7/07/2007

Diamanda Galas - Insane Asylum - Tempo de Ameaça

DATA

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça

Sophia Mello Breyner

7/05/2007

Cadernos do Molusco - Naufrágio auto-suficiente

«Ilha Berlenga vai ser auto-suficiente
Projecto vai dotar a ilha de meios para gerir energia e produzir água potávelA ilha Berlenga, ao largo de Peniche, vai tornar-se auto-sustentável com a criação de infra-estruturas para gerir energia, produzir água potável e tratar águas residuais. Várias entidades, como a NASA, a Águas de Portugal, a Galp Energia e a EDP integram o projecto, estimado em dois milhões de euros. O secretário de Estado do Ambiente assina hoje uma carta de compromisso com o município de Peniche.»
SIC

A única dúvida que me assalta é saber quando é que a Ilha da Madeira seguirá o exemplo? Talvez os ensinamentos de Robison Crusoe e do fiel Sexta-feira pudessem ser úteis.

7/04/2007

Cadernos do Molusco- O bode funcionário

O bode funcionário acendeu laboriosamente o cachimbo, aliás, acender o cachimbo era a única coisa que admitia fazer laboriosamente.
O bode funcionário queixou-se ao bode funcionário superior do mau estado da ventoínha da repartição:
- Sabe chefe, vem aí uma vaga de calor, e já se sabe, a produtividade ressente-se... - lamuriou amargamente. Condescendente, o bode funcionário superior concordou, cambaleando a barbicha bem aparada, evidente símbolo de autoridade:
- Tem razão meu caro, inteira razão, informarei o director-geral, que será decerto sensível ao problema, mas até que o barbicacho se resolva, sugiro limonadas, limonadas.
O bode funcionário ensaiou a tradicional vénia e retirou-se da câmara frigorífica que servia de gabinete ao bode funcionário-superior, ruminando entredentes:
- Limonadas, limonadas, pois já se vê, este está ao fresco e nós que nos danemos. Se metesse era os limões pelo pandeiro acima, era o bem que fazia.
Infelizmente, este seu jocoso dito foi interceptado pela secretária-corujona, que diligentemente o transmitiu ao bode superior, que por sua vez informou o director-geral que em seguida notificou o chefe de gabinete do ministro, que por sua vez segredou ao ministro o ultrajante dixote do bode funcionário: «Parece que o funcionário sugeriu que o ministro metesse os limões no ministeriável traseiro e que fizesse limonada à farta». O ministro, conhecido pelo seu mau-génio, sobretudo a partir do terceiro whisky a partir das 3horas da tarde, mandou retirar todas as ventoinhas das repartições públicas, alegando racionalização dos serviços, e obrigou aquele particular bode funcionário a vestir a nova farda de Verão - camisola de gola alta de lã e calças de flanela grossa. «Não excluindo posteriores medidas disciplinares, não estou cá para aturar bodes jocosos.» E a paz funcionária foi assim interrompida por um sufocante Verão Quente.

Cadernos do Molusco- El Capitalismo Foraneo segundo Pepe Carvalho

«Para mim globalização é um eufemismo que mascara a significação real, vigente da fase actual de desenvolvimento do imperialismo capitalista, isso a que balsamicamente chamamos, capitalismo multinacional.»
Pepe Carvalho em "Milénio II: Antípodas" o derradeiro livro de Vásquez-Montalban.

Há escritores que se podem conhecer assim, de trás para a frente. Como um jantar que se começa pela sobremesa, conforme a sugestão de Alfred Jarry. A organização dos sabores é uma convenção, tal como um plano de leitura. Foi assim com Vásquez-Montalban. Comecei pelo xerez e pelo queijo danish blue, ou seja pelo "Milénio", opus magnum em dose dupla do escritor espanhol, em que o detective gourmet Pepe Carvalho e o seu fiel escudeiro Biscuter dão a volta ao mundo, numa jornada de reencontro e despedida, que coloca Vasquez-Montalban no Olimpo da escrita de viagens, deixando Chatwin remetido a uma claustrofobia patagónica.
A mundivisão de Montalban é soberba, humana e comovente, sem ser lamechas ou grandiloquoente, e a sua obsessão degustativa, que marca toda a odisseia de Pepe Carvalho e Biscuter, descarana o fio condutor das culturas - a paparoca, a comidinha.
Já desde os lanches descritivos de Enid Blyton em "Os Cinco", que nenhum escritor me abria assim o apetite. Comecei pela sobremesa, e passo agora ao amouse de bouche - "Mistério dos Mares do Sul", o primeiro livro da série do detective comunista, gourmet e desencantado, Pepe Carvalho. Um "flashback literário" depois do derradeiro "Milénio: Antípodas". Há viagens que apetece fazer assim, de trás para a frente, esta é uma delas.

Cadernos do Molusco - Sofro de Acatalepsia

Os cépticos helénicos usaram o termo acatalepsia para designar a incompreensibilidade das coisas, e a dúvida definitiva, a que Bacon contrapôs a dúvida metódica (eucatalepsia). Finalmente percebi o meu problema com as mulheres, é que sofro de acatalepsia galopante.

6/28/2007

Cadernos do Molusco - OPA sobre Fátima

Conversa de bar de hotel em Mulhose, o tema, inevitável, a OPA de Joe Berardo sobre o Benfica, a bebida, cognac, que frequentemente se mistura com trabalho.
Zé do Bombo, altercado sportinguista informa que o Benfica não é a marca mais internacional de Portugal, mas sim a Nossa Senhora de Fátima.
Zé Caetano empedernido benfiquista e jacobino (não necessariamente por esta ordem), responde: "Então o Joe Berardo que faça uma Opa sobre Fátima".
A ideia não parece má, desde que o Vacticano seja obrigado a desfazer-se das golden share sobre o santuário.

He`s human, after all

Afinal, já gosto mais deste tipo, e nada como recorrer à máxima de latrina inscrita no balcão deste bar: "É absurdo dizer, conforme a linguagem popular, que alguém se esconde na bebida; pelo contrário, a maioria esconde-se na sobriedade."
Salut Sarko!

Compromisso Portugal- I`m just a gigolo

Neoliberais perfumados, académicos sob o efeito neocon, visionários do capitalismo de fato às riscas, associação de benfeitores da Nação, aprendizes das receitas de Chicago, evangelistas da flexi-segurança, mais conhecidos sob o nome "Compromisso Portugal" querem mais do Governo.
Ou seja, estes senhores descalçaram o tamanquinho ideológico do liberalismo, e passaram agora a apontar metas de crescimento económico ao Governo.
Pera lá, a ver se percebo, então não são estes senhores que defendem que a economia deve ser livre e o seu crescimento também? Então, corrigam-me se estou errado, o crescimento da Economia não depende mais deles, notáveis empresário do risco e da inovação, do que de um Ministro da Economia. Ou será que o que estes senhores empresários modernos querem do Governo, é menos impostos, e mais regalias?
Já não percebo nada, but i`m just a gigolo

Cadernos do Molusco - Tarde piaste

Um grupo de 18 notabilissimos jornalistas, com uma elevada percentagem de directores e chefias de jornais, pretende criar mecanismos de auto-regulação na profissão mais regulada do país (a seguir aos sargentos de praça).
Depois de terem assistido impávidos à criação de uma maquiavélica Entidade para a Regulação da Comunicação Social, à alteração do Estatuto do Jornalista e à atribuição de poderes plenipotenciários à obscura Comissão da Carteira dos Jornalistas, estes excelentissimos dinossauros, vêm agora a regorgitar a velha ideia da criação de uma espécie de Ordem dos Jornalistas, com poderes de regulação e punição a infracções deontológicas.
O mínimo que se pode dizer. é que vieram tarde, como de costume.

Cadernos do Molusco - Os benefícios do tabaco segundo VPV (para memória futura)



Por um tempo de reticências, contra as exclamações
Não é meu costume rapinar textos de autores vivos para decorar sem esforço a minha modesta chafarica. Até porque salvo raras excepções os autores vivos além de consideravelmente menos interessantes do que os mortos, além de terem uma noção mais acutilante de propriedade intelectual.
Mas neste caso sinto-me forçado a fazer uma excepção, e rogo ao "Público" e a Vasco Pulido Valente que me perdoem a grosseira piratagem do texto publicado hoje naquele jornal. Faço-o apenas para poder resgatá-lo das garras do efémero do papel de jornal, e conservá-lo aqui no recato deste meu bar-arquivo, entendam-no como um mero recorte bloguistico para memória futura.
Trata-se do mais notável texto sobre o prazer de fumar que já li.
O prazer do cigarro, como pontuação de um tempo marcado pelas interrogações sobre os limites da liberdade pessoal e as exclamações autoritárias do higieno-fascismo. Um texto suspenso com o vagar simples das reticências, como um cigarro que se saboreia depois de um banho de mar...


Os benefícios do tabaco
Público 28.06.2007, Vasco Pulido Valente
Viver sem fumar é como escrever sem pontuação. Pelo menos, para mim. A pequena cerimónia de acender um cigarro marca um "tempo": o princípio do dia, o princípio do trabalho, cada intervalo ou cada distracção, o alívio (ou o prazer) de acabar qualquer coisa, o almoço (quando almoço), o jantar (quando janto), o fim do dia, antes de fechar a luz, como um ponto parágrafo. O cigarro divide, acentua, encoraja, consola. Abre e fecha. É uma estação e uma recapitulação. "Já cheguei aqui. Falta ainda isto, isto e aquilo". Nas poucas vezes que tentei não fumar, tinha um sentimento de desordem, de arbitrariedade, de não saber passar de um frase a outra ou de um capítulo ao capítulo seguinte. Os fumadores, se repararem bem, não fumam ao acaso; fumam com ritmo.O cigarro também é uma companhia. Sobretudo para quem trabalha sozinho. A maior parte das pessoas vai falando, pouco ou muito, durante o trabalho. Por necessidade ou por gozo próprio. Do "serviço" à intriga, há milhares de oportunidades para o grande e simpático exercício de conhecer o próximo: para gostar dele ou para o detestar, para o observar, o comentar ou o intrigar. De porta fechada, à frente de um computador ou de um livro, não há nada à volta. Aí o cigarro ajuda. É um fiel amigo: a pausa que torna o resto tolerável. E que, além disso, recompensa uma boa ideia ou manifesta o entusiasmo ou a execração pelo que se leu. Com quem se pode conversar senão com o cigarro? De certa maneira, o cigarro substitui a humanidade; e não me obriguem a fazer analogias. Mas, principalmente, fumar serve para pensar. Quando, a ler ou a escrever, paro a meio de uma página, porque me perdi num argumento ou não consigo imaginar como se continua, pego num cigarro e penso. Não me levanto, não me agito, não abro a boca, não me distraio. Fumo e procuro com paciência a asneira. O cigarro concentra e acalma. Restabelece, por assim dizer, a normalidade. E este efeito "normalizador" é com certeza uma das suas maiores virtudes. Não comecei a fumar para ser adulto ou "viril". Comecei a fumar porque sou horrorosamente tímido e porque o cigarro é com certeza a maior defesa dos tímidos. Primeiro, porque ocupa as mãos e simula um arzinho de à-vontade. E, segundo, porque esconde e protege ou cria a ilusão de que esconde e protege. Por detrás de um cigarro, o mundo parece mais seguro. Mesmo se andam por aí a garantir que não.

6/25/2007

O pecado da vulva


A grandiloquente Princesa da blogosfiera, Rititi, que faz o favor de ser minha amiga, explica porque apesar de haver mil e uma formas de escrever caralho e se fazerem metáforas sexuais como se fazem fellatios, dificilmente se pode confundir literatura com punhetice.

Eu, que sou por uma pornografia esclarecida, discordo, porque acredito que muitas vezes se confunde salada de mamão com mamada no salão, mas rendo-me ao brilhantissimo texto.

Polónia é Europa

Não percebo porque é que os polacos decidiram amuar com a Europa, a julgar pelo casting do programa Idolos local, o seu talento é perfeitamente europeu.

Mulheres perfeitas, amores imperfeitos

Para os meus amigos que depois dos 30 continuam à procura da mulher perfeita, tentem esta ...

Smoke in your bed

Sabem a quantidade de incêndios que começam em casa por causa de cigarros mal apagados?
Eu também não sei.
Mas também sei que o cigarro é o melhor extintor das brasas do amor.
Aquele sublime prazer de cama, depois do amor, de fazer bolinhas de fumo expirarem como lençóis nos corpos nús e exaustos.
Se o preâmbulo de beijos e dos corpos que se exploram e se desnudam é a melhor metáfora do desejo, um cigarro depois do último suspiro é um prazer secreto, inexplicável, egoísta que apenas é possível partilhar quando o corpo ao nosso lado também expira argolas de fumo sobre o amor temporariamente extinto na cama.
Fumar um cigarro depois do amor e depois de um banho de Mar, eis a melhor definição de um prazer simples, como o são todos os grandes prazeres.

PS: A sugestão da música é "marítima" my bloody valentine

Cadernos do Molusco - Profecia de Newton

Recorrendo a complexos cálculos, o físico e matemático Isaac Newton "descodificou" o poema do apocalipse da Bíblia e previu que o fim do mundo iria começar sensivelmente em 2060.
Não percebo nada de matemática e por isso me faz alguma confusão que o fim do mundo comece.
O raciocínio preocupante, mas também revigorante, é pensar que se calhar o fim do mundo já começou, só que nós ainda não o sabemos.
Por isso o melhor é aproveitar já, não vá Isaac Newton ter feito mal as contas.

Fumador Activo - Vícios públicos e saúdes privadas

Parece que o PS vai recuar na lei-seca, aliás na lei anti-tabágica, permitindo aos proprietários de estabelecimentos com mais de 50 m2 escolher se são livres de fumo ou não. Depois de anunciar com galas de fundamentalismo uma espécie de shari'ah anti-tabágica, parece que os deputados fumadores do PS conseguiram moderar os ímpetos "ayatolas" do ministro Correia de Campos. Esta é uma boa notícia, não só para os fumadores, mas também para quem preza a liberdade individual, incluindo não fumadores que podem agora ser protegidos do sumo sem remeter ninguém a uma espécie de "ostracismo" higiénico, como pretendiam os mais devotos.
Parece-me que às vezes se complica o que é fácil - basta fazer leis com bom senso que não agridam pessoas na protecção dos direitos das outras pessoas. Equilibrio e bom senso, eis o que tantas vezes falta na produção legislativa.

Obviamente que esta moderação legislativa fará erguer um coro de vozes entre os sanitário-maníacos, que acusarão o Governo de ter cedido às pressões e interesses da indústria tabaqueira. Obviamente que as tentações totalitárias continuarão a existir, por isso convém não baixar a guarda do Fumador Activo - que é aquele que acredita e defende restrições ao fumo e na protecção dos direitos dos fumadores passivos, mas que não aceita que ela se faça à custa e às expensas do seu próprio direito à "degradação".
Porque prefiro morrer com cancro no pulmão, do que com um coração envenenado pelo ódio, qualquer que ele seja.

Cadernos do Molusco - Merda de vídeo

Sábado programei direitinho o vídeo para gravar a retransmissão das cerimónias do 10 de Junho, que a RTP Memória emitiu no domingo de manhã. Infelizmente o vídeo baralhou-se nos canais e fiquei com uma emissão inteirinha da Eucaristia Dominical para memória futura. Será que o senhor Presidente da República podia fazer-me o favor de pedir para a RTP passar outra vez esse grandioso espectáculo da portugalidade que é ver tropas trôpegos com metralhadoras e bandeiras, e condecorados côncavos e curvados com ar de enterro. Viva Portugal!

Cadernos do Molusco - Cobaias NASA

A NARSA quer cobaias humanas para passar uma boa temporada no espaço sideral. Assim de repente estou-me a lembrar de umas boas dúzias de potenciais astronautas portugueses. Será que a NARSA aceita recomendações?

Cadernos do Molusco - Na mó de cima

Abriu este fim-de-semana o Bar Lounge da Moagem no Fundão. Na mó de cima do novo Centro Cultural do Fundão uma vista de cortar a respiração sobre a Cova da Beira e um espaço "clean" and "cousy" que os meus amigos Leonel e Vitor vão tratar de dar alma, vida e animação.
Um espaço é apenas o vazio da decoração sem a vida que as pessoas lhe emprestam. Espero passar muitas e boas horas a beber copos e na boa galhofa da conversa no bar que para mim se devia chamar "Na mó de cima", que é isso que lhes desejo, estarem na Mó de Cima.
A primeira festa foi a do segundo aniversário da Flint, a empresa de boas ideias do Rui Martins, que fez as vezes de VJ numa estreia prometedora. Parabéns também para ele.

6/20/2007

Tesourinhos sorridentes - These Boots Are made For Walking Original

Walk all over me baby, o melhor hino do feminismo de salto alto

Tesourinhos sorridentes- I'm Too Sexy - O Kitsh Cool

Uma camisola de alças é sempre uma camisola de alças, arejadinha, ou várias boas razões para manter longe de um ginásio.
Mas a música é cool

Burro Lúcio e Galáctica entram na discussão sobre o Novo Aeroporto

O Burro Lúcio promete espectacular regresso à vida pública. O putativo candidato a qualquer lugar elegível de mordomias e salamaleques prepara-se para apresentar uma nova alternativa à OTA.

Respondendo ao repto de Augusto Mateus, o Burro Lúcio pensou que o melhor modelo de aeroporto para o futuro é obviamente, uma cidade aeroportuária com capacidade para voos galácticos. Um centro de excelência para viagens extra-terrestes, que seria a plataforma indo-europeia para os voos inter-galácticos que prometem ser o mais expansivo mercado aeronáutico da segunda metade do século XXI.

O Burro Lúcio vai nos próximos dias apresentar ao Presidente da República e ao Governo o seu projecto, estando a ultimar os últimos detalhes de um estudo preliminar realizado pelos reputados consultores internacionais da “Galáctica”, coordenado por Buck Rogers, o maior especialista em voos inter-galácticos.

O Burro Lúcio contratou também uma série de agências de comunicação para lançar uma ofensiva mediática à escala europeia, que como se sabe é nesta fase, bastante mais importante do que qualquer estudo de engenharia aeronáutica ou civil: “Primeiro trombones, depois ideias e projectos”, terá dito o Burro Lúcio numa reunião com um conjunto de investidores que apoiam este estudo e que por agora se preferem manter no anonimato, com medo de represálias dos Conselho de Cyborgs do Governo inter-estelar.

A localização do novo aeroporto inter-galáctico já está definida, e será precisamente na Serra da Gardunha na Beira Baixa, que segundo a NASA é um dos dez locais do mundo onde é mais provável avistar OVNIS: “Temos de potenciar as nossas vantagens competitivas. Construir uma cidade inter-galáctica em Castelo Novo tem inúmeras vantagens para a captação de voos de OVNI`s de outros lanetas que dentro de poucos anos substituirão os “low cost” em volume de tráfego aéreo.” Explicou o entepreneur equídeo.
De acordo com estudos de exploração da “Galáctica” em 2035, as crateras da Lua, os anéis de Saturno e as praias de Mercúrio serão os três maiores destinos inter-galácticos, movimentando milhões de passageiros ano. “Por outro lado, servindo de plataforma giratória inter-galáctica, a cidade aero-espacial da Gardunha teria condições óptimas para atrair turismo inter-galáctico, nomeadamente de habitantes de planetas rochosos, que se identificariam com a paisagem daquela Serra. Aliás, é possível recriar em toda a região da Beira Baixa “habitat`s” típicos de outros planetas, para os turistas extra-terrestes se poderem sentir em casa, como aliás já se faz no Algarve com os pub`s para os hooligans ingleses.


Para o visionário jumento, a localização da cidade aero-galáctica no interior de Portugal permitiria recentrar a estrela ibérica, relegando Madrid e Lisboa para a periferia, “o que vai corrigir o modelo de desenvolvimento ibérico, que caminha para as megalópolis. Mas mais do que isso, com um aeroporto galáctico, Portugal estaria de novo no centro do Universo, e isso como se percebe, dá imenso jeito em termos de acessos, sobretudo quando se vai de táxi para o aeroporto.”
Os próximos dias serão decisivos para melhor perceber os contornos deste projecto “Galáctico” do Burro Lúcio e associados que decerto vai lançar ainda mais gasolina nofogaréu do novo aeroporto.
Enquanto isso, vamos às cerejas que agora é que estão boas.

Alcochete is the best

Futuro Shutlle para o aeroporto de Alcochete, porque nós somos pelos transportes subaquáticos e estamos fartos de um Governo que mete água

Eu cá sou pela OTA!





Porque não me importo de andar um bocadinho a pé

Nós preferimos Portela +1

Mas ainda estamos a estudar o assunto e à espera de um Mecenas!

A OTA e a terrina da sopa





“Na maior parte dos homens, a descrença numa coisa, baseia-se na crença cega numa outra”.
Lichtenberg

Vai uma apostinha? Se por artes do demo se fizesse agora um referendo sobre o aeroporto da OTA, o sensato povo lusitano chumbaria o “desvario” com uma maioria bielorussa. Como rebanho manso fomos sendo conduzidos à certeza de que a OTA é uma fífia estratégica, um projecto faraónico que serve unicamente interesses privados, um turbo para a nossa economia a pedais, um quero-posso-e-mando do Governo.
Nunca se assistiu a um coro de balidos tão afinado, tão melífulo, tão científico, como aquele que move as mais insuspeitas carolas lusitanas contra a localização de um aeroporto.

O que me levou a desconfiar desta cruzada anti-OTA foi pensar porque raio é que a CIP (Confederação da Indústria Portuguesa) se dispõe a pagar do seu bolso um estudo para uma localização alternativa ao aeroporto da OTA, precisamente no mesmo momento que esse pequeno Nody da política nacional, o Sr. Marques Mendes, se pôs em bicos de pés nos seus tamanquinhos, pronto a cavalgar o alazão da contestação contra “Bob Construtor Lino” e a OTA.
Como não acredito em bruxas, nem em coincidências, nem na súbita caridade patriótica dessa corja de respeitáveis ávaros do salário mínimo, logo tratei de puxar ao rabo escondido no palheiro. E em vez de gato, veio raposa gorda de galinheiro farto.
Então não é que a localização do aeroporto na margem Sul traria amplos benefícios económicos para uma miríade de grandes empresas, onde pontificam por exemplo o Grupo Espírito Santo, a Brisa, a Lusoponte (concessionária da deficitária Ponte Vasco da Gama) ou até a Sonae, a quem um aeroporto a vinte minutos da “Nova Miami” de Tróia devia dar um jeitão. Eu cá não sou de intrigas e, apesar da declaração de interesses do seu director, é curioso ver como tem sido o “Público” a liderar uma inaudita campanha anti-OTA.
Com uma tão poderosa conjugação de interesses e a inabilidade do Governo para defender um projecto caucionado por sucessivos Executivos e partidos (incluindo o do Sr. Mendes), é natural que neste país de papagaios, os políticos de cervejaria, os treinadores de bancada e os plumitivos do oratório mediático despertassem para uma insuspeita vocação: a de engenheiros aeronáuticos!
Numa dos seus famosos “gags”, Raul Solnado queria ser um engenheiro naval alto e de olhos azuis. Pois bem… aqui tem um país de súbitos engenheiros aeronáuticos, capazes de, com um parágrafo, remover toneladas de terra e dinamitar um conjunto de estudos que demoraram trinta anos a engendrar. É obra!
Eu cá, de engenharia nem Black&Decker, nem um móvel do IKEA, mas sei que para qualquer dado problema se consegue um parecer técnico diferente, ou melhor, conveniente.
Aposto que se o Sr. Frexes (Presidente da Câmara do Fundão) quisesse um aeroporto internacional na Atalaia do Campo, não teria dificuldade em reunir uma tropa fandanga de cientistas, engenheiros e ornitólogos que jurariam a pés juntos sobre o seu currículo académico, que a Atalaia seria a melhor localização para um aeroporto, dada a ausência de rabanadas de vento lateral, a escassez de tordos em idade fértil e a proximidade do Estádio Santiago Bernabéu.

Não quero com isto desvalorizar os argumentos técnicos ou científicos que se opõem ao aeroporto da OTA, que podem até ser justos ou pertinentes, mas que não se sobrepõem aos argumentos e estudos conduzidos pelas maiores empresas internacionais do sector e que num rigoroso e documentado processo eliminatório (ver site da NAER) acabaram por conduzir à escolha da OTA.
Uma escolha que há um ano atrás parecia consensual e pacífica, incluindo para as associações ambientalistas, tão propensas a fazer um pé-de-vento quando o excitante coito de um casal de lagartos está em risco de ser interrompido.
Se há um ano havia consenso político e técnico, o que mudou entretanto? Convoco o sempre actual Eça para explicar: “Homens que assim se reúnem poderiam logo, neste nosso bem amado país, ser suspeitados de constituir um sindicato, uma filarmónica ou um partido. (…) Se em certos dias se congregam, é apenas para destapar a terrina da sopa e trocar algumas considerações amargas sobre o Colares...”
Neste “sítio mal frequentado”, os grandes negócios e os projectos de interesse nacional estão nas mãos de vorazes lóbis que continuam abancados à mesa a destapar a terrina da sopa, ou na Quinta da Marinha a saracotear os calções do golf.
Mesmo considerando que possa haver na questão da OTA um “empate técnico”, a decisão será eminentemente política. Estranho por isso que Cavaco Silva, que assinou cheques ao portador para o Centro Cultural de Belém, Expo-98, e Ponte Vasco da Gama venha agora a meter bedelho e pedir fiador técnico para a OTA, a mesma fiança que ignorou quando a “obra” era sua.

A caução técnica da OTA já há muito está passada, e mais razões não houvesse, duas sobrepõem-se a todas as outras:
- A localização na Margem Sul, que apresentava vantagens em relação à OTA, foi chumbada por motivos ambientais, com estudos preliminares (aqueles que no momento da decisão contam) a apontar as rotas de aves migratórias e os aquíferos como “impeditivos”.
Para os menos atentos, impeditivo, significa que a União Europeia não entraria com um tostão para o financiamento de cerca de 20 por cento do projecto, como está assegurado no caso da OTA.
Se os senhores empresários quiserem fazer uma vaquinha para se substituir ao financiamento comunitário, por mim estão à vontade.
Já agora podem também tentar explicar aos passarinhos que isso de se meterem nos motores dos aviões não lhes dá saúde nenhuma – nem a eles, nem aos aviões.
- A segunda razão é meramente cronológica. É que apesar de ainda nem se ter sachado um rego, o aeroporto da OTA já está na realidade a ser construído há sete anos, porque os estudos estão numa fase adiantada, e regressar à estaca zero obrigaria a novos investimentos no aeroporto da Portela.
Recorde-se que há três anos se gastaram 350 milhões de euros na ampliação da Portela, porque o projecto de construção do novo aeroporto já se arrasta há pelo menos duas décadas.
É por isso que escutar a peregrina ideia do sr. Miguel Sousa Tavares, que defende a ampliação da Portela e a construção de um pequeno aeroporto para “low costs”, nos revela a ignorância própria de uma eminência parva do comentário de cervejaria, que normalmente não sabe o que diz, mas di-lo muito bem dito.
Os voos “low cost” só são possíveis com a rentabilização logística das horas vagas dos grandes aeroportos. Só assim é possível viajar até Amesterdão pelo preço de estacionar o carro uma tarde na Avenida da Liberdade do Fundão.
Obviamente que podemos considerar um novo aeroporto um investimento desnecessário num país que construiu dez estádios de futebol. Mas, cá pelas minhas contas, um aeroporto continua a ser a forma mais rápida de sair deste país que tresanda a sopa.

publicado no “Jornal do Fundão” nos idos de Junho

You've come a long way, baby

Fumatório fetichista contra sanatório fascista.
Eh! Eh! Processem-me, multem-me, impugnem-me, internem-me.

6/15/2007

Arquétipo do pensamento anti-tabágico, ou pior do tensamento totalitário

Só para se perceber que a discussão sobre as leis anti-tabágicas transcende em muito uma mera questão de saúde pública, e revela uma pulsão totalitária que saltita ai dentro de muita gentinha, passo a transcrever o esclarecedor comentário que o senhor André Silva, estudante de Medicina, teve a amabilidade de fazer chegar a este infecto e oculto barzinho na internet:

«Eu acho este post um atentado à liberdade das pessoas. A minha liberdade termina onde começa a liberdade dos outros. Será que eu posso ter o direito de ir a um sítio público e não correr o risco de ser incomodado por um fumador egoísta? Será que isto é discriminação do fumador? O fumo faz mal à saúde, e eu não sou obrigado a sofrer por causa de um viciado ter vontade e direito de fumar. É mesmo muito desagradável. O estado já comparticipa em muito os fumadores, ao dar dinheiro para o sistema nacional de saúde que trata os que são doentes por causa do tabaco. AVCs, infartes, cancro do lábio, da língua, do esófago, do pulmão, da bexiga, pancreas, insuficiência respiratória aguda, doença pulmonar obstructiva crónica, bronquite crónica, etc... Todas estas doenças e muitas mais têm uma incidência muito aumentada nos fumadores, e quem paga é o estado, e todos nós. E os viciados continuam a fumar. Triste a mentalidade daqueles que acham que têm o direito de fumar onde querem, por serem livres, sem se preocupar se estão a prejudicar os outros. Mentalidades mais avançadas, como por exemplo existem em alguns países nórdicos. Na Suécia, por exemplo, toda a assistência médica é gratuita, e o tabaco não é proibido, mas quem for fumador sujeita-se a pagar pelos seus tratamentos, no caso de ser atingido por uma doença cuja incidência seja aumentada pelo tabaco. Quer fumar, fume, mas na altura de fazer a quimioterapia para o câncro do pulmão, paga!»



Caro André Silva
Está no seu pleno direito de achar o que quiser, e invocar as razões que quiser. Eu próprio concordo que é necessário limitar e regular os locais onde se pode fumar e proteger as pessoas como o senhor, que se sentem lesadas e ameaçadas pelo fumo dos outros.
Há decerto formas mais equilibradas de o fazer do que aquelas que a União Europeia tem copiado do fanatismo-higiénico dos EUA.
Mas se em relação aos limites da liberdade de fumar nunca poderemos estar de acordo, porque se trata também de uma questão de regulação de liberdades (a única possível para pessoas como o senhor é o exercicio total e absoluto da vossa liberdade de impedir os outros de gozar um prazer ou se quiser, um vício - a isso chama-se totalitarismo, não liberdade).
Portanto com um discurso como o seu, dificilmente se poderia chegar a um entento cordiale, porque não pode haver entendimento cordial com a intransigência que pretende remeter os viciosos fumadores a uma espécie de ostracismo punitivo e castigador.

Já quanto ao seu raciocinio-sanitário-fascista sobre os custos para o Sistema Nacional de Saúde do tratamento de doenças provocadas pelo fumo, gostaria apenas de relembrá-lo que o Estado português, por exemplo, arrecada por ano 1400 milhões de euros com impostos sobre o tabaco, ou seja, praticamente um quarto do que está consgrado anualmente no Orçamento de Estado para o Ministéro da Saúde, dinheiro que mais tarde servirá para lhe compôr o seu ordenado em concomitância com o sector privado (desejo-lhe eu).
Ou seja, o dinheiro que os "viciados" desembolsam para "sustentar" o seu vício, sustenta largamente muitos dos vícios do Estado, e também o tratamento das doenças e achaques de saudáveis e viçosos não fumadores quando vão a um Hospital ou a um Centro de Saúde tratar de qualquer problema da sua preciosa e sagrada saudinha.

Eu penso que 1400 milhões de euros por ano nos dão o direito, a todos nós fumadores, de não ter de aturar esse seu argumentozinho mesquinho e ignorante.
Um argumentozinho, que levado à letra implicaria por exemplo a demissão do Estado do seu papel de regulador social e de solidariedade, e que implicaria a não comparticipação em tratamentos a toxicodependentes (quem é que os manda drogar), a doentes de SIDA (quem os manda ter sexo inseguro ou injectar-se com seringas contaminadas), a mulheres que queiram abortar em segurança (quem as manda ter gravidezes indesejadas), a doentes hepáticos (quem os manda meter-se nos copos) ou mesmo a tratamentos dentários (quem os manda não lavar os dentes e comer bolas de berlim). Esta é a sua lógica implacável, o que convenhamos, para futuro médico, não está nada mal.

Atentado à liberdade das pessoas não é o meu post "metafórico", atentado à liberdade das pessoas é o seu "elaborado" pensamento, que nem sequer é um pensamento económico-liberal, é simplesmente, um pensamento idiota.
Se há um rio da liberdade, nós estamos em margens opostas, o que devo lhe dizer é uma ideia muito tranquilizante para a minha margem.

PS: Quando eu fizer a quimioterapia para o meu cancro do pulmão até posso pagar, em compensação, o meu caro senhor terá sempre a grande vantagem de morrer cheio de saúde, o que deve ser, pelo menos, consolador para um futuro médico.
Quanto ao mais, vá à saudabilissima badamerda!

Atentamente
Um fumador contribuinte do SNS com cerca de 600 euros/ano em impostos sobre o tabaco e outros tantos em imposto sobre o álcool. Ou seja, ao fim de uma vida útil de fumador e bebedor(estimada em 30 anos) terei contribuido aproximadamente com trinta mil euros em impostos, parao SNS, o que dará para ajudar o Estado a tratar-me durante um aninho, antes de me finar com uma das terríveis doenças que fez o favor de enumerar.

5/29/2007

Malefícios do Governo

“A razão é a primeira autoridade; e a autoridade é a última razão.”
Louis Bonald

Mais do que o problemazinho do “canudo”, uma bagatela neste país de licenciados nas caixas de supermercado e pajens políticos nas administrações das empresas públicas. Mais do que os exames de inglês por correspondência, neste país da cábula e do copianço; mais do que o fingimento descarado com o combate à corrupção que disfarça a complacência com esse flagelo público; mais do que tudo isso, há um padrão de pensamento e acção governativa que nos devia alarmar a todos.
Esse padrão chama-se obsessão pelo controlo e manifesta-se com tiques de autoritarismo numa série de medidas legislativas que apenas têm uma leitura óbvia - o Governo do Partido Socialista português despreza a liberdade.

Alvoraçamo-nos com o facto de uns inexpressivos milhares de taxistas-furibundos, donas de casa saudosistas, coronéis na reforma e meninas fascistas da UBI com problemas de afirmação (ou falta de namorado) terem eleito o ditador “botas” como o grande português; e entretidos com esse mofo do nosso armário dos esqueletos colectivo, esquecemo-nos que as maiores ameaças às nossas liberdades individuais não vêm de um programa de televisão fatela.
As maiores ameaças às nossas liberdades vêm das reuniões de quinta-feira do Conselho de Ministros e dos plenários da Assembleia da República, pelo punho daqueles que foram eleitos pelo povo para, em primeiro lugar, defender uma liberdade de que estivemos privados meio século, ou melhor, nove séculos, e que pelos vistos continuamos a não amar e respeitar.

A coberto do “ímpeto” reformista, das medidas “modernas” e compaginadas com as “melhores práticas europeias”, o PS prossegue uma subterrânea ofensiva no sentido de cercear, regular e domesticar a liberdade de expressão e de informação, tema para o qual encontra sempre pontuais aliados nos tribunais onde juízes-fantoches vão produzindo jurisprudência que fariam de Hugo Chávez um grande democrata liberal.
Basta relembrar o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que condenou o jornal “Público” a uma choruda indemnização por divulgar uma notícia verdadeira sobre uma trapalhada fiscal do Sporting. Sentenças como estas vão-se repetindo um pouco por todas as comarcas, onde obscuros juízes vão destilando o seu ódio visceral aos jornalistas.
Como se isso não bastasse, o sinistro Sr. Silva, ministro com a tutela da Comunicação Social, interpreta com obstinação de linha dura, as visões mais “soft” sobre regulação dos media que Arons de Carvalho nunca ousou passar à prática no tempo do socialismo-amigável de Guterres.
Um ano depois de ter criado a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o Governo prepara-se para apertar a coleira com o novo Estatuto do Jornalista e com o reforço dos poderes dessa entidade das trevas que é a Comissão da Carteira de Jornalista.

A experiência de um ano da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) é aliás exemplar. Como se adivinhava em texto escrito nestas páginas há um ano, este organismo nefasto é uma extensão instrumental da vontade de um partido traumatizado pela decapitação política do seu secretariado devido aos “danos colaterais” do caso Casa Pia.
Formado por comissários políticos, onde pontifica por exemplo Estrela Serrano, antiga assessora de imprensa de Mário Soares e do Partido Socialista, a ERC notabilizou-se neste seu ano de estreia por ser um polícia de giro a mando do chefe-de-esquadra.
Distribuiu raspanetes e pequenos açoites em meia dúzia de “prevaricadores”; defendeu abnegadamente o Serviço Público de Televisão (agora criou uma tabela numérica para alegadamente defender o pluralismo político-partidário dos telejornais) e foi incapaz de molestar o poder, mesmo quando este tentou alegadamente fazer pressão nos directores de jornais, no director de informação da RTP ou quando Pina Moura anunciou gongoricamente que a sua nomeação para a administração de uma empresa privada, mas com uma licença de televisão emitida pelo Estado e fiscalizada pela ERC, era uma nomeação “ideológica”.
Escusado será dizer que este organismo é ricamente financiado pelos cofres públicos, os mesmos que estão depauperados para manter centros de saúde no interior. Há dinheiro para os “bófias” do Sr. Silva limparem as sarjetas do jornalismo, não há dinheiro para ajudar um velho mineiro de Sobral de São Miguel a ir a Coimbra fazer quimioterapia ao pulmão envenenado pela silicose.

Mas nem só pela liberdade de informação passa a obsessão pela rédea curta deste Governo, que no tempo de Santana Lopes teria dado direito a levantamento de rancho.
O projecto de criar um Intendente-Geral das polícias, um Pina Manique da era tecnológica que fique na dependência directa de Sócrates é também um reflexo desta veia autoritária, a mesma que entronca na nova lei anti-tabágica aprovada com sonolenta benevolência pelos deputados da AR. Ambas as iniciativas são faces da mesma moeda, uma servida sob o manto da eficácia-securitária, a outra sob a lógica higieno-fascista do politicamente correcto.
Fazendo aqui a minha declaração de interesses de fumador activo de quase duas ininterruptas décadas de prazer consciente dos malefícios, gostava apenas de lembrar os 70 por cento de não fumadores deste país que decerto regozijam com esta nova lei, que não se trata apenas de um problema de saúde pública ou de poderem saborear umas favas no tasco sem levarem com os bafos do cliente da mesa do lado.
Trata-se de um princípio de liberdade individual que nos permite viver a vida como entendermos ou até destruirmo-nos como bem entendermos. Hoje são os cigarros, amanhã são as favas e as gorduras.
A nova lei anti-tabágica é fascista porque persegue os fumadores remetendo-os para “guettos”; iliberal porque não permite a livre empresa, ou seja, que o proprietário de um restaurante ou de uma discoteca escolha, e por fim é uma lei repressiva, que prefere a multa à prevenção.
O Estado não está preocupado com a saúde dos não fumadores; está preocupado com a sua saúde financeira e dá-se a desplante de fingir cuidados com a saúde dos fumadores que todos os anos contribuem com 1400 milhões de euros em impostos sobre o tabaco.
Ora eu cá passo bem sem fumar um cigarro em restaurantes de não fumadores, mas também passo muito bem sem este paternalismo-maníaco do Sr. Correia de Campos que nos quer obrigar à força a cultivar modos de vida saudáveis que lhe encurtem as listas de espera dos hospitais.
Bernard Shaw dizia que a última vez que andou uma longa distância a pé foi para acompanhar o funeral de um amigo que morreu a fazer jogging.

Cá por mim com um Governo destes, que nos quer impingir adesivos de desabituação tabágica nos ombros e adesivos na boca da imprensa, o melhor é mesmo começar a fumar charros para esquecer (as multas sempre são mais leves), ou então pedir emprestado ao Bordalo Pinheiro o Zé Povinho e esse gesto caído em desuso, mas nunca tão necessário, como o saudoso manguito.
Ora toma !


(Publicado no Jornal do Fundão, nos idos de Maio)

5/24/2007

Have a bite

O ministro Mário Lino dá um contributo inestimável à ciência oculta do marketing político, ao criar soundbytes de uma nova estirpe. São soundbytes que se viram ao dono e lhe mordem na língua.

5/23/2007

Calor: Chris Rea e Drumond de Andrade

Consolo na Praia


Vamos, não chores
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizaram.
Mas, e o humor?

Fumador activo - How To Smoke A Joint

Pedagogic for the people.
Proponho sessão de esclarecimento na Comissão de Saúde da AR.

5/18/2007

Cadernos do Molusco - Notório asno

Na repescagem para a incineração de um candidato à Câmara Municipal de Lisboa o PSD conseguiu desencantar um cordeiro para imolar na fogueira eleitoral de Julho.
Fernando Negrão, um cordeiro manso com queda para a auto-fagia, mostrou ontem na sua primeira entrevista na TVI que mais do que um cordeiro manso é um notório asno.
O ufano candidato promete moralizar a Câmara e ver-se livre das centenas de assessores que o partido que o apoia lá colocou nos últimos anos; pretende também liderar o movimento de contestação à OTA, que na sua informadissima opinião é um erro histórico que está já cientificamente provado. O putativo candidato defende a ampliação da Portela e a criação de um aeroporto para low costs, tese aliás já defendida por outro opinion-maker de ideias prontas a vestir, Miguel Sousa Tavares.
Ora, não é preciso ser engenheiro aeronáutico ou presidente da TAP, para explicar a estas cabecinhas pensadoras que o low cost é um conceito de aviação comercial só possível com a utilização das infra-estruturas e a logística de um aeroporto nas horas mortas, ou seja, negociando baixos preços com as empresas do "pessoal de terra" nas suas horas vagas de serviço às rotas habituais. Por isso, pensar que se pode ter um aeroporto só de low costs é uma ideia só possível de levar a cabo por notórios asnos, totalmente desligados da realidade.
Mas, mais não seria de esperar de um homem que na sua carreira foi um tropeço como director da PJ envolvendo-se na fuga de informações para o "DN" no Caso Moderna, e que teve como prémio, a passagem pela presideência do Instituto da Toxicodependência, cargo que ocupou a fazer desmoronar uma política estruturada de anos de combate e prevenção da toxicodependência, levado a cabo por um profissional competente como João Goulão, que agora, felizmente, está a tentar reconstruir o que esta nódoa destruiu em menos de dois anos.
A boa notícia é que Negrão e a sua cega vaidade levarão o devido castigo no dia 1 de Julho, com um resultado que adivinho humilhante, para ele, e para o outro notório asno que o escolheu.

5/15/2007

Fumador activo - Freedom River (poluído)

"Aqueles que sacrificam um pouco de liberdade em prol da segurança, não merecem nem uma nem outra". Benjamim Franklin

Aos ayahatolas anti-tabagistas, e já agora ao Governo do Partido Socialista que:
Despreza a liberdade de imprensa e a tenta controlar a todo o custo (Estatuto do jornalista/criação da Entidade Reguladora/Pina Moura ideológico na TVI)

- Quer criar um intendente-geral das polícias na dependência directa do primeiro-ministro

- quer acabar com a autonomia universitária, sanear os alunos dos orgãos de gestão e criar um conselho de "curadores", que não é mais do que um poleiro para mais uns comissários políticos do Partido Socialista poderem ganhar a vidinha e o partido ter controlo sobre as universidades.

- Que fez aprovar uma lei anti-tabágica fascizóide que despreza a liberdade individual e a livre empresa e que outorga ao Estado o direito de paternalidade e tutoria sobre todos os fumadores e em vez de lhes dar uma mesada, como qualquer pai que se preze, cobra 1400 milhões de euros em impostos sobre o tabaco.

Em Portugal o rio da liberdade está poluído.

PS: Narração de Orson Welles, para os menos atentos

FUMADOR ACTIVO: Flinstones..fumam Winston.

Que bom ter um dever e ... fumar um cigarro. Fumador activo e sexista, no sentido de ser um apreciador do sexo oposto. A Wilma Flinstone é uma fumadora glamourosa.

5/13/2007

Fumador activo - Aqui valli tudo

O Vodka7 não tem 100 m2, mas reserva o seu direito de admissão a fumadores activos e a pessoas que prezem a liberdade dos outros tanto como prezam a sua.

O cigarro de Alida Valli

Recordo a expressão "Beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro", Macacário, quem te dera ó gorducho feioso

Não há fumo sem fogo: Lauren e Bogie

Agora, imaginem esta cena sem fumo.
Este bar sem fumo, Bogie a beber batidos e Lauren a mascar pastilha elástica e a fazer balões. Qualquer dia, os higieno-fascistas vão obrigar as cinematecas a apagar o cigarro dos lábios de Lauren Bacall. Defender os direitos dos fumadores activos é não só uma questão de bom gosto, mas também uma trincheira civilizacional.

Para entender o totalitarismo higieno-fascista, visitar origem das espécies de FJV, e ler a história de como queriam apagar o cigarro de Pessoa.

Fumar até pode matar, mas ao menos vive-se com estilo.

5/10/2007

Smoke Gets In Your Eyes

Com amor, Platters para o Ministro Correia de Campos. Haja saúde!

5/08/2007

Cadernos do Molusco - Fumador activo


"Fumadores de todo o mundo, uni-vos"

Fundei a associação Fumador Activo para defender os direitos dos fumadores. A associação é constituida por mim e aguardo financiamentos das tabaqueiras para poder avançar com uma campanha de sensibilização dos benefícios do tabaco, que estão bem patentes.

Cadernos do Molusco - Omitir para ganhar

A gelatina Royal perdeu as eleições porque prometeu uma revolução na segurança social com um plano faraónico de financiamento que nunca conseguiu explicar. Sarkozy ganhou porque nunca explicou o que pretende fazer ao assistencialismo francês. Moral da história, em política nunca se deve prometer em voz alta aquilo que se pretende cumprir em voz baixa.

Cadernos do Molusco - Jardim batoteiro

A melhor metáfora da batota na Madeira é o penalti que Jardim marcou na inauguração de um pavilhão gimnodesportivo durante a campanha. Obviamente que o miúdo à baliza deixou a bola entrar ... não fosse chumbar a Educação Física ou nas provas de admissão à JSD.

Cadernos do Molusco - Veia poética

Desinspirado, o poeta cortou a veia.

Cadernos do Molusco - Portugal paradise

Frase solta, sem rédea nem coleira com o nome do dono:
"O mundo divide-se entre aqueles que têm mais refeições do que apetite e aqueles que têm mais apetite do que refeições."
No primeiro grupo não estarão certamente os magníficos gestores portugueses que se aumentam a si próprios mais de 100 por cento ao ano. Se há alguma coisa em que a economia portuguesa é competitiva, é certamente nos salários dos seus gestores de topo.

4/15/2007

A Regra do Jogo

Os cientistas malucos querem acabar com a formiga atómica. Os jornalistas, agências de comunicação e lobistas querem acabar com o Sócrates.

PS: Pica, como bem notado, aqui fica a Formiga

Cadernos do Molusco - Licenciados e licenciosos

"Sempre preferi licensiosos a licenciados."

"Depois de um primeiro-ministro licencioso, como Santana Lopes, temos agora um que nem sequer é licenciado."

Cadernos do Molusco - Idiota gelataria capitalista

"Isso é o mesmo que tentar vender gelados a esquimós".
Não sei porquê, esta assenta que nem uma luva a muitos pseudo-empresários portugueses.

Poesia em flor






Entre Março e Abril



Que cheiro doce e fresco,

por entre a chuva me traz o sol,

me traz o rosto,

entre março e abril,

o rosto que foi meu,

o único

que foi afago e festa e primavera?



Oh cheiro puro e só da terra!

Não das mimosas,

que já tinham florido

no meio dos pinheiros;

não dos lilases,

pois era cedo ainda

para mostrarem o coração às rosas;

mas das tímidas, dóceis flores

de cor difícil,

entre limão e vinho

entre marfim e mel,

abertas no canteiro, junto ao tanque



Frésias,

ó pura memória

de ter cantado -

pálidas, fragantes,

entrechuva e sol

e chuva

- que mãos vos colhem,

agora que estão mortas

as mãos que foram minhas.



Eugénio de Andrade

Flores a dias


Nasce uma flor num ramo.

Nasce uma flor na terra.

Nasce um sorriso tranquilo de esperança no presente.

Nascem dias bonitos comos as flores das cerejeiras que saboreamos antes do sabor nos lábios. Flores que anunciam beijos carnudos e o sangue cálido das cerejas.

Barman, um iogurte duplo


O manel sai ao tio, não suporta ver um copo vazio.