadilhos históricos dos portugueses são apenas pequenas manchas curriculares, que ainda assim teriam de ser vistos à luz do contexto histórico e da época em que se vivia. Uma conveniente leitura que oblitera por completo os brutais genocídios que os portugueses perpetraram, por exemplo no Oriente, passando a fio de espada cidades inteiras que não se vergavam aos seus cupidescos interesses de mercearia. Isto já para não falar do Brasil, onde deixamos como legado uma língua bem adaptada ao bossa nova e o manejo da velha arte da corrupção, cultivada desde que D. Afonso Henriques pagava bulas papais, e que os Petistas de Lula adaptaram às necessidades de tesouraria local.

Mas, o momento mais patético do serão televisivo estava para vir. Joana Amaral Dia, no seu delicioso estilo disléxico e zangado com as injustiças do mundo, afirmou que a contextualização histórica não pode apagar as atrocidades cometidas pelos impérios coloniais, porque se assim fosse “Aushwitz teria de ser contextualizado com a sua época.” Para a beldade mais televisiva da esquerda-fashion, os valores humanos são absolutos, eternos e estão inscritos no livro de código da humanidade desde que o austrolopitecus se levantou para desentorpecer as pernas.
Ora, de acordo com esta visão de escol, condigna com a sandice politicamente correcta desta esquerda melífula, todos os impérios coloniais deviam pedir desculpa aos povos que humilharam e oprimiram. Ora, este notável precedente, obrigaria à mais longa sessão de “mea culpa” e salamaleques da história da assembleia-geral da ONU. Vejamos então uma pequena amostra:

- O embaixador italiano levanta-se e pede desculpa aos povos subjugados e massacrados pelas legiões romanas.
- O embaixador macedónio levanta-se e escusa-se pelos horrores de guerra infligidos por Alexandre o Grande aos seus adversários.
- O embaixador do Egipto levanta-se e pede desculpa pelos excessos cometidos pelas tropas do Faraó no Vale do Nilo.
- O embaixador da Argélia levanta-se para pedir desculpa dos excessos das legiões berberes no Norte de África e na Europa, mas só depois do embaixador francês pedir desculpas pela colonização.
- O embaixador francês aceita, e pede desculpas pelo terror das invasões napoleónicas, mas não sem antes exigir uma retratação histórica aos ingleses aos espanhóis e claro, aos alemães pelas invasões e ataques à sua soberania.
- Os espanhóis estão dispostos a pedir desculpa aos portugueses, aos mexicanos, aos índios do Paraguai e a todas as suas antigas ex-colónias. Mas em compensação, pedem que todos os povos árabes e muçulmanos que contribuíram para a jihad e a ocupação da Espanha católica se penitenciem pelos seus morticínios.
- Os portugueses aceitam pedir desculpas aos marroquinos, por Ceuta e Tânger, aos povos da Índia e do Extremo Oriente, aos brasileiros, aos timorenses, às antigas colónias africanas, e até à Madeira e aos Açores, territórios selvaticamente colonizados. Mas exigem desculpas públicas dos italianos, dos descendentes dos godos, visigodos, dos espanhóis, dos povos descendentes de Saladino e dos ingleses por causa da vergonha do ultimato.
- Os ingleses pedem desculpa a toda a Comonwealth, aos EUA, à Índia, e à China, ou seja, a meio mundo.
- Os EUA, como de costume não aceitam pedir desculpas a meio mundo, por terem exportado a democracia e libertado povos, mas admitem ter sido um pouco coercivos com os mexicanos e com alguns países do seu “quintal” latino-americano.
- A Índia, por seu turno, desculpa-se das atrocidades cometidas ao longo de séculos pelos mais sanguinários rajá, marajás, que esmagavam com tropa de elefantes qualquer formiga rebelde.
- O Japão pede desculpa à China, e a meio pacífico Sul.
- A China pede desculpa ao Japão, a Taiwan e a outro meio mundo.
- A Coreia do Norte pede desculpa à Coreia do Sul, a Coreia do Sul retribui amavelmente.
- A Rússia pede desculpa a toda a gente, mas pede reconhecimento pela barbárie napoleónica e nazi.
- A Polónia aceita todas as desculpas que lhe são entregues, e pede desculpa às repúblicas bálticas por umas invasõezinhas mais funestas.
- Por fim o homem das cavernas pede desculpa por ter utilizado pela primeira vez um sílex na cabeça do seu vizinho, para lhe ficar com a pele e com a mulher.

Ora, Joana Amaral Dias, defende que a humanidade expie os seus pecados passados. Que se penitencie pela atrocidades e que venere os tais valores morais e humanos de que ela é zelosa defensora. Acontece que tais valores de que ela tão confortavelmente beneficia na sua vida mundana e bem pensante, foram erguidos sobre milhões de ossadas, rios de sangue, incontáveis gritos de terror, atrocidades e genocídios, de que nenhuma parcela do globo, país ou tribo está isenta.
Pedir desculpas pelo passado é apenas um fraco tranquilizante para a nossa atormentada consciência histórica.
Mais do que pedir desculpas pelo passado o que seria bom era evitar que o passado se repita, como acontece todos os dias no Darfur, no Iraque, na Palestina e até na nossa rua, ou em tantos outros locais do globo, onde o terror e a violência do homem sobre o homem continuam a ignorar os altos valores morais sobre os quais a menina Joana ergue a santificada visão de humanidade.
A origem do mal não está nos impérios coloniais, nem sequer no capitalismo global. A origem do mal está, como sempre esteve, no próprio homem, na sua atracção fatal pelo poder e pela violência, para submeter os outros homens ao seu domínio ou ao seu pensamento. E neste caso, o bacteriologicamente puro totalitarismo moral que defende Joana Amaral Cardoso será a prazo tão ameaçador para a humanidade, como foram as teses nacional-socialistas de “Mein Kampf”.

2/12/2008

O pelourinho e o baraço no país do juiz desembargador

Sempre achei a figura do juiz desembargador deliciosamente medieval, um artefacto de solene cagança à medida de Gil Vicente, a remeter para a justiça do pelourinho. Agora o que temos é justiça do colarinho branco e do punho de rendinhas. O juiz desembargador afinal não passa de um pequeno arlequim no grande psicodrama da Justiça, ou da ilusão dela.
Faltam pelourinhos para dependurar pelo baraço os colarinhos encardidos pela cupidez e pela corrupção.
Mas isso pouco importa nesta estrebaria mediática. Preferimos crucificar o director da PJ por este ter dito a verdade a propósito da precipitação da PJ no caso Maddie. Preferimos zurzir à bastonada o lombo do bastonário dos Advogados por este ter dito em voz alta a verdade sobre a corrupção em vez de a sussurrar em surdina. Preferimos o folclore. Merecemos o folclore e a trafulhice em que estamos imersos até ao pescoço. Este é o país-fantoche que se indigna com a sinceridade e se aferrolha nos silogismos e nas sofisticações de uma justiça e de um sistema judicial permeável ao poder ao dinheiro e aos interesses confortavelmente instalados. Este é o país onde Ferreira do Amaral se sente confortável na presidência de uma empresa que beneficiou de um acordo leonino assinado por ele enquanto ministro. Este é o país onde Pina Moura entende ética pela lei “strictu sensu”.
Este é, finalmente o país onde o Tribunal de Oeiras decidiu arquivar o processo contra Isaltino Morais devido às habituais artimanhas jurídicas, o mesmo Tribunal que condenou um trabalhador da construção civil a 75 dias de prisão (remissíveis em coima) por não ter pedido uma autorização ao Governo Civil para exercer o seu direito à manifestação.
Este é o país torto que jamais se endireita, enquanto o direito estiver ao serviço dos ricos, poderoso e das potestadades deste reino da trafulhice organizada.
Venha o pelourinho e o baraço.

Le Tourbillon De La Vie (in Jules et Jim)

Bonjour!

2/06/2008

Desordem dos médicos


O senhor George fuma Camel?
E o Dr. Ayathola Rebelo, fuma o quê para ficar tão irritadiço e intolerante?



PS: Gracias a señor Doc Martins pela Publicidade

1/26/2008

PUB INSTITUCIONAL


"Aos que morrem cheios de saúde e à ASAE, hic!"





advertência: Em virtude de Vodka7 ser um contribuinte líquido para o aeroporto de Alcochete e para o SNS, através da dízima do tabaquinho e da copofonia, passará a aceitar publicidade institucional para ajudar ao biodiesel da sua auto-degradação. Só aceitamos publicidade a produtos que sejam comprovadamente lesivos da saúde, pessoal e intransmissível.

Reportagem - O dia em que o Cardeal perdeu o comboio

A todo o vapor

Viagem à história dos comboios em Portugal, desde a tarde em que o Cardeal Patriarca ficou apeado na cerimónia inaugural do caminho-de-ferro entre Lisboa e o Carregado até ao Alfa Pendular e os comboios históricos que galgam as margens do Tejo e do Douro



«Comboio descendente
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão»

Fernando Pessoa


É inevitável. Viajar de comboio induz uma sugestão cinematográfica. Faz-nos logo pensar em crime ou romance, ou nas duas coisas.
Esperamos sempre que uma qualquer Eve Marie-Saint se sente ao nosso lado e nos envolva numa intriga internacional, como no filme de Hitchcock, ou então que Hércule Poirot nos convoque para o furgão-bar para desvendar o nome do criminoso no Expresso do Oriente, enquanto enrola o bigode e beberica um xerez.

O homem ainda não inventou um meio de viajar que possa bater o comboio em romantismo. Como escrevia Agustina Bessa-Luís: «O comboio sempre me pareceu ter qualquer coisa de profético. Abria-se a portinhola de uma carruagem. Tratávamos de divisar os passageiros e explorar a réstia de conforto que podíamos partilhar. Era o prelúdio duma viagem que podia ser o primeiro capítulo de uma história.»
Num comboio o tempo ganha outra medida, outro sabor. É assim desde que uma locomotiva expirou as fagulhas que se espalharam pelos céus de Liverpool em 1825, na abertura da primeira linha férrea do mundo que ligava a cidade portuária a Manchester. A invenção do motor a vapor do escocês James Watt era assim incorporada num meio de transporte que viria a revolucionar as comunicações e um mundo em pleno processo de industrialização.

Sentados na confortável carruagem do Inter-cidades, bilhete de destino Beira Baixa, com todas as comodidades e tecnologias modernas, percorremos aquele que foi também o primeiro troço de linha férrea do nosso país, ligando Lisboa ao Carregado.
A gare de Santa Apolónia, padroeira dos dentistas, fica para trás, e o Tejo camarada insinua-se no olhar, numa viagem de braço dado por esse rio acima, pela história e estórias dos comboios.

Peripécias do progresso
A CP comemorou o ano passado 150 anos sobre o nascimento do caminho-de-ferro em Portugal. Passámos em alta velocidade pela estação de Braço de Prata, nos subúrbios industriais de Lisboa e dedicamos um minuto de misericórdia ao Cardeal-Patriarca e altos dignatários da nação que ficaram apeados na viagem inaugural do comboio em Portugal no dia 28 de Outubro de 1856.
A história é aliás bem portuguesa …
A cerimoniosa viagem foi organizada com pompa e circunstância como um hino ao progresso alavancado pelo Partido Regenerador, então no poder, e pelo seu “maquinista” de serviço, Fontes Pereira de Mello.
O dinâmico Ministro do Reino foi o grande impulsionador da política de “melhorias materiais” que se consubstanciou no arranque do projecto ferroviário, para o qual Portugal partia já com mais de duas décadas de atraso.
A empreitada e exploração da primeira linha de comboio em Portugal foi entregue à Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal, (criada em Londres a 14 de Maio de 1852), do inglês Hardy Hislop.
Foi também um projecto polémico que dividiu as elites pensantes e incendiou o clima intelectual do nosso país, com a famosa polémica de Alexandre Herculano e Lopes de Mendonça, o primeiro diabolizando o comboio e as suas consequências nefastas para o “municipalismo” e para uma certa pureza moral do mundo rural; o segundo endeusando essa ferramenta de progresso, da livre circulação de bens e de ideias, que de facto se iria concretizar.
O progresso sempre foi em Portugal pomo de discórdia, como se vê pela polémica gerada em torno do TGV, o comboio de alta velocidade que Portugal pretende lançar nos próximos anos.

A perdição do Cardeal

Mas voltemos à manhã de azáfama que levou multidões à beira da linha para ver passar esse cavalo do progresso ou máquina diabólica, conforme as opiniões: “Tenho a certeza que foram inspirados pelo Demónio! Não o digo a rir. Mas vejam aqueles uivos, aquele fogaracho, aquele fragor! Ai que arrepia!”, dizia a beata D. Josefa ao benevolente Padre Amaro de Eça de Queirós.
O Rei D. Pedro e os barões e baronetes da nação enchiam com garbo e curiosidade as carruagens do novo meio de transporte. Infelizmente as duas primeiras locomotivas adquiridas para o serviço dos caminhos-de-ferro eram sucata da qual os ingleses se desfizeram com alívio. E, no regresso da viagem inaugural, quando se entoavam loas ao comboio e aos seus méritos, perto de Sacavém, partiram-se as tubagens de vapor de uma das máquinas, obrigando-a a deixar pelo caminho parte da comitiva, incluindo o Cardeal-Patriarca.
A oposição ao Partido Regenerador não tardou em rosnar sarcasmo em “O Português”: - «A Regeneração escolheu locomotivas à sua imagem: podres como ela!»
Um bom livro é uma companhia indispensável para uma viagem de comboio. Oscar Wilde costumava dizer que levava sempre o seu diário para ter uma leitura extraordinária no comboio. Nós preferimos as deliciosas memórias da Marquesa de Rio Maior, que recorda com sublime ironia o dia em que se assistiu ao nascimento do caminho-de-ferro em Portugal: “Finalmente, avistámos de longe um fumozito branco, na frente de uma fita escura que lembra uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio! (…) Vinha festivamente embandeirado o Wagon em que viajava El-Rei D. Pedro V. O comboio parou um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes; vimos El-Rei debruçar-se um instante, e fazer-nos uma cortesia; (…)
A máquina, escusado será dizer, das mais primitivas, (parecia um enorme garrafão) não tinha força nem idade para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-os largando pelo caminho. Algumas, de convidados, nos Olivais. O Wagon do Cardeal Patriarca, e do Cabido, ficou em Sacavém; mais um, recheado de dignatários, ficou no desamparo na Póvoa (…) Esses desprotegidos da sorte, semeados pela linha ao acaso das debilidades da tracção acelerada, só chegaram alta noite a Lisboa, depois de ousadíssimas aventuras, que encheram durante meses os soalheiros oficiais. Até andou gente com archotes, pela linha, em procura dos náufragos do Progresso.”


A banhos em Cascais

Apesar das peripécias da primeira viagem, o comboio do progresso arrancou a todo o vapor na segunda metade do séc. XIX, numa primeira fase através de contratos de concessão e exploração a empresas privadas e mais tarde (a partir de 1870) com o Estado a assumir as “despesas” de desenvolvimento da infra-estrutura ferroviária, em virtude dos baixos resultados de exploração que no dealbar do séc. XX desinteressaram a maioria dos investidores privados. A opção por dotar o país de artérias ferroviárias sobrepôs-se a todos os outros meios de transporte; em detrimento, por exemplo do investimento na navegabilidade dos rios, nas estruturas portuárias, ou mesmo da construção de estradas, cujos principais eixos vieram decalcar os traçados dos caminhos-de-ferro.
A linha para Cascais, inicialmente até à Cruz Quebrada, foi das primeiras a ser criada, tornando aquela localidade uma estância balnear de eleição dos lisboetas que “copiavam” assim os hábitos da família real e da aristocracia que fazia férias em Cascais.

A conclusão da linha do Norte e da ligação a Espanha obrigaram à adopção da chamada bitola ibérica, diferente por exemplo da francesa, porque ainda pairava a sombra das incursões napoleónicas, e esperava-se que a República de Bonaparte pudesse vir por aí abaixo, tomar a rédea da Monarquia Constitucional.
Não vieram fardas nem canhões, mas ideias, já que o comboio aproximou Portugal da Europa e das correntes de pensamento libertário e humanista. «Com o comboio não foram só as ideias a circular mais rapidamente. A melhoria das comunicações aproximou o campo dos centros urbanos e criou condições para o aparecimento de um mercado nacional. Para quem vivia confinado aos limites das suas aldeias o comboio foi o meio de alargar os horizontes, por vezes de um modo drástico, acabando por vezes, a viagem do lado de lá do oceano», conforme explica a historiadora Maria Magalhães Ramalho.

O lançamento das bases da infra-estrutura ferroviária marcou também a entrada na era
moderna da nossa engenharia, forjada nas complexas obras, nomeadamente para a travessia de rios, como a monumental Ponte D. Maria Pia no Porto, que permitiu a ligação ferroviária entre as duas principais cidades do país.
O esforço ferroviário foi de tal ordem que em 1910 a generalidade das linhas que ainda hoje constituem a espinha dorsal do nosso sistema ferroviário estava concluída. A partir daí, um novo meio de transporte conquistava Portugal – o automóvel, e o comboio foi perdendo a sua influência progressista, mas nunca o seu encanto e o seu papel determinante na circulação de pessoas e bens em Portugal.


Reviver o passado no Douro
O Intercidades chega ao Entroncamento, artéria principal do sistema ferroviário nacional. Apeamo-nos para visitar um pouco da história da ferrovia em Portugal, já que aqui se ergue o embrionário Museu Nacional Ferroviário, que vai guardar os tesouros e os engenhos que escreveram um século e meio de história dos comboios no nosso país. Com um valioso espólio disperso por vários núcleos museológicos no país, a CP pretende concentrar aqui a sua memória, se quisermos, a sua Torre do Tombo. Desde as pioneiras locomotivas a vapor, às carruagens reais, passando por material de fiscalização de linha, fardas do início do século XX, o Museu Nacional Ferroviário é um projecto ambicioso e uma montra de eleição que pretende espelhar mais de um século e meio de história.
Mas é também uma história viva que a CP e alguns operadores turísticos pretendem recriar com os comboios históricos na linha da Beira Baixa, à semelhança do que acontece com a Linha do Douro e do Corgo, em que antigas locomotivas a vapor e carruagens “vintage” restauradas, recriam o espírito e o encanto das viagens de comboio do início do Século XX. Com um fiozinho branco desenhado no horizonte, o comboio vai irmanado com o rio, por esse país adentro, seja no Douro vinhateiro das estações de azulejaria deslumbrante, como a do Pinhão, ou pelas margens do Tejo, entre túneis, castelos de Almourol, e o casario das vilas ribeirinhas que saúdam o comboio que passa, hoje como há 150 anos.

1/25/2008

Fuck the 80`s

Muito antes da febre nostálgica dos eites, eis os seventes.
Bem melhor

1/12/2008

ASAE treina ao estilo SWAP

Os coros de indignação com a polícia de costumes ASAE vão erguer-se com a notícia de que aquela bófia sanitária está a receber treino para-militar dos SWAP americanos.
Não entendo a indignação, afinal não tarda nada, os agentes da ASAE vão mesmo de ter de lidar com operações de motim e revolta popular, e saber como lidar com as pauladas, as pedradas e os cocktail molotov com que irão ser recebidos nas feiras e nos tascos deste país. Eu cá já estou a preparar armas biológicas, com bactérias, chatos e pulgas para combater este braço armado do Estado Politicamente Correcto.

Literatura bebível

Confesso. Sou um cristão-novo. Converti-me aos princípios da nova religião cafeinómana, e ando agora a ler o livrinho da cataquese - Iniciação à Arte do Espresso. A nova religião vem em cápsulas, bebe-se em segredo em casa, como um vício privado, é um luxo acessível (como diz o Ricardo Paulouro), e bebe-se, como a melhor literatura. Sou, portanto um nespréssico novinho em folha. Brevemente poderei discutir com propriedade, as propriedades aromáticas das cápsulas.

Vá de retro Pacheco - os sapatos dos outros

"Mas onde é que já se viu alguém querer ser maldito? Valha-nos Nossa Senhora. Gostar de ir parar à cadeia? Cruz credo! Encher o estômago com xaréus? Louvado seja Deus. Adorar vestir calças e calçar sapatos dos outros?
Vá de retro Satanás! Andar a pedir esmola? Deus t`acrescente. - «Morte ao neo fascismo que nos começa a pesar.» Amén.

Os deputados da nação, que assinam a cuspo as leis malditas do neofascismo puritano-socialista, levantaram os seus pandeiros acomodados da cadeira e dedicaram um minuto de silêncio à memória de Luiz Pacheco. E, nem assim, o conseguiram calar.

As palavras de Pacheco são carraças a morder consciência, isto é, para quem a tem.

2008

Ao que tudo indica 2008 já começou. Começo por fumar às escondidas e quanto ao resto, nada de novo na frente ocidental.

12/17/2007

Cuidadinho com a língua

A língua portuguesa deve ser manuseada com luvas de pelica, especialmente quando vertida nas páginas de um jornal, e ainda mais quando o tema da reportagem é a morte, ou antes, os mortos. O meu querido Jornal do Fundão que habitualmente trata a língua com elegância, desta vez presta-se à mais refinada chacota, digna de "A Birra do Morto" de Vicente Sanches. A começar pelo título, eis um verdadeiro gag necrófilo:


«Mortos "tratados" para ficarem bonitos
Realizar funerais é quase o dia-a-dia das agências. Prestar todos os serviços e apoio às famílias para que estas tenham o mínimo de preocupação num momento de dor, é um dos trabalhos realizados por estes profissionais. Mas actualmente importa dar a um morto o seu aspecto natural é isso começa a ser possível também na Covilhã.»

Portanto se quiser conservar o seu aspecto natural de morto, vá morrer à Covilhã.

Jantares de Natal - O que tu queres sei eu

Portugal pode ter o ordenado mínimo mais mínimo de toda a Europa para cá da antiga cortina de ferro, mas em muitos aspectos é uma nação civilizada e até cosmopolita. Temos por exemplo uma agência de segurança alimentar que quer banir os fritos e as bolas de berlim e também temos uma nova tradição - os jantares de Natal das empresas. Seguimos o modelo americano à risca, excepto na parte do sexo pós-festa de Natal, que desconfio, é o grande segredo do sucesso das jantaradas natalícias na América.
Desinibidos, os colegas de trabalho que flirtam envergonhadamente durante o ano, libertam-se em danças insinuantes e whiskys a transbordar de lascívia, mas nós por cá, raramente cruzamos a linha divisória entre os desejos reprimidos e as consequências "perniciosas" do dia seguinte, em qualquer excesso ou investida da véspera é tratado com chispa moralizante pelos nossos coleguinhas.
É por isso que encaro com muita tranquilidade o convite para o jantar de Natal do grupo Impresa, onde sou operário têxtil, marcado para hoje no Casino do Estoril.
O cosmopolita, refinado e fashion grupo de imprensa, capitaneado por Francisco Pinto Balsemão escolheu o Casino do Estoril para, embalados pelas baladas de Armando Gama, nos confortar e nos despertar sentimentos de "pertença".
Por isso, lá estarei com um fatinho coçado casual chique - conforme recomendado no convite - a derrubar com eficácia whiskys de má índole, a escutar atentamente a cancção vencedora do Festival da Canção de 1983, e a fazer todos os possíveis para não lançar olhares conspícuos às minhas colegas de trabalho, pelo menos não mais do que lhes dedico durante o ano lectivo.
É muito reconfortante pertencer a uma Nação civilizada, casual chique, sobretudo com whisky à farta, para este modesto operário têxtil com proventos mensais equiparáveis ao ordenado mínimo do Luxemburgo.
Bom Natal

12/03/2007

História improvável das coisas - O cofre



Alexandre Fichet era um homem de engenho. Na escola, sempre que se avariava algo, os colegas costumavam dizer «o Alexandre arranja (fiche)». Em adulto, Fichet tornou-se um homem circunspecto por causa de um desgosto amoroso. Uma corista de vaudeville preterira o seu amor em favor de um cocheiro matulão e felpudo que tinha por hábito escarrar virulentamente nos passeios.
Despeitado, Fichet dedicou-se energicamente ao seu trabalho, esperando construir fortuna com que pudesse humilhar a sua amada. Como a sua especialidade era a serralharia, empenhou-se em aprofundar a tecnologia das fechaduras, elevando-a a um nível de perfeição tal, que foi convidado pelo Barão de Rotschild para conceber uma fechadura capaz de trancar e preservar de interesse alheio e de desastres naturais a sua vasta colecção de lingotes de ouro e de figurinhas com dançarinas nuas.
Fichet fechou-se dias e noites na sua oficina e criou o primeiro cofre à prova de fogo e de roubo. Orgulhoso da sua criação, Fichet, que tinha por defeito profissional espreitar pelas fechaduras, fechou-se no cofre. Mas, inadvertidamente, esquecera-se de criar uma combinação que o abrisse. Após o misterioso desaparecimento de Fichet, o Barão de Rotschild tomou posse da sua encomenda e mandou instalar o cofre na adega do seu palácio, num local resguardado de olhares conspícuos, junto a uma colheita de Bordéus de boa cepa.
Ironia amarga, é que aquele era o local preciso onde o seu cocheiro costumava levar uma certa corista de vaudeville para práticas sodomitas sobre as pipas de xerez, enquanto o pobre Fichet espreitava pelo buraco da fechadura do seu cofre, à prova de fogo, de roubo e de som.

11/29/2007

Patas do poder

O ministro sinistro descalçou os impecáveis peúgos e afagou com estima o joanete, seu inseparável companheiro de muitas lutas partidárias.
Depois fez a sua habitual ginástica diária aos dedos dos pés com que costumava espezinhar e esmagar os adversários políticos.

11/28/2007

VODKA NEWS - Sutiã aquecido

Eis uma boa forma de combater o aquecimento global e ao mesmo tempo manter as maminhas quentinhas. A Triumph acabou de lançar no japão o primeiro sutiã aquecido cujas vendas vão também contribuir para reduzir o aquecimento global. O novo sutiã tem um enchimento feito à base de gel que pode ser facilmente aquecido no microondas ou com uma garrafa de água quente.

VODKA NEWS - Ovo de ouro

Foi hoje leiloado na Christie`s o Ovo Rotschild da autoria do ourives Fabergé. O ovo foi arrebatada por 12,5 milhões de euros o que o torna o relógio mais caro do mundo. De qualquer forma, um ovo de 12 milhões, daria certamente uma rica omelete.

VODKA NEWS - AGÊNCIA NOTICIOSA

Desatento à sociedade de informação, o V7 passa a ter um serviço noticioso, tipo francepress, com a particularidade das notícias de V7 não terem rigorosamente interesse nenhum, a não ser para gente geralmente bem desinformada. Como é o meu caso.

11/16/2007

O punho da oratória

De punho ameaçador no ar o líder invectivou as massas que se acotovelavam no Comício. As massas bramiam, prontas para o combate político. Entusiasmado, o líder desferiu um golpe no ar e deu um estrondoso murro na mesa da oratória. Ouviu-se um agudo ai de dor, assim que o púlpito se partiu na cabeça do seu adjunto, que de cócoras lhe servia o discurso em livro de ponto.

11/13/2007

Cyd Charisse in PARTY GIRL - de Nicholas Ray

Afinal havia outra, a fabulosa Cyd Charrise, o melhor par de Fred Astaire (delicioso Silk Stockings), que arruma qualquer Ginger Rogers a um canto.