3/20/2007

Alheiras passam à clandestinidade

As alheiras vão ser proscritas pelo higieno-totalitarismo da UE.
Brevemente as alheiras de Mirandela passarão à clandestinidade e talvez à luta armada.
Certo é que os almocreves que vendem droga no Chiado vão poder alargar a sua oferta, abrindo a gabardines-montra, dirão: «queres haxe? coca? ecstasy? e que tal umas alheiras de Mirandela, humm.»
Para os enconados de Bruxelas tenho uma sugestão - e que tal uma boa dose de chouricinho aos empurrões?

Papagaios do compromisso pessoal

- Uma mentira repetida, acaba por se tornar verdade.
A imprensa e a blogosfera portuguesa são o melhor exemplo desta máxima.
Há uma semana o Ministro das Obras Públicas afirmou o seu compromisso pessoal em fazer cumprir as regras e o calendário de obras da OTA.
No dia seguinte, Fernando Sobral, no "Jornal de Negócios", mandou-se ao ministro com a tese de que Mário Lino tinha um empenho pessoal em construir a OTA.
A tese do "compromisso pessoal" amplificou-se e propagou-se com a rapidez de um vírus, tendo nela embarcado cronistas como Francisco José Viegas, Clara Ferreira Alves e José Manuel Fernandes, entre muitos outros.
Acontece que se algum destes veneráveis plumitivos desta nossa choça se tivesse dado ao incómodo de escutar as declarações do ministro, perceberiam que este se limitou a afirmar o seu compromisso pessoal com o cumprimento das regras dos concursos e da calendarização das obras. Isto não é a mesma coisa que dizer que "A OTA é um compromisso pessoal" como o quiseram fazer crer Fernando Sobral e todos os papagaios-iracundos que cacarejaram as suas diatribes após ele.
Independentemente da posição de cada um em relação à OTA, o que não é admissível, nem desculpável é que se descontextualize, distorça e manipule as declarações de alguém, para as colocar ao serviço das nossas opiniões. Isso talvez se faça na política-chiqueiro, mas era bom que não se fizesse nos jornais.
Esta foi uma mentira útil que acabou por se cristalizar numa verdade conveniente, com a conveniência dos papagaios da corte.
Moral da história, nunca acreditar no diz-que-disse, que em Portugal é matéria-prima de jornalismo preguiçoso.

Cadernos do Molusco

"Acta diurna"

Apesar do que João Marcelino e o Arquitecto Saraiva pensam, não foram eles que inventaram os jornais.
Já no tempo do imperador Marco Aurélio se publicava a "Acta Diurna", um vespertino gratuito que era afixado em locais públicos, com notícia sobre o saneamento básico de Roma, casamentos, funerais e baptizados (tipo Caras), e claro, os jogos do coliseu, com bolsas de apostas e o equivalente aos Rui Santos da época (mas sem as aberrantes gravatas) a comentarem o momento de forma dos gladiadores e as probabilidades dos cristãos sobreviverem aos leões.
Desconhece-se se o horóscopo e o oráculo tinham periodicidade fixa, mas é improvável, já que se tivesse sido publicado o oráculo de Júlio César nas suas "instruções públicas" (antepassado da "Acta diurna"), ele dificilmente teria ido trabalhar naqueles idos de Março, alegando uma enxaqueca súbita ou uma praga de chatos egípcios.O bridge também não merecia uma página na "Acta Diurna", para grande aborrecimento do seu provedor, que semanalmente recebia três cartas de jogadores de bridge iracundos, exigindo um espaço para bridge no jornal.

Vasco Pulido Valente ainda não assinava uma coluna na "Acta Diurna", porque estava a dar os primeiros passos na profissão e era considerado pouco acutilante nos seus escritos. Calígula chegou mais tarde a dizer sobre VPV: «É bom rapaz, mas tem demasiado bom feitio para ser jornalista. Falta-lhe instinct killer».
Foi então que um desolado VPV começou a beber, o que acabou por se revelar um contributo inestimável para a higiene intelectual pública do povo Lusitano no dealbar do Séc. XXI.
O tal povo de quem os romanos prudentemente diziam:
- Não se governam, nem se deixam governar.

Cadernos do Molusco

Fátima Campos Foleira levou ao Prós e Contras, Balsemão, Morais Sarmento, Augusto Santos Silva e Almerindo Marques para discutirem os problemas da televisão em Portugal.
Como Fátima Campos Foleira faz parte do problema, absteve-se de fazer as suas intempestivas interrupções ou cagar as suas brilhantes sentenças e Almerindo pôde fazer uma exposição que faria os discursos de Fidel parecer uma prova de sprint.
O respeitinho é de facto muito bonito, sobretudo quando se tem o patrão e o ministro da tutela no programa.

Cadernos do Molusco

Hoje fui almoçar com o Freitolas e o Helix ao "Caçador". No armazém da frente entravam e uma série de pessoas que pareciam saídas de um filme porno alemão de muito baixo orçamento. Um deles tinha blazer vermelho, bigode destemido e óculos escuros de feira.
Perguntamos a S. que tipo de armazém era.
S. disse que era uma produtora de vídeo da Castelo Lopes.
Pois a nós também nos parecia.
Helix atacou a costeleta de borrego com uma fúria de Carrie e Freitolas pediu mais um whisky. Eu fiquei-me por uma apple struddle que parecia saída da forja de Vulcano.
As claras em castelo estavam mal batidas, presumo eu.

Do Moleskin aos Cadernos do Molusco

“Já tenho um blogue e um Moleskin. Só me falta o resto.”
Álcoolico anónimo



Jenny Jameson, a porno-star do momento também tem um Moleskin, só não sabemos onde o guarda


A última vez que tive uma sensação de posse de um bem cultural parecida com o meu prmeiro Moleskin foi quando a minha mãe me ofereceu uma caixa de marcadores Molin com 36 cores e rótulo Zé Carioca. Fiquei radiante com as possibilidades cromáticas de devastar o papel de parede do meu quarto e de ocupar as aulas de Ciências com exercícios dadaístas nas carteiras, fazendo os primeiros esboços de cerâmica das Caldas.

Agora que tenho um Moleskin, já me imagino um Bruce Chatwin urbano, de caderninho em punho passando multas a pratos “gourmet” e a barman mal encarados, ou tirando notas sobre um quotidiano que tem tanto de estimulante como a vida sexual dos cágados.
O Moleskin será o meu fiel escudeiro, o meu secretário pessoal a quem ditarei brilhantes notas e apontamentos sobre os momentos que me passam sob a biqueira dos sapatos.
É isso, o Moleskin é um notário do momento, um arquivista das memórias efémeras. Parece-me bem.

O único problema é que já o tenho há quatro dias e continua tão limpo e branco como a dentuça do Paulo Portas.
Já tenho um Moleskin, mas não sei o que hei-de fazer dele. Depois de uma sessão auto-hipnótica, percebi que o Moleskin apenas serviria para guardar pensamentos e dixotes iluminados por uma cerveja no inferno.
Quando estou bêbado, confundo-me com um pequeno génio da garrafa. O único problema é que quando estou bêbado, dificilmente consigo soletrar a palavra tirolês, quanto mais escrevê-la.
A caligrafia de um bêbado é uma instalação de arte moderna - indecifrável. Resulta pois que o Moleskin me é completamente inútil, a não ser para monge copista de leituras, palavras e frases soltas. Inauguro por isso os Cadernos do Molusco, como breviário do tudo e mais alguma coisa, na esperança de que a minha mãe me volte a oferecer uma caixa de canetas de feltro “Molin- Carioca” – com 36 esfuziantes cores.

Incontinência

Não aguentava nem mais um minuto. Contorcia-se, soprava, tentava pensar em coisas mórbidas como um discurso de ano novo do Presidente, um programa do Herman, uma tarde no Colombo ou um jogo do Sporting. Mas a natureza era implacável e as forças começavam a abandoná-la. Resistiu até ao limite, até não poder mais. Finalmente, aliviada, a torneira soltou um sonoro pingo.
O fogão, sempre vigilante e inquisitorial, rosnou – Sua incontinente!

3/19/2007

Traduttore traidore!

O tradutor inventou uma nova e bonita palavra, olhou à sua volta, e seguro de que não estava a ser observado, decidiu inclui-la naquela opus magnum de Ornitologia Medieval, de um monge capuchinho do séc. XV.
(in)felizmente ninguém reparou, e assim a palavra mais bonita da língua romena passou despercebida entre um esvoaçante bando de colibris. O tradutor, apesar da traição, morreu de morte natural aos 93 anos, no mesmo dia em que o Conde Guilhotine patenteou a sua nova invenção, que faria furor entre as cabeças coroadas da Velha Europa.

Paulinho das feiras e a peixeirada

O Conselho Nacional do CDS/PP acabou numa peixeirada que faria corar de vergonha as vendedoras do Bulhão.
Paulinho das Feiras está definitivamente de regresso à política para a contaminar com o seu insuportável pedantismo idólatra e populismo de pacotilha. Felizmente, a bulha ocorreu num partido cuja representatividade é pouco superior a uma associação de moradores da Lapa.

Commercial: Betty Boop - 409 Cleaner (1960's)

Mr. Maggo fazia publicidade a cervejas e Betty Boop a detergentes.
Se fosse agora já haveria manifestações, impugnações, erupções e recomendações da CE e das ligas evangélicas feministas. O melhor é mesmo beber uma cerveja e ver desenhos animados vintage.

Mr. Magoo Beer Commercials

Antes do politicamente correcto o Mr. Magoo podia beber cerveja descansadamente. E nós também.

3/17/2007

Dia sem juízo - final

O homem gamou a enguia na peixaria do supermercado. Enrolou-a na gabardina e passou incólume pelo detector de espécies protegidas.
Dias mais tarde uma enguia de gabardine foi vista de braço dado com um Livro de Pantagruel sub-nutrido a passear numa exposição de Tintoretto. Do larápio nunca mais se ouviu falar.

Entretanto a semana do arroz de enguia de Monção foi adiada sine diem. As autoridades locais escusaram-se a tecer comentários no telejornal das 9, que assim teve de se resumir a um bombardeamento na Faixa de Gaza e a um vox populi sobre a importância de Arquimedes para a indústria dos sais de banho.

Jambalaya - Hank Williams

Para baralhar as referências de trintinha óbvio.
Ou talvez não. Daqui a Nashville é um saltinho e a Betty Boop ainda é o meu primeiro amor.

Quando o telefone toca

O Público organizou uma colecção de trinta CD`s com o melhor da música portuguesa.
Cá por mim, um duplo álbum chegava e sobrava.

Monstro metrosexual com almôndegas

Ao passar por uma loja da Baixa, Frankenstein apaixonou-se por um manequim na montra de uma loja de roupa íntima e a partir daí começou a ter mais cuidado com o seu aspecto. Comprou um estojo de cosméticos para homem, e todas as noites hidratava cuidadosamente a pele.
Fez dieta, cortando nas almôndegas e nos molhos (especialmente o tabasco) e trabalhou os abdominais. Finalmente, encheu-se de coragem e foi declarar o seu amor à manequim exposta na loja, que nessa tarde vestia uma sedutora libré preta.
Desdenhosa, a manequim respondeu-lhe que preferia homens feios.
De coração destroçado, Frankenstein vingou-se numa pratada de almôndegas com molho de tabasco.

Carnaval de Torres

O Conde Drácula vestiu a sua elegante sobrecasaca, perfumou o seu hálito pestilento com um spray de amoras, colocou os seus novos óculos escuros Ray-Ban e saiu do seu castelo para ir ao Carnaval de Torres Vedras, como era seu hábito.

BA Hong Kong

As noites de sexta no Bairro Alto parecem o fim-de-ano em Honk Kong. O que não é necessariamente mau, desde que não se tenha agorafobia, ou haja algo que beber.

3/15/2007

MAI Way

António Costa e José Magalhães têm um novo blog. "A nossa opinião", ou MAI way é uma forma de poderem responder aos comentários mais jocosos da imprensa. É o Governo a exercer a liberdade de opinião e o seu direito de legítima defesa (como se não tivessem já a RTP para o fazer).
O MAI way serve para comentar os comentadores, mas não aceita comentários ...

3/14/2007

This day is long gone, dogs

"Every dog has it`s day".
Este foi o meu Tarantino Day, em 1992, ou seja, precisamente há 15 anos. Reservoir dogs, para dois cães danados no King - eu e o Bigi-Bigi - metade da audiência saíu a meio. Nós ficámos, até hoje.
This dog is getting old, como aliás se percebe pela generalidade das referências pop-culturais esplanadas neste bar. Sou aquilo que se pode chamar um trintinha óbvio, a caminho da nostalgia. Mad Dog!

Já agora, Michael Madsen torture style para animar o dia

"Stuck in the middle with you", provavelmente a música mais ouvida em Guntanamo, a seguir, claro está, ao "Guantanamera"

Contos paragráficos

Mais sobra
Quatro canibais convidaram um antropólogo para um fondue. Como este nunca mais aparecia, jantaram-se uns aos outros.

Contos paragráficos

A surpresa de Haydn
Surprise! berrou Haydn aos tímbalos da abundante duquesa, que como habitualmente ressonava na primeira fila do Royal Albert Hall.


Já não há nódoas no céu
O céu tingiu-se e nem com tira-nódoas se conseguiu apagar a mancha.

Leão fleumático
Dr. Livingstone, i presume – perguntou educadamente o enorme leão africano, antes de engomar o fleumático caqui do famoso explorador com os seus poderosos incisivos.

Observatório do palheiro

"Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha de horizonte.O que eu vejo é o beco."
Manuel Bandeira, “Poema do beco”


O palheiro da quinta é um ecossistema. Dormitório das cabras, quartel de retaguarda da legião de gatos de vadiagem, “resort” de escaravelhos da batata que se saracoteiam com a graça de “pin-ups” patinantes em Palm Beach.
O palheiro da quinta é um mundo sombrio e bafiento, atulhado de bicicletas pernetas, sombrinhas rotas, cavacos de lenha sisudos, estrume, rações e víveres de sustento dos poucos vivos que ainda vão emprestando ruralidade a uma quinta envelhecida, tanto como quem a amanha.
Mas o que faz de um palheiro, um palheiro, é a palha.
A palha onde se aninham as carraças, pulgas, ratos, e por vezes alguma cobra hibernante.
Antes dos colchões ortopédicos, a palha era cama e multibanco. Quem nunca dormiu no pináculo um monte de palha, com a lua como cobertor, não sabe a que sabe a palha, nem a vida.
A palha que enchia os colchões antigamente - os tais listados que deram o nome à claque do Atlético Madrid (os colchoneros) -, é hoje uma espécie em vias de extinção, tanto como os lagartos que se estendiam ao sol no alto dos muros, ou as borboletas que cirandavam nas camélias.
Extintos pelos pesticidas, pela morte lenta da agricultura de subsistência, pela cultura do consumo Lidl, com iogurtes estrambólicos e sumos sulfurados de conservantes.
O aconchego incómodo da palha é hoje uma recordação antiga, como as fotografias de família guardadas na escrivaninha, e que só de lá saem quando algum ente querido se fina, para uma consulta nostálgica aos dias felizes.

É talvez por isso, que o nosso primeiro-ministro diz que não há rabos de palha no PS, a propósito das propostas de combate à corrupção legadas por João Cravinho.
Com aquele seu semblante carregado de homem empossado por um destino messiânico que não se compadece com minudicências, José Sócrates decretou a ausência de rabos de palha num partido, que há semelhança do país, é um autêntico palheiro.
Portugal é um palheiro de corrupção activa, passiva, cúmplice, “voyeurista”. É um palheiro onde os escaravelhos da política se passeiam ufanos pelos cargos, benesses e negociatas que a camorra partidária lhe estende; é um palheiro onde carraças-chupistas sugam à descarada; onde as cobras esguias dos negócios e das empresas se furtam à justiça ao fisco e já agora às OPA`s; é um imenso palheiro onde os gatos se desunham por um favor, uma cunha, um palavrinha, um “toque” à pessoa certa, e certamente com poder.
Portugal é um palheiro onde as sombrinhas rotas não conseguem tapar o sol, e por isso desviamos os olhos, metemos as mãos nos bolsos e assobiamos para o ar.
De acordo com um estudo conduzido por investigadores do Observatório para a Corrupção do ISCTE os portugueses acreditam que há um problema generalizado de corrupção, mas a maioria é complacente, destrinçando a corrupção que envolve dinheiro, da outra que “apenas” envolve tráfico de influências, favores, cunhas, compadrio, nepotismo ou a forma mais generalizada de corrupção nacional – o jeitinho.
Os portugueses não são complacentes com a corrupção; são cúmplices. Estão dispostos a atirar umas pedrinhas para outros telhados, mesmo sabendo que as suas clarabóias são frágeis.
Indignam-se com a corrupção na administração pública, nas autarquias, no futebol, no emprego; mas essa iracunda indignação cala-se que nem um ratinho no momento de obter uma cunha para a filha recém-licenciada entrar para os quadros da câmara municipal, ou quando reelegem o seu edil, acusado de irregularidades, mas que tantas novas rotundas e relvados sintéticos deu à sua terra.
A indignação com a corrupção em Portugal só serve para enxofrar o vizinho e acaba na soleira da nossa porta, como Testemunha de Jeová barrada pelo cão de guarda.
Por isso, e como bem explicou António Barreto no “Público”: «Não se pode confiar na opinião pública ou na sociedade civil. (…) além de impotentes, vivem bem com a corrupção. Condenam a dos outros, mas acarinham a sua.»
Consciente dessa lassidão e complacência, o Governo prefere varrê-la para debaixo do tapete e entregar-se a outras batalhas mais urgentes e tonitruantes, como o encerramento de maternidades e de urgências de hospitais pacóvios; o choque tecnológico para ligar a malta toda à Internet a ver vídeos dos Gato Fedorento no Youtube; ou o plano Simplex (bom nome para uma marca de papel higiénico) para poupar post-its e agrafos ao dispensário real.
Montado num TGV-alado e nessas medidas de fundilho das calças, Portugal vai finalmente alçar-se à sela da modernidade, e com um maquinista do calibre do nosso, chegamos à Finlândia num tirinho. Não tardará muito para estarmos todos ligados à Internet de banda larga, a comer ostras e a beber Moet&Chandon com o nosso crédulo e complacente rabo sentado na palha.

O choque ético que devia ser a primeira batalha de um político moderno e determinado, como é o nosso maquinista de serviço, esse fica para as calendas.
A corrupção é o sustento da nossa economia paralela, a nossa mais poderosa vaselina social, o nosso Simplex de sempre para tratar da papelada, e é, por muito que custe ao nosso maquinista, o estrume onde prospera o sistema político português.
Para acabar com o palheiro da corrupção portuguesa não basta palheta politiqueira; não basta criar um observatório para a corrupção (que aliás já existe), porque como o próprio nome indica, um observatório serve para observar, e isso é o que fazemos há séculos.
Para acabar com o palheiro, basta coragem e um fósforo. Precisa de lume, caro engenheiro José Sócrates?


PS: Publicado no JF um deste dias, e reproduzido porque não sou assinante, e esta é uma forma tão boa como outra qualquer de organizar o meu arquivo

Quadros da vida militar

Ataque da cavalaria ligeira
Descontente com a velocidade de ponta das suas divisões de cavalaria ligeira, o coronel hussardo decidiu cortar na ração dos cavalos e no cognac dos oficiais.
- A cavalaria ligeira está lenta porque os cavalos estão gordos e os soldados bêbados – explicou ao seu lugar-tenente, antes de devorar uma barra de chocolate suíço.

História militar

Xeque-morte a título póstumo
O general Parsching sonhava em ser um grande mestre de xadrez e costumava dizer que gostava de conquistar a imortalidade com o seu nome gravado numa jogada de xadrez
Infelizmente, era um péssimo jogador de xadrez e conquistou a imortalidade com o seu nome gravado num míssil terra-ar.
Ele conquistou a imortalidade graças à mortalidade de muitos outros, como aliás costuma acontecer com os generais.

Woody sabe-a toda



Woody Allen wisdom


Desculpa do mês para faltar ao trabalho: "Não quero alcançar a imortalidade através do meu trabalho ... quero alcançá-la não morrendo".


Boa desculpa para me baldar às promoções do círculo de leitores:"Não posso ouvir demasiado Wagner que começo logo a pensar em invadir a Polónia".

Agnóstico mas disponivel: "Se ao menos Deus me desse um sinal claro, como fazer um chorudo depósito em meu nome num banco suiço"

Casado ma non troppo ou single but busy:"Tenho tendência para colocar a minha mulher debaixo do pedestal".

O segredo do meu insucesso: "Oitenta por cento do sucesso, é aparecer"

Xisto TV

Amanhã não percam o programa Praça não sei do quê na RTP, é às 15.30h, o Brunowski vai lá estar a explicar ao Júlio Isidro o que são as aldeias de xisto.
Para quem não sabe quem é o Júlio Isidro é fácil, é aquele senhor sorridente da grande penca que vai fazer perguntas ao Brunowski.

Tom Waits - God's away on business

God is a business traveller, is never there when is needed.
Leave a message after the beep!
I`m getting agnostic, and that is nothing you can drink.

3/13/2007

O elevador da bica não é só para beber copos

Depois do Elevador da Glória já chegou à blogosfera o Elevador da Bica. Não é só para beber copos na rua mais hip do BA.
What goes up, must come down.
Política fresquinha da ribeira, boas farpas à moda de Grândola e viagens do mundo até à nossa rua, pelas mãos experientes dos guarda-freios Vítor Matos e João Cândido Silva. Eu cá já tirei o passe social.

PS: O Através dos Espelhos continua a contar com o Vitor Matos, e claro está com o Tiago Araújo, que tem o tinteiro mais rico e subtil da confusa blogosfera caseira, pelo menos a que eu conheço. Um abraço para essa velhas e queridas carcaças.

the datsuns - motherf*cker from hell

Datsun 1200 castanho de 1972, bom estado mecânico, precisa de pintura. Urgente, motivo de saúde: contactar Ministério das Finanças

Contos paragráficos

Apesar dos insistentes avisos da Torre de Controlo de Tráfego aéreo, duas moscas chocaram no ar.

Não houve sobreviventes.

Avaliação nutricional, só se for na Função Pública

«Os Hábitos Alimentares mudaram!!!A Roda Alimentar agora é Pirâmide alimentar!!!Será que esta a acompanhar a mudança também?Preocupa-se em manter uma vida e alimentação Saudável?Temos o prazer de lhe oferecer uma avaliação nutricional completamente gratuita.Promoção válida para as primeiras 100 respostas.»
Assinado: Susana M.


Cara Susana M. um grande bem-haja por esta proposta de avaliação nutricional que amavelmente me fez chegar ao meu e-mail. Lamentavelmente, já estou comprometido.
Além disso sou um homem de hábitos e continuo a preferir a roda alimentar às pirâmides invertidas ou outras novas configurações do prazer.
Atentamente seu
V7


História da vida militar


Custer o que custar
Temos de chegar a Houston a tempo do final do Superbawl, custe o que custar-, gritou para os seus homens o General Custer antes de um tomahawak lançado por um “quarterback” Sioux se cravar nos seus farfalhudos bigodes.

O verdadeiro lugar do tenente
Na sua voz de barítono o coronel informou:
- Aqui é o seu lugar, tenente.
- E o tenente sentou-se num banquinho de madeira voltado para a parede, com umas orelhas de burro pontiagudas.
Patê militar
A sala do quartel-general estava recheada de altas patentes que faziam repetidas continências uns aos outros. O revolucionário entrou na sala disfarçado de mestre “sauciére” e gritou - o foie gras está servido – antes de despoletar a granada de mão e fazer daquela reunião de altas patentes militares, um verdadeiro patê militar, amplamente condecorado nos grandes festivais gastronómicos internacionais.

Quadros da vida militar

Pré-reforma bombástica
Duas bombas nucleares conversavam uma com a outra no intervalo para a hora de almoço.
- Estou farta de não fazer nada, passámos a vida à espera. É inútil e angustiante.

- Não te queixes querida, desde que nos paguem e dê para uns copos de urânio enriquecido, já não vai nada mal. Mais um tempinho, somos desactivadas e podemos ir para a Florida, ouvi dizer que têm óptimos atóis para nadar e comer caranguejos.

Benefícios do fumo - Exposição colectiva, powered by Philip Morris e British American Tobbaco

Vodka7 coloca a mão na sua consciência social, cívica e humanitária e leva à cena a primeira exposição colectiva "Os benefícios do fumo".


Celebridades, divas e anónimos fumam um cigarrito descaradamente, indiferentes às falanges higieno-fascistas que se acotovelam à porta do bar Vodka7, onde a entrada a fumadores passivos é, naturalmente, barrada.

Mademoiselle Marceau, aqui pode fumar à vontade

Eu poluidor me confesso

Agora está na moda medir o impacto ambiental das celebridades. A eco-vigilância começou a fazer escola quando se descobriu que as viagens de avião e a mansão de Al Gore tinham um impacto ambiental maior do que a vila de Cuba no Alentejo. O casal Beckham, a sua mansão e os seus quinze carros e 237 mil pares de jeans têm um impacto ambiental idêntico ao de uma cidade média chinesa.
Espero que com a imaginação prodigiosa que o caracteriza o nosso Ministro das Finanças não passe a obrigar-nos a uma declaração anual de poluentes, e crie uma taxa sobre o uso de aerosóis, é que os rollersticks irritam-me a pele e eu até prefiro um planeta mais quentinho, faz-me melhor ao reumático.

Major no prime time

O Major Valentim Loureiro quer ser julgado na Televisão. Parece-me bem, desde que seja no "Preço Certo" do gorducho Mendes. O major podia levar aquele seu roupão sexy com que dá entrevistas quando sai da choldra, e para ser ilibado teria de adivinhar o preço da gama de batedeiras Moulinex. O que aliás lhe podia dar jeito nas próximas eleições nessa terra de gente boa e incorruptível que dá pelo nome de Gondomar.

Quero ser uma backsinger preta!

Já não quero ser astronauta, futebolista, escritor, cineasta ou rico. Só queria mesmo era ser uma backsinger preta de Leonard Cohen.

Não resisti

3/09/2007

Quadros da vida militar

Boring Boer

- Coronel Langley, parece que a guerra está perdida – informou resignado o capitão Harding, estendendo os binóculos ao seu superior. – Os boers já tomaram a casa de chá.
- Langley, altivo e visivelmente irritado, levantou-se, retirou o monóculo e espreitou pelo binóculo.
– "Boering", logo hoje que tinha combinado uma partida de bacará com Mr. e Mrs. Dealler.

«Mesmo na derrota o fleumático humor britânico é um must», pensou com os seus reluzentes botões o Capitão Harding.

História Militar

Sniper zarolho
Uma bala uma morte, era o seu lema.
Zlakto Zarolhov era considerado o melhor sniper croata. Era zarolho e sócio do Dínamo Zagreb, mas já se sabe, em terra de snipers, quem tem olho é rei. Morreu com um disparo à queima-roupa nuns desacatos após o derby Dinamo Zagreb-Rijeka.
O seu assassino, Dragan Estrabic usava lentes progressivas e por isso foi considerado inimputável pelo Tribunal dos Crimes de Guerra em Haia.

Sniper míope
Uma bala uma morte, era o lema de Dário Balaziovic, o melhor sniper do exército sérvio, que antes da guerra era optometrista num Multiópticas em Belgrado e usava óculos para ver ao perto.

Sniper estrábico
Como era estrábico, aquele sniper pediu para lhe desenharem uma mira especial, a fim de evitar estar a morte desnecessária dos guarda-costas dos seus alvos, de companheiros de batalhão, de anti-tabagistas furiosos, de animais domésticos, de manifestantes alter-globalistas, de relojoeiros distraídos, de pãezinhos com doce de gila e de artistas dadaístas que mijavam contra os troncos das nespereiras de Sarajevo .

História militar

Obra mortal
Sun Tzu aparou cuidadosamente o seu bico de pato, molhando-o no tinteiro da China. Bebeu um gole de chá de jasmim, e depois caiu para o lado fulminado por um veneno mortal, sem ter tempo de concluir a errata que ia acrescentar à sua imortal obra sobre a guerra.
Por causa disso, milhares de soldados perderam a vida ao longo dos séculos, já que por erro de impressão, nas passagens onde se devia ler retirar estava escrito atacar.
Foi também assim que nasceu a expressão – borrar a pintura toda – aplicada à milenar indústria da impressão.


Guerra descongelada – o lado americano
- Esta guerra está ficar fria», queixou-se o secretário da Defesa.
- Aquece-a no micro-ondas – replicou com maus modos Roosevelt.

Guerra descongelada – o lado soviético
Djanov entrou com o semblante carregado na sauna onde Estaline mordiscava os seios de uma revolucionária.
- Meu general, segundo um relatório que recebi agora dos nossos agentes do KGB em Washington, os americanos levaram a guerra ao micro-ondas para a descongelar.
- Labregos, não sabem que no forno a lenha tem outro sabor – respondeu despreocupadamente José, antes de continuar a mordiscar o mamilo da revolucionária.

Shotgun Barman
- Então o que vai ser?
- Ora, duas mil kalashnikov, 500 revólveres Magnum, 200 Uzis, 40 winchesters de precisão, duas dúzias de minas pessoais, uma dúzia de bazukas e para aí 10 mísseis de alcance intermédio.
- Eu referia-me ao que vai beber -, sorriu o barman daquele hotel habituado a servir comerciantes de armas e ditadores africanos.

3/06/2007

Que será, será

O remake americano da sua obra original, “The man who knew too much” (O Homem que sabia demais) de Alfred Hitchcock não será certamente uma das obras maiores do malicioso mestre do suspense, mas é um filme que sabe sempre bem revisitar.
Num tempo em que a melhor televisão é a da memória, tropecei com este filme no RTP Memória. Além de algumas cenas deliciosas, como a batalha de Jimmy Stewart com um espadarte na loja do taxidermista, este filme tem a singularidade da música ocupar um papel central no enredo, como se fosse personagem de carne e osso.
Primeiro na cena do atentado no Royal Albert Hall, quando o assassino (impressionante rosto esquálido de fuinha) espera pelos tímpanos da orquestra para poder disparar no momento apoteótico da sinfonia. Uma cena filmada com a intensidade e sábia gestão do tempo narrativo, de uma forma que só o matreiro mestre sabia fazer.
Depois quando Doris Day se senta ao piano na embaixada, cantando “Que será, será”, numa tentativa desesperada de tentar alertar o filho que é refém dos terroristas.
A voz cristalina e alegre de Doris Day ganha aqui uma entoação dramática, um lamento desesperado, que faz deste um dos mais belos momentos musicais da história do cinema, porque a música aqui não é uma atmosfera – é a protagonista.
Vejam e escutem que vale a pena.

SuSpirou de alegria!

Há quase 18 anos vendi ao desbarato a minha colecção do “Spirou” na Feira da Ladra, provavelmente para financiar alguma noite “punk” de vinho tinto, ganzas e whisky colas no Juke Box, ou para pagar o bilhete para um concerto de PIL no dramático de Cascais.
Era a minha fase “punk” comungada com o meu amigo Luís Valente, que trabalhava nas matinés de uma casa de alterne em Paiões, e por isso tinha dinheiro para ser um punk com alguma qualidade de vida.
Eu cá tive de hipotecar os meus parcos bens infantis (entre outras rapinagens, se a minha mãe soubesse o destino que dei às colheres de chá das partilhas da Ti Palmira…), para ser um “teen punk” como deve ser; afinal o sabão azul para espetar o cabelo não era propriamente barato e os discos dos “Sex Pistols” na Feira da Ladra também não.
Assim, durante uns meses lá assentei arraiais nas madrugadas da Feira da Ladra e vendi tudo o que podia vender.
Do desbarato desse meu património infantil apenas recordo com saudade e amargura a minha preciosa colecção de livros do “Spirou”.
E se há coisa que sempre me arrependi na vida foi ter alienado o Spirou porque achava que precisava mais da guita do que das aventuras do “paquete” ruivo.
Vivi com este arrependimento até este sábado, quando li que o “Público” se prepara para lançar mais uma colecção de BD. Depois de Tintin, Corto Maltese e Lucky Lucke, chegam agora vinte álbuns de “Spirou”, muitos deles inéditos em português.
Nem consigo explicar como estou feliz, emocionado e ansioso para reencontrar os meus velhos amigos, que traí há quase vinte anos por um punhado de dólares.
O intrépido Spirou e o seu inseparável e neurótico amigo Fantásio; o silencioso e corajoso esquilo Spip; o exótico e temperamental Marsupilami, animal que tem uma cauda capaz de desferir murros mais devsatadores que Cassius Clay; o Conde de Almourol (que na nova colecção se chama Conde de Champignac); e claro, os “bad guys”, como o primo Zantáfio, um escroque da pior espécie, ou o temível Zorglub, um destrambelhado génio do mal.
O primeiro álbum “A máscara misteriosa” sai já esta quarta-feira e é precisamente um dos meus preferidos, e talvez o mais hitchcockiano de todos - a história de como procurar o passaporte em casa pode iniciar uma série de imprevisíveis eventos…Obrigado ao jornal “Público” por me dar oportunidade de resgatar o meu amigo “Spirou” e de passar a levantar-me mais cedo às quartas-feiras para ir a correr à banca. O reencontro com a memória feliz da nossa infância é sempre uma boa forma de nos mantermos vivos e felizes.

Grandes portugueses: A enguia e o pénis


De vez em quando aparecem como relâmpagos de esperança neste país sombrio, que não é um país, é como dizia o Eça: “um sítio mal frequentado”.
São os pequenos grandes portugueses.
A semana passada, algures nesse país profundo, um idoso rapinou uma lampreia num supermercado. Esta semana um urologista lançou um ensaio clínico de 300 páginas sobre o pénis.
Um e outro representam o génio português no seu esplendor, laborioso, inventivo e sempre capaz de surpreender.
O surrealismo rapinante de velho Houdini ao meter uma lampreia nas calças, só encontra paralelo nessa opus magnum do ensaio clínico que se dedica a tirar a lampreia das calças e medi-la aos palmos.
A história do pénis português recebe agora valioso contributo, como aliás todos damos, quando mandamos um soslaio “en passant” nas casas de banho públicas, com o único interesse académico de fazer “direito comparado”. O ladrão de enguias e o doutor da pila são para mim os dois grandes portugueses dos idos de Fevereiro de 2007, ano da graça.

My Lord!

Os tribunais ingleses amordaçaram e travaram uma reportagem da BBC sobre a atribuição de títulos de “lordes” em Inglaterra, que alegadamente era um meio de financiamento utilizado nas últimas décadas pelo Partido Conservador e pelo Partido Trabalhista.
Até nisso, o espírito liberal inglês nos leva à palmatória.
É que em Portugal não é preciso fazer nada, nem pagar nada para receber uma condecoração, basta estar vivo e aparecer nos jornais. Bendito Estado Social, até no proselitismo da cagança patrioteira!

O Messias por Herman

Herman José disse numa entrevista que os Gato Fedorento atravessavam a sua fase “Beatles” e ele a fase “Rolling Stones”.
Se com isso ele quer dizer, a sua fase decadente, até aceito, mas ainda assim acho que peca por excesso de optimismo. Para mim, Herman atravessa a sua fase “Mahler”, que como se sabe já morreu há mais de 200 anos. Aleluia!

PS: O novo programa de Herman não sobreviveria ao mais elementar exercício de humilde auto-crítica, ou ao mais prudente bom senso do programador. Aquele que já foi o melhor humorista português, quando olha no espelho apenas vê o reflexo insuflado da sua vaidade.
O programador, Penim coitado, espera apenas que a crueza das audiências o autorize à piedosa decisão de colocar um ponto final no estertor de Herman.
É urgente essa eutanásia televisiva perante o mais abjecto e merdoso programa de humor que já passou na televisão portuguesa que faz parecer os “Malucos do Riso” uma obra-prima dos irmãos Marx.

RIP OPA

A OPA morreu blindada.
Como habitualmente, Vasco Pulido Valente pensou o mesmo que eu. Com a enorme vantagem de o ter pensado antes e melhor.
Tal como o Barman de Bartoon, custa-me ver a OPA morrer assim de forma súbita, ingloriamente blindada, agora que já estava a habituar-me a ela.
Umas últimas palavras para a sua lápide: “Aqui jaz a OPA à PT, vítima da neutralidade do Governo, num país que de liberal, apenas tem os inflamados artigos nos jornais de economia, os fatos às riscas e as gravatas espampanantes. Que descanse em paz”.

Gelatina Ségolène Royal

Não consigo deixar de pensar que a candidata a inquilina do Eliseu do PS francês tem nome de gelatina. Finalmente percebi porquê, a gelatina Royal tem uma receita para restituir o orgulho francês (isso não é difícil) e para restaurar o Estado Social.
A receita não é má, só tem um problema: Custa 23 mil milhões de euros, que nem Ségolene nem ninguém sabe onde vai arranjar.
Assim sendo, a nova estrela da esquerda global e do feminismo intelectual e ressabiado não passa de uma mera marca de gelatina. Ou como dizia não sei quem: pura gelatina política!

3/01/2007

Diva feia com voz de bagaço

Enfeitiçado, hipnotizado, boquiaberto, embasbacado.
Foi assim que fiquei, quando num zapping escondido descobri este clip na Sic Mulher.

A menina com o sinal postiço, lábios devastadoramente carnudos, dentes irregulares e tentadores é já a minha nova diva lá de casa.
Chama-se Amy Whinehouse, já gravou dois álbuns e foi este ano aclamada como a melhor voz feminina nos Brit awards.

A pose sexy-cool-fatal faz dela a mulher feia mais bonita do mundo.
Canta com voz de cama, fala com voz de taxista amigo de bagaços e sorri com aquela malícia "bossie" e durona que faria de qualquer homem razoável um escravo.
Miss Amy Casadevinho, assim que precisar de um escravo, nem que seja para polir os piercings ou lustrar as tatuagens, já sabe "i`m your fan, i`m your man".
A minha nova diva é feia tem voz de bagaço, mas a sua música dá uma daquelas tesões megalíticas.

O cinema não pode esperar mais por ela, nem eu. Acho que vinte anos depois vou voltar a colar um poster no meu guarda-fatos

King Missile - Martin Scorsese

Para Marty, com amor. Justiça poética, tardia e como de costume, anacrónica.