9/19/2005

Fátima Campos Foleira entrevista o burro

O burro está de quarentena. Problemas gástricos impedem-no de tomar parte na efervescente campanha eleitora. Acamado, o burro lê Manual dos Inquisidores e a colecção completa do urso Paddington. Para o burro, o tabu continua em pé. Vodka7 chegou à fala com a ilustre personagem em cura prolongada nas Termas de Monfortinho.
Um trabalho da jornalista Fátima Campos Foleira, em rigoroso exclusivo nacional





Fátima Campos Foleira- O seu desaparecimento faz parte de uma estratégia política, para criar um facto mediático?
Burro Lúcio - Até podia, mas não. Desapareci por causa do mau cheiro.

FCF - Certamente originado pelos seus problemas gástricos?
BL - Não, nada disso pá. Isso agora está controlado a clijsters

FCF- O rumor que tem um caso com a tenista belga confirma-se?
BL- Não, não se confirma nem se desmente. Posso-lhe dizer que nunca estive em Flushing Meadows e que no ténis só conheço o Bjon Borgas, muito meu amigo, esse ganda maluco.

FCF- Bem vamos por partes.
BL- Parece-me boa ideia. Quem é o primeiro a servir?

FCF- A servir o quê?
BL - Ora então um bacalhauzinho à Zé do Pipo, que os grelhados das termas já me andam a dar a volta aos intestinos.

FCF - Confirma-se então que está a fazer uma cura de desintoxicação?
BL- Ora essa, claro que não, só aqui estou por causa do mau cheiro

FCF- Mas qual, o da celulose de Vila Velha de Rodão?
BL- Não, o cheiro nauseabundo da política nacional

FCF - Ah, esse, nunca tinha reparado...
BL- Pois eu já, o hálito dos políticos anda que até tresanda, e eu preciso de preparar o estômago para as batalhas eleitorais que se avizinham

FCF - Isso quer dizer que mantém de pé a sua candidatura à CM de Lisboa?
BL - Isso é assunto tabu, por agora estou preocupado com a próxima partida de burro em pé com o Vitorino das Termas

FCF - Mas as eleições são daqui a duas semanas!
BL- Ah são!? Mas a jogatana com o Vitorino é já amanhã.

FCF - Quando espera então anunciar a sua candidatura
BL- Nunca antes das autárquicas para não baralhar, talvez no dia 8 de Outubro diga alguma coisa

FCF - Mas esse é o dia das eleições, não acha que é tarde demais?
BL- Nunca é tarde para tratar do mau hálito. Além disso conto com o efeito surpresa

FCF - Mas nem sequer tem programa eleitoral
BL- Parece que não sou o único, além disso raramente minto.

FCF- Está a chamar mentirosos aos seus adversários?
BL - Não, talvez um bocadinho aldrabões, especialmente um.


FCF - Qual?
BL- Agora não me vem à cabeça o nome. É aquele que tem o nariz parecido com o do Júlio Isidro, um penteado estilo permanente, uns olhinhos de coruja. Aquele que tem aquele tique nervoso parecido com o Tony Soprano, torce o pescoço todo quando está a mentir ou à espera da sua vez de zurrar.

FCF- Mas os burros é que zurram
BL- Isso não está cientificamente provado, acho que esse tal tipo das gritarias zurra perfeitamente. Tinha um primo na Idanha-a-Velha que zurrava tal e qual esse sócio.

FCF- Mas esse é mais mentiroso que os outros?
BL- É mais descarado. No outro dia vi o debate com aquele outro tipo com ar de maluco das motas, e o gajo não lhe apertou a mão.

FCF- Mas isso faz dele um aldrabão?
BL- Faz, claro, se a seguir uma colega sua lhe pergunta em directo porque é que não apertou a mão ao outro candidato, e o tipo tem a distinta lata de dizer - Não o vi, mas o que interessa são as ideias. Depois mudou a k7 e já dizia que quem não se sente não é filho de boa gente. Todos sabemos que os políticos mentem com todos os dentes, mas desta vez foi uma mentira cabeluda e em directo. Só tenho pena que ninguém tenha falado nisso.

FCF- E quanto á sua candidatura, é para valer?
BL- Claro que é para valer

FCF- Então porque não aceitou os convites para os debates da Sic-Notícias?
BL- Porque já me tinha comprometido a ir ao seu, ao Prós e Contras

FCF- E sempre vai
BL- Só se isto me passar

FCF- O quê?
BL- Os gases

(um som borbulhante emana das entranhas do burro deixando a sopeira mais famosa do jornalismo português com uma côr próxima das couves)

FCF - bfffffffffff, que pivete!
BL- A menina já devia estar habituada

FCF- A quê?
BL- Ao hálito dos políticos portugueses.

8/17/2005

O tabu do burro

Apesar dos insistentes contactos das estagiárias de mini-saia que compõem a redacção do Vodka7 durante o Verão, foi até ao momento impossível confirmar a notícia de que o Burro Lúcio se prepara para assumir uma dupla candidatura - em primeiro à CM de Lisboa e depois à Presidência da República. A hipótese foi avançada por um frango de aviário de Leiria, que na reunião concelhia da Capoeira, definiu a estratégia da Frente Galinácea Nacional, para as próximas batalhas eleitorais. O burro Lúcio, líder do movimento asinino ibérico, seria a escolha natural para encabeçar uma vaga de fundo das ONG`s do reino animal. Para já, o circulo mais próximo do burro Lúcio mantém um prudente silêncio, alimentando um tabu que permita gerar um vagalhão social. essa parece ser a estratégia definida por Bácoro da Silva, o porco-estratega, uma espécie de Kissinger do Burro Lúcio, adepto da realpolitik e de uma boa salada de nabos com melancia. Para o zóólogo-político Pacheco Zebreira, esta estratégia de tomada de poder vem nos livros, especialmente numa versão ilustrada de Animal`s Farm de George Orwell, que se sabe ser a cartilha de Bácoro da Silva, o grande ideólogo da coisa. Sabe-se que o Burro Lúcio se encontra neste momento na Dalmácia, gozando um curto e merecido período de férias, depois de ter estado em África, num encontro de Camelos e Dromedários não alinhados em Tunes.
De acordo com o nosso correspondente diplomático nos balcãs, Vlad Moskowskaia, o burro Lúcio vai aproveitar as férias para cobrir umas belas burras da Dalmácia, conhecidas pelos seus roliços flancos, e simultaneamente manter contactos com Zlad Burrokov, o histórico líder da truculenta Liga Nacional dos Burros da Dalmácia, conhecidos pelo seu papel fracturante no conflito servo-croata. A ideia, ao que tudo indica, é criar uma Internacional Asinina, à semelhança do que acontece com a Socialista, para refundar o pensamento ideológico do Ociedente, e tomar o poder nos países eslavos. Para a semana o Burro Lúcio, regressa a Lisboa, devendo finalmente desfazer o tabu, antes que os outros o façam primeiro. A próxima crónica de Burro Lúcio é também para a semana, a não perder em Vodka7.

7/23/2005

Asnotícia de última hora

O piquete de Verão do Vodka7 apurou junto de fontes bem informadas que Lúcio Burro, nosso insigne colunista, está a preparar uma candidatura de última hora à Câmara Municipal de Lisboa. De acordo com Bácoro da Silva, seu compagnon de route e provável mandatário da candidatura "Chega de fardos de palha!", o Burro Lúcio já aprendeu a contar os caracteres num documento de word, e prepara-se para lançar um porradão de bytes de ideias para Lisboa, "Neste momento estamos com dúvidas se os espaços também se contam na soma total de caracteres, por isso encomendamos um parecer à associação dos cantoneiros-livres de Campo de Ourique, para saber com o que podemos contar numa batalha política que se afigura dura de roer.", explicou Bácoro da Silva à nossa reportagem. Confrontado com a hipótese de lançar a sua candidatura com mais caracteres que outros candidatos o Burro Lúcio confessou "De momento não me ocorre ideia nenhuma. Mas estou certo que isso passa. O que eu sei dizer é gaba-te cesto que amanhã é vindima. Só isso", foram estas as enigmáticas palavras de Lúcio, que serão escalpelizadas no próximo Expresso da Meia Noite, em que Ricardo Costa e Nicolau Santos terão como convidados uma cabeleirieira ucraniana especialista em cestosm, um vitivinicultor especialista em vindimas, uma mulher a dias especialista em zoologia asinina e também uma quiromante magrebina que participa nas conversas da Arrábida.

Coice de Mula - Por Lúcio Burro

Linda amiga, esta melancia que te dou!



Já desconfiava, agora tenho a certeza. Tenho mais um dom, o da premonição. Tive a confirmação hoje. Primeiro, adivinhei que o euromilhões não ia saír a ninguém. Já dizia o padre Martinho, campeão olímpico do dominó e medalha de prata da bisca lambida nos jogos panamericanos, que só não sai a quem não joga. As beatas fazem fé, e estouram a reformazinha nas melancias do jackpoto do Estoril. Mas dizia eu, que adivinho coisas, como o Nostradamus, aquele da catedral do corcunda, acho eu.
Bem isso agora não vem ao caso, que a pintura nuca foi o meu forte.



A não ser a surrealista daquele senhor que está em Madrid nas revistas da Hola, e que não é o Vasco Lourinho, é aquele outro que é Pinto, e é Coelho ao mesmo tempo. Que coisa, era o mesmo que eu me chamar Burro Pintassilgo.
Madrid é um calor dos diabos, é por isso que eu gosto de ir pastar para o Prado a ver as meninas de Velásquez de mini-saia e tótós.
Por falar em tótós, a segunda coisa é que adivinhei que o Campos Pumba! Se bem se alembram na minha teoria de finanças públicas - Tomo I - "O enriquecimento misterioso dos vendedores de bolas de Berlim" já me candidatava à Fazenda.
Foi só botar a boca no trombone de varas, e o Campos Pumba, ao menos agora já pode gozar a reforma descansado.

O governo também está todo contente porque já pode ficar a brincar aos combóios e aos aviões sem medo de levar reguadas.
Pronto, queria isto dizer que estamos na mesma como a lesma. Bem, esta não foi uma boa imagem, porque a lesma é premonitória de chuva (as lesmas também têm um dom). E como não há maneira de chover, estamos é mais como a melancia - verdes por fora e vermelhas por dentro.



Sempre gostei de melancias, sobretudo de me babar com aquela aguaça doce do coração e ficar todo melaço. Isso só é mau porque atrai as moscas, e as moscas já se sabe, são panascas com temperaturas acima dos 30 graus Celsius - por sinal o Celsius é meu amigo lá de Roma, era o responsável por ferver o chá para as amantes do Nero.

Por falar em Nero, metade do país está à arder, e a outra metade está na praia, é como um país melancia cortado em duas metades. O Ulrich, não é o da Volta à França, é o do banco que é da Fernanda Serrano, disse que devíamos dar 10 por cento do nosso ordenado ao Governo para salvar Portugal, e acusou o país de estar todo na praia a bronzear-se enquanto a economia continua a arder.

Mas é mentira, o que está a arder é a floresta. A metade que está na praia já nem está de tanga. Agora é o fio dental. Pelo menos poupamos em tecido, mas assim não damos trabalho aos têxteis portugueses, afinal quem é quer usar colchas com este calor, e as colchas de Xangai são bem mais frescas que as dos Escalos de Cima.

Ah, já me esquecia de vos explicar porque é que as moscas são paneleiras acima dos 30º Uma experiência realizada em um instituto de pesquisa da Califórnia, nos Estados Unidos, fez uma mudança genética nas moscas drosófilas para verificar o seu comportamento quando estas ficassem mais sensíveis ao calor. O chefe da pesquisa, Toshiro Kitamoto, do Instituto de Pesquisa Beckman verificou que com a mudança genética, os machos da linhagem começaram a cortejar outros machos da espécie quando a temperatura atingia os 30 graus Celsius, e sob temperaturas menores, voltavam a ter um comportamento heterossexual.

Kitamoto disse que não é possível, a partir desta experiência, fazer uma suposição sobre o comportamento das moscas, por que a comunidade científica não tem um conhecimento aprofundado sobre o assunto. Cá por mim, este Kitamoto dava um bom Ministro das Finanças, ao menos assume que não tem certezas. É pena já estar ocupado a ser marca de shampô.

Mas não pensem que tenho alguma coisa contra as moscas drosófilas. Eu cá sou pelo orgulho drosófilo, até já assinei uma petição pelos direitos drosófilos, para o mosquedo se poder casar, adoptar mosquinhas drosófilas e poderem herdar uns dos outros. Cada mosca no seu galho já dizia o Kant.

O que eu sou contra é o calor. Sou contra o calor. Acho que o Governo devia acabar com o calor, mas conhecendo-lhes as manias, são é gajos para cobrar mais IVA nas ventoínhas. Se calhar não era má ideia, escusávamos de dar 10 por cento do nosso ordenado para ajudar a salvar Portugal.



Não é que essa operação coração, como se fez no Benfica há uns anos, me chateie muito, porque como não ganho um tostão furado - dez por cento de nada - é dez por cento abaixo de zero.
Vamos então mas é comprar ventoínhas para ajudar a salvar Portugal, e se tivermos muitas até podemos poupar nos parques eólicos. Dez milhões de ventoinhas a bombar para Espanha, e contrariar o ditado "De Espanha nem bom vento, nem bom casamento".

Por falar nisso, a melancia tem os segundos melhores caroços para cuspir a seguir às abóboras. As sementes das abóboras chama-se pevides e acompanham bem meio quartilho de vinho tinto carrascão. Como já dizia o meu amigo Bácoro da Silva - o melhor é beber até estourar. Isso é o que eu chamo uma filosofia de vida, é isso e a Volta à França. Ver o Armstrong a suar as estopinhas e os outros todos de língua de fora, faz-me sempre ficar com uma daquelas sedes.

Mas isso não vem agora à baila, é que metade do país está na praia e a outra metade está a arder. E o Dr. Ulrich, onde é que está? Provavelmente em casa com ar-condicionado. Compre mas é uma ventoinha para ajudar Portugal.

Bem onde é que eu ia mesmo?! Ah, pois é alguém tem o contacto do Vasco Lourinho? Também dava um bom candidato para Presidente da República do PS.
Se ele não avançar, avanço eu. Onde é que eu ia mesmo?

Lúcio

7/20/2005

Já pagaste a diária

O burro nada tem a dizer ao mundo. O mundo também pouco diz ao burro. Por isso fiquemos com as sábias palavras da avó do aph, e oremos irmãos.

"Burro albardado também come palha"

Bem haja aph e à tua avó.

7/19/2005

Coice de Mula - por Lúcio Burro


No outro dia tava na Caparica, mais precisamente na Praia da Morena, naquele bar estilo condomínio fechado, com caipirinhas e mamas ao léu, e pus-me a fazer contas. Quanto é que será que factura um vendedor de bolas de berlim durante a época balnear?
Contando com três meses de trabalho duro, à média de 100 bolas de berlim por dia, estamos a falar de um euro por bola, ou seja 100 euros por dia.
Se 30 por cento é para dar ao pasteleiro, sobram 70 euricos por dia, ou seja ao fim de um mês são aproximadamente 2800 euros. Mesmo que em maré baixa sejam 2500 euros por mês, ao fim de três meses de putos e gordos na praia, são 7500 euricos, ou seja 1400 contos, livres de impostos. Se no inverno vender castanhas com a mesma margem de lucro, então já pode comprar uma vivenda em Isla Cristina para ir comer queques e outros bolos secos o resto da vida.
Mesmo com o calor isto fez-me pensar, e fiquei tão cansado que comi três bolas de berlim e ainda lambi um Calipo de uma ponta à outra.
- É fruta ó chocolate, olhó gelado.
- Olha a batatinha frita.
Mas o rockfeller da praia é mesmo o vendedor da bola de berlim. Por isso, a partir de agora o melhor é tratá-lo com mais respeitinho, que ali vai um homeme de posses, que como todos os outros homens de posses, foge aos impostos. É para acabar com este regabofe que devíamos todos pedir recibo ao homem das bolas de berlim. Aposto que no final do ano o défice era do tamanho de uma pila murcha de galo. Por esta tabuada ainda me faço ministro da fazenda, olá se faço.

Lúcio

Crónicas do Burro

O Vodka7 tem a honra de anunciar que passa a contar entre os seus colaboradores com um dos mais insignes e virulentos comentadores da actualidade e de assuntos de lana caprina. Trata-se de Lúcio o burro das terras altas que se notabilizou nas letras párias pela sua mordacidade e bestialidade.
Lúcio, no momento de assinatura do contrato vitalício com a editora Cuco&Cuco lda (fundada pelas excelentíssimas irmãs mariazinha cuco e Ermelinda Cuco, confessou à reportagem de Vodka7, estar muito orgulhoso por ter a sua primeira obra no prelo com a chancela do Cuco&Cuco, e simultaneamente iniciar a sua colaboração com a mais notável publicação asinina da península ibérica, precisamente o Vodka7. «prometo trabalhar os 90 minutos e depois logo se vê, afinal são onze para cada lado e a bola é redonda!» Ah!, perguntou o atónito repórter «Ah! o quê, então isto não é para o jornal a Bola?» inquiriu o burro. «Não é para o vodka7» - «Ah,tá bem também gosto de vodka», confessou orgulhoso. As crónicas de Lúcio, o Burro começam já para a semana e terão o nome de "Coice de Mula" e prometem fazer mossa nalguns corporativismos nacionais, a começar pelos vendedores de bolas de berlim.

Assinado: A direccção editorial do Vodka7

O Burro informa

Que a partir de agora todos os percevejos, ratazanas e outras espécies invertebradas que gostam da companhia deste burro amigo, para frequentarem esta choça e poderem continuar a ser os grandes merdosos que nunca deixarão de ser na vidinha sexualmente pobre, terão de estar munidos de BI e ficha de identificação dentária.
Isto não significa que não possam morder na mesma, passam a morder é com nome.
Claro que podem usar um nomezinho falso, que aliás lhes fica naturalmente bem, para não passar públicas vergonhas.
Trata-se de um mero acto de higiéne pública, estilo desratização com Ratax 501.
Não me levem a mal, mas mesmo a canalha sem rosto também tem de ter o trabalhinho de se ir registar com um nome falso. É chato, mas olha é a vida.

Entretanto o burro continua dentro de momentos

7/18/2005

Burro em Pé ou em a pensar morreu um Burro


Aviso à navegação:

Durante a próxima época balnear no Vodka7 não se vai falar de:

- Volta a França em Bicicleta
- Manuel Maria Carrilho e a sua dama
- Governo da República
- Terrorismo
- Direitos dos gays e das lésbicas
- Temas étnicos
- Flippers
- Ping-Pong
- Do Benfica (é pena, eu sei)
- Do calor e da celulite nervosa
- De bebedeiras e de engates
- Do preço do barril de petróleo
- De literatura pós-moderna
- De outros blogues
- Do meu pipi
- Da minha pilinha
- De musica de câmara ou outra qualquer
- de cinema
- de feijoadas de chocos
- Do programa espacial americano
- De marcas de whisky
- De poesia sacrossanta
- De croissants
- De mamas, pernas, grelos ou fodas
- de masturbação masculina (a feminina é tabu)
- De arrastões
- de colhões
- de percevejos
- de procissões na Beira Baixa
- De minetes e broches (é pena)
- De Pornografia artísticamente explícita
- Do tempo nas seychelles
- das viagens que nunca fiz
- da raiz da puta que os pariu
- Do problema da fome no terceiro mundo
- Do mensalão no Brasil
- Do último livro de Lídia Jorge
- Do próximo livro de Saramago
- De chinelas de praia e outros adereços


Até que o Verão acabe, o Vodka7 só vai falar de:

BURROS
BURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROSBURROS

QUEM NÃO GOSTAR, PODE IR PASTAR FARDOS DE PALHA PARA OUTRA FREGUESIA, QUE É PARA O LADO QUE DURMO MELHOR


hi, hi, hi, que pândega do catrino - that`s all folks, see you soon in another cartoon

E o Burro ainda estava em Pé!

"E o Menino de Deus ponha a sua mão:
Que eu tenha quinhão
Na missa, como os que lá vão.”



- E lá que tive o meu quinhão, lá isso tive, mas foi de porrada da grossa, que nem o pulguedo se aguentou nas canetas.
Arreneguei a fé, mas não foi só por causa do chicote. Na enfardadeira de livros com que me fui lambuzando, havia para ali muita iguaria de fazer crescer água na boca e, lentamente fui-me afastando da fé, porque tudo o que manjava, ficava retido aqui na cachimónia e ia-me afastando dos ínvios caminhos do senhor. A comezaina fez-me espertalhão e vivaço,e isso são qualidades pouco compatíveis com o exercício espiritual da fé, porque quanto ao terreno, é o que para aí se vê...
Mamei uns livritos de um brasileiro alquimista, mas davam-me gases, era cada peidaço que até as latadas se mandavam ao chão, e acabei por me virar para jovens autores portugueses. Umas poesias trinca-espinhas e magricelas, sempre na lamúria, que não matam a fome a um pisco, e uns de prosa mais grossa, mas indigestos que nem morcelas da Sertã. Só embutidas a Alka-Seltzer.
Aquelas patuscadas andavam a dar-me a volta à tripa, e cagando de alto acabei por ser apanhado pelo cão danado do padre e mordido pela chibata do velho embusteiro.
- Que coisa, que coisa menino ! – cogitava o porco Noé, cofiando pensativo o focinho – E agora, voltas a marrar com os cornos na palha?
- Nem que a vaca tussa – Respondeu o Lúcio – Não vou dar esse prazer ao velho hecatrônquiro nem aos patifórios da aldeia. Não volto a tocar na palha. Que já sei bem para que me enchem o bandulho. É para puxar a nora e acartar com os cestos de bagalho para o alambique, que é isso o uso que temos os animais. Omne vivum ex ovo, que é como quem diz todo o ser vivo provém de um germe.
- Malesuda fames, que é como quem diz, a fome é má conselheira, Virgílio, Eneida, VI, 276 – Ripostou o porco Noé, enquanto soltava uma sonora farpola, em virtude das couves do almoço.



–Também mordes latim? – Averiguou o atónito asno.
– Só aquele que aprendi. Costumo dizer que o meu pior erro foi ter aprendido a ler - Condescendeu em entoação mística o bácoro.
- Mas olha que te enganas quanto à larica. Eu não passo fome, porque a bondosa Dona Maria das Dores, vai-me trazendo às escondidas uns clássicos da biblioteca, não é bucha farta-brutos, mas vai dando para os gastos. A Odisseia de Homero deu-me para a semanada inteira. – Explicou o asno.
- Mas o que pensas fazer? A despensa bibliotecária há-de começar a tinir… – Inquietou-se Noé.
- Era sobre isso que te queria falar, precisava do teu conselho amigo. Tu que és porco de engorda, mas que já viste mais Invernos do que muito sobreiro. Como é que se sobrevive à crueldade dos homens, porque no teu caso a máxima de matança pascoal devia ser mors ultima ratio, que é como quem diz, a morte é a razão final de tudo, mas ainda cá andas e cada vez mais gordo. – Quis saber o asno, agitando interrogativamente a cauda e pondo as orelhas em sentido.
- Para nós animais, vulnerant omnes, ultima necat, que é como quem diz ferem todas, a derradeira mata, que é uma velha máxima latina inscrita nos antigos matadouros municipais. Para nós suínos de criação, nada é mais verdade. O segredo da sobrevivência está em enganar e ludibriar a crueldade humana. – Atalhou Noé.
- Hoc opus, hic labor est, que é como quem diz, aí é que está a dificuldade …– Suspirou o asno.
- Esta história não tem uma zokla, como no Panchatantra, nem sequer dela se pode retirar um ensinamento zen... É a mais pura lei de sobrevivência animal, e cada qual tem de saber encontrar o seu caminho da salvação. Paupertas impulit audax, que é como quem diz a pobreza audaciosa me impeliu, verso de Horácio, Epístolas II, 2, 51. - Disse o bácoro com propensão para o misticismo oriental, desde que não implicasse práticas ascéticas.
- Mostra-me o caminho, amigo e mestre, que res sacra mister, ou seja, é coisa sagrada o desafortunado. – rogou Lúcio, citando Séneca.
- Pois bem, no meu caso, depressa identifiquei as fraquezas humanas que poderia explorar, e tratei de pensar como um homem. É nessa lógica caótica que devemos buscar a luz. Como tu sabes, o Ti Manel Xá é um grandessíssimo invejoso, que cobiça a fortuna do vizinho, o Ti Patacas. No ano em que era suposto ir à faca, combinei um estratagema infalível com o Job, o bácoro do Ti Patacas. Ambos começámos a lançar as sementes da discórdia no coração amesquinhado dos velhos, caçoando com a gordura do bácoro do vizinho. Já viu Ti Manel Xá o javardo do Ti Patacas, aquilo sim é que é um porco, dá para ali umas libras valentes de carne, já mal se pode alevantar. Por sua vez o Job mantinha a sua parte da combinação, urdindo a inveja do Ti Patacas – Um senhor bácoro, algumas cinco arrobas de chouriço, presunto e fêveras, aquilo dá para alimentar um batalhão de infantaria. – Tanto fomos fazendo a cabeça aos velhos que eles tiveram uma pega das antigas, empenhando a honra numa apostilha – O meu porco é maior que o teu! – Foi a nossa sorte grande e terminação, a partir daí passámos a ser empanturrados à grande e à francesa, à medida que também íamos engordando o orgulho dos nossos amos. Deixámos de ser porcos de criação, para passarmos à graciosa condição de machos de procriação.



A nossa vida é encher o bandulho e cobrir as porcas. Nada mau, hein ? Eu e o Job vamos provavelmente ser os únicos membros da espécie suína do distrito a morrer de velhos. Carpe diem, meu amigo, carpe diem. – Concluiu Noé, visivelmente satisfeito com a esperteza que lhe poupara um destino cruel como enchido num cozido à portuguesa.
Deixemos então erudita fábula do curral, nuns desvarios de La Fontaine e de latim mais morto do que vivo, que teve o condão de lançar na bestunta de Lúcio de mirabolantes projectos de vingança, enfiando um cavalo de Tróia pelo rabo adentro daqueles que o desprezaram e maltrataram.»


Hi, hi, hi isto hoje é a fartazana, uma burrada das grandes, olari!

Burrologia para o Povo


Quanto mais zurras, mais me aturas.

Burrologia - Provérbios por via das dúvidas, a preto e branco



A burro morto cevada ao rabo
Deve ser por motivos de flatulência, penso eu de que

Antes bom burro que ruim cavalo
É uma espécie de máxima do conformismo

Antes burro vivo que letrado morto
Também acho!

Asno de muitos, lobos o comem

Aconselha à monogamia asnática, moral judaico-cristã no seu melhor

Cada asno com seu igual
A tendência gregária da espécie é preservada por via matrimonial

A burra velha, cilha nova
Mas um casamento sem centelha de cilha nova para apimentar, é o quê?


A burro velho, albarda nova
Tá-se mesmo a ver, comprar um descapotável e puxar o gel a régua e esquadro para ir ao Dock`s em Ladies Night`s


A burro velho, capim novo
O mesmo que o anterior só que exclusivamente com louras

Burra que geme, carga não teme
Nem quero imaginar o que é que isto quer dizer, mas até imagino...

Burro grande, cavalo de pau
Esta é que não faço a mínima, aceitam-se descodificações do Código Asininio

O Burro queria ser anjo e o donkey? e o monkey?

"This Donkey is going To Heaven"



Deve-se tomar com Pixies Tónico, ou Nick Cave com sementes más.

Vodka7 - O Blogue Oficial dos Burros de Portugal




Num comunicado de última hora, e atenta aos recentes desenvolvimentos asnáticos de Vodka7, a PATA - Portugueses Asnos Tantos À (sem h) - prestigiada associação de defesa e promoção do orgulho asno, decidiu nomear o Vodka7, como BOBO (Blogue Oficial dos Burros de Odivelas) em "Virtude dos seus rasgados esforços para a dignificação da espécie e contributos para uma sólida filosofia asinina e conhecimento aprofundado de uma matiz profunda da alma portuguesa, que por conveniências do bem pensar e do politicamente correcto é constantemente ultrajada em prol de merdas que não têm interesse nenhum, como a Festa do Cavalo, a do Colete encarnado e os livros da Margarida».

A direcção editorial do Vodka7 congratula-se com esta honrosa menção e pugnará, como sempre fez, para ser a voz desamordaçada dos burros de Portugal, em especial os de Odivelas e os do Fundão. Fazendo jus ao nosso lema "Asno contente, vive eternamente" aqui o Burro continua em Pé!

Burrologia - Raios me partam se não és mais teimoso que a burra

«Tu estudas, a Lena toca piano e eu é que sou o burro de carga» - M da Fonseca

«Um asno será sempre um asno, mesmo se o cobrires de ouro» - Derjavine, primo do Dejavú



Ora bem em homenagem aos pedaços de asno que me dão o prazer da sua visita, albarde-se o burro à vontade do dono:

- Um burro carregado de livros

- A pensar morreu um burro

- Com um olho no burro outro no cigano

- dar com os burros na água

- ir de cavalo para burro

- ser um burro de sorte

- Foi assim que o burro foi às couves

- Côr de burro quando foge


e para os percevejozinhos mais queridos - QUANDO UM BURRO FALA O OUTRO BAIXA AS ORELHAS!


Andor, andor bicharada!



«hi, hi, hi, lot´s of fun this donkey business» - Groucho Marx

Ditos e malditos asininos


«Asininus - Animais mamíferos da ordem dos perissodáctilos, família dos equídeos a que pertencem os jumentos, asnos ou burros, independentemente da ordem de precedência protocolar, que é apanágio da espécie.»

Uma manada de asnos é uma asnada
Para ver a espécie selvagem no seu habitat natural basta visitar o Palácio de S. Bento em Lisboa em normal horário de expediente, ou então a generalidade das caixas de comentários da blogosfera nacional. A reserva natural do Vodka7 é uma das mais ricas e diversificadas.
Quanto à de S. bento é uma espécie protegida por imunidade parlamentar.
Visitas organizadas todos os dias pela revista "National Geographic". Não se podem tirar fotografias, nem alimentar os animais, que já estão enfardadamente anafados.

Uma burricada é uma ajuntamento de burros, que se pode dizer jericada (se for em Jericó) ou burrada se for no Programa Pós-e Contras. É por isso que se diz «dos dois lados da burricada»

«Vós sois a coisa mais profunda e admiravelmente asnática deste mundo» Herculano em Monge II (The comeback). - Bom insulto para usar quando alguém está à sua frente no multibanco a pagar todas as contas do último semestre.

«Tão asno é vossemecê como esse filósofo», disse Camilo aos papalvos em Boémia (os homens preferem as ruivas)

«Por desacordo com o regente que era um asno», Machado Assis, num dia assim-assim

«Retiramo-nos com caras de asnos, não é assim?» Júlio Dinis em conversa privada com o Senhor Reitor.


Pois bem retiremo-nos

Burrologia - Equus asinus em honra dos asininos

O burro Lúcio como discípulo mal amanhado de Camilo, estende-lhe o paletó e a cartola, com vénia rasgada. Quanto à critiquelha, dedica-lhes uma sonora farpola:


«Escreveu umas asneiras agigantadas no seu penúltimo folheto» - Camilo, "Boémia"

Burrologia- Asno de ouro!

Asno- Mamífero quadrúpude, semelhante ao cavalo mas menos corpulento, de orelhas compridas, crina curta e pelagem geralmente cinzenta, muito utilizado como animal de carga e de tracção ~~- Burro, jumento 2. Pessoa que é pouco inteligente ou é ignorante -~
Pedaço de asno - ficar com cara de asno.



«If [man] is not to stifle his human feelings, he must practise kindness towards animals, for he who is cruel to animals becomes hard also in his dealings with men. We can judge the heart of a man by his treatment of animals.»
Immanuel Kant

Burrologia



O Vodka7 abre o curral do seu bestiário ao burro.
A burrologia não é uma ciência exacta. A burrologia não se barra. A burrologia apenas dá voz ao burro, porque vozes de burro não costumam chegar aos céus.

Lúcio, o burro que renasce num seriado iconográfico aqui no Vodka7, como se fosse uma assombração pop ou uma foto-exposição itinerante Magnum.

Em terra de cegos, quem tem um burro é rei do seu destino sem roque.

O burro não usa Chanell 9, mas gostava!

Dou-te um coice em troca de um fardo de palha, larila laralá!

«Preparava-se o Padre Martinho para ir buscar os salmos para a missa da Procissão ao Anjo da Guarda, que estavam guardados na sacristia de Cebolais da Serra, aferrolhados com a vitualhas no andor, e para grande escandaleira geral, os salmos tinham levado caminho. Foi para lá um reboliço, meteu a guarda e tudo.
Ninguém deu conta do sumiço que levaram os salmos da paróquia que já eram do tempo da Maria Cachucha. Ainda se suspeitou do sacristão, que era amigo da pinga, e de outros ratos de sacristia, prontamente defenestrados a 501 Forte, mas não se chegou a nenhum desenlace à Hércule Poirot.
O Padre armou para lá um escabeche! Acusou a Comissão Fabriqueira de ser uma corja de gatunos, de meterem a unha nos pertences de Deus Nosso Senhor.
O Casimiro, da Comissão Fabriqueira, que não é homem de se ficar, e bruto que nem um quarteirão de casas, ainda prometeu chegar a roupa ao pelo do padre, «A batina que lhe alcofe os açoites, que eu vou aos cornos do cabrão do abade».
Os ânimos exaltaram-se ainda mais, quando, a seguir, foram os evangelhos e o missal a esfumarem-se do centro paroquial.
O Padre Tomé ia lhe dando o badagaio com a apoplexia. Num ataque de cólera, bradava à varanda do centro paroquial: «Grandessíssimos filisteus, sarracenos d`um raio, terroristas do catrino, ratoneiros do Diabo».
Ameaçava a excomunhão colectiva, mas aquela terra de meio alqueire de habitantes, quase todos sexagenários e humildes lavradores, entreolhava-se desconfiada… afinal não havia memória de larápios na aldeia, a não ser uns pilhas-galinhas que por pilhéria iam depenando uns galinheiros mais esconsos.
Mas as misteriosas desaparições continuavam, depois da sacristia, o misterioso ladrão continuava a sua rapinagem bibliófila. A vítima seguinte foi o Centro de Dia, de onde se eclipsaram uma série de clássicos doados pela Fundação Hermenegildo Espírito Santo, que incluíam “As Pupilas do Senhor Reitor”, “A arte do amor”, “A Eneida”, os três volumes de “Dom Quixote de La Mancha”.
Também a notável biblioteca militar do Major Correia não resistiu ao Cavalo de Tróia do saque, e lá marcharam “Guerra e Paz” de Tolstoi, “A Arte da Guerra” de um general chinês, “Princípios da Guerra” de Clausewitz. Nem a colecção do místico brasileiro Paulo Coelho, com que a Lucinda do Posto de Turismo matava as horas sem turistas, (que eram quase todas), escapou à mão invisível do amigo do alheio.
A aldeia andava aterrorizada, e mesmo os analfabetos, escondiam no colchão os livritos de cóbois que os netos lá deixavam nas férias, como se fosse o seu mais valioso espólio. Até que um dia, o meliante foi exposto à ira da terra, despojada dos seus parco património literato.
Um casal de turistas ingleses, andava a tirar retratos ao “very tipical” da aldeia; ao fontanário, ao pelourinho, às velhotas estacionadas na soleira da porta a desfiarem dois dedos de conversa, enfim, os camones andavam a dar aquele “tour” de Nikon em punho para mostrarem nos chás dançantes para reformados lá em Birmingham. Nisto aparece em cena no largo do Pelourinho, a dar ao laré pela rua do castelo, o burrico do Ti Manél Xá.
O burro, ufano, escoriava com elegância, ziguezagueando a cauda de contentamento, lançando numa azáfama de cabriolices o mosquedo que tradicionalmente cortejava a escatologia bestial do equídeo.
Encostou as beiçolas ao tanque da fonte para sorver uma golada de água e, ao que parece, a sofreguidão desarranjou-lhe os intestinos, tendo ali mesmo largado uma valente póia, depositada aos pés dos bifes.
- Look darling, a Pop Star – disse a inglesa sardenta com a sandália apontada em direcção ao meticuloso montículo de bosta, esculpida pelo pandeiro incontinente do burro.
Referia-se a camone aos dejectos da capa de um livro de uma escritora de sucesso, que despontava nos preparos intestinais da besta.
– What´s the problem - Virou-se o asno poliglota, que aprendera inglês num livro que furtara a um velho Lorde da Câmara dos Comuns, hospedado no Turismo de Habitação, contrariando assim a velha tese cabalista de que burro velho não aprende línguas.
– This book stink`s! – Justificou o burro, visivelmente embaraçado com este seu descuido nauseabundo.
Estava então desvendado o mistério dos livros desaparecidos e desmascarado o larápio, precisamente o asno Lúcio, homónimo de Lucius Antonius Rufus Appius, pretor romano que sentenciava favoravelmente a quem lhe pagava a maior tença, e cujas iniciais (L.A.R.A.) passaram a designar os amigos do alheio, conforme se prestou a explicar ao inspector da Guarda Republicana da Soalheira, o burro Lúcio, quando confrontado com tão graves acusações de ladroagem bíblica.
Como o Código Penal não previa punição para crimes cometidos por quadrúpedes, o único castigo que a gula bibliófila do burro Lúcio mereceu, foi a valente sova com pau de cerejeira, aplicada pelo seu dono, o Ti Manel Xá, sob os auspícios do Santo Ofício do Padre Martinho, para quem as saraivadas no lombo do pobre Lúcio, constituíam autêntico Auto de Fé.
- Ah! Jumento dum cabrão, queres desgraçar-me. Guloso dum caneco, que não vales um corno para trabalhar, só queres é encher a mula. – Espigava-se o Ti Manel Xá, enquanto zurzia o pêlo ruço de Lúcio.
- Chegue-lhe, Manel, chegue-lhe com força a esse jumento excomungado – Invectivava o Padre.
- É preciso disciplinar esse pedaço de asno, Manel. Chicote nesse anarquista – Urrava o Major Correia.
Aquilo foi um correctivo público que serviu para apascentar os exaltamentos da populaça e aliviá-los dos esmorecimentos de alma, como se fazia desde tempos ancestrais para expiação das más consciências. O pelourinho rejubilava, depois de um século de branduras e de poses forçadas para a objectiva dos turistas, lá voltava o largo a ser patíbulo de justiça.
Com sorte ainda voltavam os enforcamentos. Um que fosse em memória dos bons velhos tempos.»

O burro não se acagaça! - Deneuve em Peau d`âne, tal como Lúcio


«bom corpinho, hein, e muito dada a mostrá-lo, como se vislumbra pela coxa que desponta da mini-saia. Uma balzaquiana de tira-olhos. O marido é embarcadiço, e está-se mesmo a ver, com aquela anca reboliça, é a perdição dos meirinhos e da malta da repartição de finanças. As más-línguas do centro comercial estão sempre a inventar-lhe amázios para lhe meter nos lençóis, mas parece que o Guedes, o tal que é quartanista de Sociologia do Trabalho, aquele lingrinhas que está ali encostado à coluna, parece que ele é que anda a desfrutar do naco.
Pelo menos é o que se diz por aí à boca cheia.»
in Vozes de burro não chegam aos céus, ouviram bem!


PS:Gracias Mar pela bela imagem

Chegaram os Percevejos! Urrah! Hip, Hip, Hop, Hurrah!



O percevejo (ou maria fedida na linguagem popular brasileira) é um inseto da sub-família Blissinae, que ataca plantações e pastagens. Existem algumas espécies que são hematófagas.
Descrição do percevejoOs adultos são pequenos, medindo de 3 milímetros a 3,5 milímetros de comprimento por 1 milímetro de largura, posuem corpo negro e asas anteriores, geralmente, brancas, com duas pequenas manchas pretas laterais. Suas pernas são claras e de coloração vermelho-amarelada. Os adultos podem ocorrer tanto na forma macróptera (com asas longas – normais) como braquíptera (asas curtas). As fêmeas são maiores do que os machos.

Poem ovos alongados e ligeiramente curvos, com as extremidades arredondadas, a princípio brancos que vão se tornando avermelhados à medida que o momento da eclosão da ninfa se aproxima. As formas jovens, ao longo de seus cinco períodos ninfais apresentam variações distintas de coloração que vão do vermelho brilhante, com uma larga faixa dorsal branca na região anterior do abdome, passando pelo alaranjado, notando-se o surgimento de tecas alares e pelo marrom-alaranjado, com as tecas alares atingindo a região posterior do primeiro segmento abdominal até se tornarem negros, com as tecas alares atingindo além do segundo segmento abdominal.

Biologia do percevejo
Os ovos são colocados geralmente nas bainhas das folhas basais ou logo abaixo da superfície do solo, podendo inclusive, no caso de ocorrência de fendas no solo, serem postos próximo ou mesmo nas raízes das plantas. Imediatamente ao momento da eclosão, as ninfas se poem a sugar a seiva.
Os adultos não possuem período hibernal constatado durante o inverno
inWikipedia como não podia deixar de ser

As novas colónias de info-percevejos são uma espécie de atestado de popularidade de uma publicação na blogosfera. Depois de dois anos de pacato anonimato, o Vodka7 já tem percevejos. Vou beber uma de Murganheira para comemorar.
A garrafinha de Dum-Dum fica para mais tarde, que os percevejos sempre ajudam às audiências.

Percevejo ou Maria Fedida, aqui no Vodka7 serás sempre uma espécie protegida, e olha lá, traz um amigo também.

7/14/2005

Blogues sobre uma mesa!


"Figura sobre uma mesa", Almada Negreiros



Acho que a blogosfera é como aqueles bolos cheios de creme que no Verão azedam facilmente. Por isso sempre preferi os queques, que sempre dão menos azia.
Ao que parece a blogosfera é uma espécie de vilória de província, onde todos se conhecem, e cochicham. Entre as palmadinhas no lombo, a facadinha nas costas e a peixeirada, a blogosfera faz mesmo lembrar uma terra que eu cá sei. Há para aí muitos bons blogues e muitos blogues de merda, mas para mim é completamente indiferente, porque como cresci suburbano, só me habituei a visitar os amigos e a ter uma vida social reservadota, nem é por causa daquilo que eles dizem, mas é por serem meus amigos, que eu só como as bolachinhas da manhã com:

granitoporque tem um arquivo do caneco e sei lá, porque gosto porra. Gosto à brava!

rititiPorque além de ser famosa, é minha amiga, tem piada, e mesmo quando não gosto, gosto!

Através dos EspelhosDo Vitor e do Tiago, tipo Bic laranja, Bic Cristal, escrita fina, escrita normal, num dueto de cordas que é música suave pela manhã. Despretensioso (coisa rara), atento, sensível e bem humorado é um blogue que é o sonho de qualquer mulher à procura do príncipe encantado (atenção que os rapazes já estão destinados). A mim vão-me encantando como nenhum outro blogue na língua do camões.
Como diria a Rititi, os meus amigos não são necessariamente melhores que os teus, têm é a enormíssima vantagem de serem meus amigos. Hi, hi,
Pela mesmissima razão e mais nenhuma é que:
SoBola é leitura obrigatória a seguir à "Bola", e que a Fisga já cá canta.

Para um sorriso curioso não dispenso Diarios de Lisboacom, com as deliciosas curiosidades da Raquel, que tem ainda o encanto de ser tipo - uma curiosidade por ano dá saúde e alegria, e mantêm-nos todos os seus cinco leitores numa tensão de expectativa.

Quanto ao resto, não conheço, nunca fomos apresentados, e para ser sincero, nem estou muito para aí virado.
Gostos não se discutem e por isso prefiro queques de uma pastelaria conhecida a bolas com creme de um pasteleiro anónimo, ou mesmo famoso. Quanto ao facto de ser artista-convidado em quatro dos blogues anunciados, não vem agora ao caso, podem-lhe chamar narcisismo, que eu não me confundo com uma facção socialista de Matosinhos.

A Fisga no Rio de Janeiro



Cidade-maravilhosa, ainda mais vista pelos olhos do Ricardo Paulouro na capital mundial do futebol. Na novíssima Fisga vamos todos ao futebol. Em directo do São Januário, o Vasco da Gama leva uma coça do Internacional, narrado pelo Ricardo Paulouro que em relação ao futebol só tem um único e singular defeito - ser do Sporting.
"Aqui na terra estão jogando futebol, há muito samba, muito show&rock and roll", enquanto por aqui a coisa tá preta.
Aí Ricardão, a galera torce pelo futebolão do nosso time.Fisga

Esta nossa lavra


Lavrar, é talvez a palavra mais utilizada pelos jornalistas-bombeiros-incendiários do Verão do Portugal a arder. Não há peçazinha sobre fogaréu ou catástrofe devoradora que não ponha as chamas a lavrar. Talvez incontrolável seja a segunda palavra de época pouco balnear, mas tenho a certeza que lavrar é a palavra mais utilizada na imprensa portuguesa durante o Verão, talvez só suplantada pela palavra crise, que essa é menos sazonal.
Como em Portugal a agricultura só lavra subsídios, valem os nossos insignes repórteres para nos rememorar desta palavrinha trabalhosa de suor na fonte, que está gravada na testa de um País esquecido do tempo em que se lavrava a terra.
Agora lavram-se autos, sentenças e fogos.
D. Dinis, conhecido pelo seu gosto de lavrar pinhais e montes de Vénus das cordeiras de Deus ficaria decerto entristecido com o destino do seu cognome. Em Portugal as chamas lavram enquanto o repórter/narrador/de incêndios não decidir recorrer a um dicionário de sinónimos, modus operandi que é prática comum na blogosfera portuguesa.
A crise lavra incontrolável, e nós por cá entretidos com os vídeos caseiros da Diana Andringa, safa! Melhor, livra! Melhor lavra!

Provérbios
"Mais vale lavrar o nosso ao longe do que o alheio ao perto."
"Quem em Janeiro lavrar, tem sete pães para o jantar."

7/09/2005

À pesca do arrastão na Wikipedia

Wikipedia: Pesca de arrasto
O método de pesca actualmente mais popular - e mais controverso! - é o arrasto, constituído basicamente por uma rede construída em forma de saco, com flutuadores na parte superior da abertura e pesos na parte do fundo, e cabos seguros às extremidades dessa "boca" com os quais a rede é arrastada normalmente no fundo do mar (embora haja também redes de arrasto de meia-água). Existem formas artesanais desta arte em praticamente todo o mundo, em que a rede é puxada por pescadores a pé ou com o auxílio duma pequena embarcação, mas a indústria pesqueira usa redes de arrasto de grandes dimensões - por vezes mais de uma ao mesmo tempo - que são de construção mais sofisticada e puxadas por instrumentos mecânicos a partir duma embarcação que pode ser um barco-fábrica.
Os aspectos controversos deste método de pesca são vários, desde a noção - normalmente errada - de que estas redes "destroem" o fundo do mar, até outros problemas mais válidos e que têm sido estudados e parcialmente resolvidos pelas ciências pesqueiras, como o facto destas redes serem muito pouco selectivas, quer dizer, capturam animais de praticamente todas as dimensões, até os muito pequenos de uma espécie que ainda não atingiram a maturidade sexual, pondo assim em perigo a continuídade da população, e de todas as espécies, mesmo aquelas que não são o objecto da pescaria e que são muitas vezes lançadas ao mar, contribuíndo para a diminuição da diversidade biológica no mundo.

Vodkapedia: O mexilhão e as andringas
Em Portugal não há pesca de arrastão, só à linha. Em vez de redes muito pouco selectivas temos um anzol apontado a telemóveis, carteiras, cartões de crédito, óculos escuros e ténis rebook, espécies endémicas da costa portuguesa. O mexilhão está ameaçado de extinção por esta colónia parasita, que tem nos predadores da Cova da Moura a sua principal ameaça.
Associações ambientalistas e organizações partidárias portuguesas pretendem atingir o equilibrio ecológico da costa através da propagação e defesa desta espécie predadora, que deve brevemente ser considerada espécie protegida.
De acordo com alguns biólogos marítimos da Associação NavalUnidos do Mindelo, esta espécie pode defenestrar a infestação que assola as nossas praias - o banhista. A primeira experiência piloto teve lugar na Praia de Carcavelos e o sucesso foi estrondoso, com a debandada dos perigosos parasitas - ficando assim aquela paridisiaca praia merecedora de bandeira azul.
O nadadeiro-salvadeiro da praia de Carcavelos, de nome Jaime, confessou a "Vodkapédia" que o fenómeno era do seu agrado, porque agora tinha muito menos trabalho e já nem precisava de hastear a bandeira vermelha para fazer a digestão do arroz malandrinho do almoço e dormir a merecida sesta.
O nadadeiro-salvadeiro acrescentou ainda que "Agora já quase não há banhistas, e a praia está quase sempre deserta."
De acordo com fontes ambientalistas, o equilibrio ecológico atingido permitiu o regresso de uma espécie nativa - a andringa - bivalve da família dos perceves que normalmente é imprestável para comer, mas cujas conchas fazem excelentes decorações para fios à venda na Festa do Avante.


Legs para que te quero: A andringa, espécie de bivalve com vídeo incorporado, ameaçada de extinção pela pesca do arrastão após ter superado em muito a sua maturidade sexual. Como não são comestíveis são muitas vezes lançadas ao mar, contribuíndo para a diminuição da diversidade biológica no mundo, e neste caso ainda bem.

7/07/2005

A morte saíu à rua



O medo é a peste moderna, vive entranhado no ódio, no vazio, na abjecta loucura de tratar a vida humana como um mero meio de propaganda.
O terror vive, como sempre, escondido no lado negro do coração dos homens sem coração, sem pátria, sem deus, sem amor.
Em Londres e em qualquer recanto do mundo, o homeme continua a ser um lobo selvagem para o homem. Esta é a peste negra do nosso mundo. A paz é uma mera ilusão de conforto negociado.

7/06/2005

As coisas que um gajo aprende na Wickipedia


Adelaide Herculine Barbin, hermafrodita francesa do século XIX, nasceu no ano de 1838 e foi declarada mulher. Estudou em colégio de freiras mas aos ao fazer uma consulta médica, diagnosticou-se que ela tinha também um órgão sexual masculino. Passou então a se chamar Abel, mas em 1868 cometeu o suicídio. O caso é muito conhecido devido ao diário que ela escreveu durante sua vida e priciplamente depois que Michel Foucault estudou o seu caso e republicou seu diário. (:::)
A obra vai ser adaptada a uma sitcom portuguesa da TVI, com o apoio do Instituto Franco-português, argumento dos gato fedorento e com a filha/o do Néné no principal papel. Os humanos assinam a banda sonora.

"A Peleja do Diabo com o Dono do Céu" (1979) é o título de um tema do cantor nordestino Zé Ramalho.

Quando tiver um filho chamo-lhe Diabo, Diabo Pelejão.

Exercícios de estio


Estendi a toalha demoradamente, e quando me deitei o Sol já se tinha posto em marcha lenta.

Farto da tirania de Al-Jazira, o maior comerciante de tapetes de Teerão, o pequeno Sinbad atirou com o tapete à toalha.


Tenho tantas saudades de usar as minhas braçadeiras do Dartacão e a minha bóia com a cabeça do Pato Donald a servir de leme. Definitivamente a praia dos adultos não tem gracinha nenhuma.


Porque será que se chama Tótó a uma pessoa? Quando a mesma palavra serve para nomear as trancinhas de cabelo da Pipi das Meias Altas? Acho mesmo que não se devia chamar tótós às pessoas, sem uma razão etimiológica de fundo.


Porque será que se vendem bolas de berlim na praia em Portugal? E porque não mil-folhas, queques ou bábás? Esta é uma dúvida que me assola com frequência, sobretudo em dias de Sol.


Há mar e mar e mar e mar e mar e mar e mar e mar. E comprimidos para o enjôo, não há?


O fio dental torna desnecessária a simbologia das bandeiras.



Qual é o factor de protecção que usas, eis uma pergunta verdadeiramente indiscreta.


Fazia um calor sufocante, tanto que o sol foi acusado de genocídio por asfixia.

"A época idiota já começou", anunciava o cartaz daquela sapataria em saldos de Verão. Lá dentro um pescado trocava as sandálias por umas havaianas verdes e amarelas, que nas solas diziam - Ordem e Progresso. Respectivamente.


Ao que parece o gelo tem tendência a derreter com o calor, é por isso que se deve beber vodka tónico por uma palhinha, mesmo sob o risco de se parecer um bebedor um pouco apaneleirado.

Hélio ligou a ventoínha no máximo. Fechou os olhos e inalou a lufada de ar fresco pelas colossais narinas, depois inchou como um balão e quase que conseguiu dar a volta ao mundo em 80 dias.


Fateonte entrou de mansinho no quarto do pai e surripiou do bolso das calças do velho a chave do potente BMW.
Hélio, deus do Sol, ressonava no sofá durante o Prós e Contras, e Fateonte com pézinhos alados de lã, saíu pela janela aberta por uma suave brisa de Verão, para não acordar o seu pai. Meteu-se no BMW e foi para o pica na Ponte Vasco da Gama com o BMW de 250 cv, que espatifou violentamente contra um choupo de Alcochete, depois de uma louca perseguição de um carro camuflado da Brigada de Trânsito.
O oficial que levantou o auto e assinou o óbito chamava-se José Vá com Zeus. Em casa Hélio ressonava, afinal o Sol só se levanta lá pelas 7.00h naquele país mitológico e mitómano.


O SuperMax virou-se ao dono. O veterinário diagnosticou stress profissional por excesso de trabalho e deu-lhe baixa psicológica. O Perna de Pau, esse continuava tão bêbado que nem deu pela falta do Cão na arca frigorífica. É fruta ou chocolate, olhó gelado, cantarolava enquanto cozia a bebedeira de Rum.

7/01/2005

Relambório nacional


Os lambe-botas deste país podem este fim-de-semana ver se lambem umas pachachinhas, para variar É o Salão Erótico da FIL, acontecimento cultural do ano neste país.
Para quem não gosta de pornografia, erotismo, fétiches e confunde mamada no salão com salada de mamão, o melhor é mesmo ficar pela FIL artesanato.

Delete al items


E ao sétimo dia a obra morreu. hi, hi, hi - o efémero também é uma forma de arte.
O burro foi à sua vidinha de enfardo literário.

5/17/2005

Maltratado de frases freitas - Os microcontos

"Espero o tempo que for desnecessário - dizia a tabuleta na porta da sala de espera do meu dentista"


"Suavemente e com gentileza, o copo inclinou-se sobre os seus lábios áridos."


"A ampulheta tinha um furinho e por isso a areia movediça esvaíu-se na palma da minha mão. Definitivamente, não há volta a dar ao tempo."

"O reino foi varrido por uma vaga de frio ártico e o tesoureiro-real descobriu que não havia cobertores suficientes para tapar os pés da monarquia tilitante."

"A torneira respingava. O canalizador, cofiou o bigode e diagnosticou um resfriado."

"Uma borracha de água quente e os teus pés entre os meus. Este é o Inverno do nosso contentamento."

"Parei, escutei e olhei ... como de costume, nem sombras de um combóio."

"O anão sentou-se num penico em cima da lua. Fumou um maço de gauloises enquanto dizia asneiras porcas aos anjos que por ali passavam."

"Queimei a língua no leite quente e fiz uma careta de dor - pensou Edward Munch enquanto pintava o grito."

"A velha mosca tombou no prato de marmelada que vivia no aparador da Tia Hermínia. Ali ficou para fóssil, cristalizada como um doce de bolo-rei."


"A língua dos anjos ficara cor-de-laranja de tanto comerem gelados de manga às escondidas de Deus. Um deles ficou com dor de barriga, e assim nasceu na doçaria celestial a famosa barriga de anjo."

"Provavelmente a melhor forma de ser feliz é não pensar muito nisso, pensou demoradamente o filósofo enquanto tomava um banho de imersão."

"O diabo tocava concertina num café em Montparnasse."

"De cabeça perdida, S. Cipriano atirou-se aos leões que nem um tarzão."

"O menino lambeu a colher devagar e suspirou, já com saudades das farófias da Avó Piedade."

"O desdentado sorriu com sinceridade e os seus dentes reluziram que nem marfim."

"O diabo comunicava com os seus pactuantes através de walkie-talkies e sempre em frequência maldita."

4/17/2005

Líquidos pouco sólidos

Se o piano esteve a beber, porque não eu?


Um dilema citrino que sempre me atormentou é se há o supra-sumo da laranjada, porque não há o supra-sumo da limonada?


Uma coca-cola no deserto, uma agulha no palheiro e um político honesto.


Para beber chá é preciso saber soprar devagarinho como quem assobia.


A água suja do capitalismo americano deixa manchas mas é eficaz para as resscas.


O cubo de gelo desfez-se em lágrimas. O whisky não e eu muito menos.


O fumo do café pela manhã- eis uma razão válida para continuar a respirar.


Cavalheiro pouco respeitável e sem posses procura mulher que olhe para o céu e encontre a lua numa garrafa de vodka.


O trabalho é a maldição da classe dos bebedores. Não trabalhe!


O cardeal bebeu um cálice de xerez, benzeu-se e finou-se. A marca registou a patente do licor como "extrema unção"

3/31/2005


Vodka71 Posted by Hello

3/15/2005

A pousada pasmada

Vamos pelo caminho, o mau, que é sempre o da nossa preferência.
Viçosa era a vila, e a viúva da hospedaria.
Preto carregado sublinhando o louro platinado e desalinho do cabelo.
Uma ex-balzaquiana e viúva, mas sem cama de casal nem quarto com banho e pechiché.

Regresso ao frio e colho uma laranja caída, tombada na calçada de briol português. Uma laranja chocha que se arrepia com o frio da nossa passada enregelada.
Gosto das laranjas que desistem que são vencidas pelo toro e pela feroz competição da seiva.
Viçosa é a laranja que aguenta altaneira, monopolizando o sol para si.



Vai morrer cheia de suco de laranja, cheia de brio e totalmente inapta para o vodka, porque esta laranja viçosa raramente se mistura.
Prefiro mil vezes a laranja que tomba, seca, vencida e quase amarela de cadáver citrinico.
Meto-a ao bolso e afago a sua pele encrespada.
Faço festas a esta laranja perdida como quem afaga o pêlo carente de um rafeiro.

Sigo passo certo para a pousada, mais cara, é certo, mas viçosa como a laranja ao alto do toro, inacessível e medieval, no sentido solene e careiro que o termo pode assumir quando se fala de bardamerdice turística.
Aproximo-me com ar vagaroso e sombrio do consiérge e dirigo-lhe as mais célebres palavras:
- Boa noite, qual é o preço do leito?
- Cama de casal?
Inquire o estalajadeiro engravatado.
- O mais possível –
Digo eu, que nunca se sabe quando um viajante solitário acorda com a mão aconchavada numa bela mama sobranceira.
- São 150 euros.
Responde desconfiado, Félix, nome que reluz na placa Pestana.
- Ora ai está, há descontos para sócios do Benfica?
Prossigo eu em voz afinada de Piçarra.

- Hummmm????
Ventriloqua o Félix renascido. Galvanizado pelas gingas rapidamente embutidas em qualquer taberna/santuário local, entro numa de desaforo inquisitório, como qualquer batedor manhoso do Guia Michelin.

- Qual é a vossa política em relação a putedo?
- Desculpe senhor, balbucia o estalajadeiro imberbe.
- E em relação a travestis negróides, ou orgias?
Avanço eu, sem tempo de cortar a respiração da resposta do inadvertido
- E festas de swing, e pornografia? É pay-tv soft, ou em canal aberto hard-core.E o mini-bar é só Sagres e água das pedras, ou há Moet Chandon e água benta.
Amendoins caramelizados ou tobleron?

Enfim todas as perguntas que o viajante faz a si mesmo e raramente tem coragem de colocar ao estalajadeiro presumido.
- Viva a ginga libertadora! Grito eu em plenos pulmões perante o ar estarrecido de Félix, e o semblante reprovador da estátua de D. Manuel que era pouco dado às vidas.

Valha-nos D. Dinis, o seu pinhal e o seu proverbial gosto por meretrizes, de preferência as cordeiras de Deus, que são lanzudas de tomar por trás.
- Fico então com a cama de dossel – Informo eu – Mas fique já sabendo, que se me prouver a povoarei de putas, tantas ,que farei parecer o pinhal de D. Dinis um deserto do Sahara.
Sorriso amarelo, transacções de identidades, e ala para o banho de imersão, o mini-bar e a inevitável matiné de punhetas.
Com passagem pelo jantar, servido por pinguins hirtos e solenes, como rabetas de sacristia, acostumados a levar no cú e a limparem-se à batina.
Escutando George Michael tocado em flauta, e imerso em flatulêcias ,consequências da encharcada, sigo para o bar, o paraíso dos ímpios.
Afago a laranja, e recosto-me no sofá com um Bushmills de traulitada.
Escuto as conversas, aparentemente, sem moralizar.
Dois casais de meia-idade, rodeados da prol sonolenta e saudosa da playstation, abarbatam-se ao calor da lareira, sem tempo nem ouvido para escutar o seu crepitar.
Um dos cavalheiros, bem instalado e fumegando o seu Monte Cristo de tamanho para pacóvios, profere uma homília sobre as suas viagens e essas aventuras pela Europa. Entre baforadas e auditório atento e acrítico, conta as maravilhas da Holdanda, os canais, as túlipas, os maravilhosos verdes prados, as vaquinhas e esse nobre e tolerante espírito holandês.
Prossegue em monólogo de inter-rail para a Suiça, e Chaamonix para aqui e ski para acolá, e as brancas neves, e mais a Puta que o pariu e as suas aventuras merdosas, que me indigerem o Buschmils e espantam o pianista que tecla que nem um flautista de Hamelin.
Já fui muitas vezes à Holanda e nunca vi nenhuma túlipa, nem tamancos, nem trancinhas, nem o Reijk museum, nem o raio que o parta.
A Holanda é para quem sabe, não para quem pode.
É montra de desejos, é putedo mais internacional que a socialista, é o bom broche, clínico e limpinho, como quem lava dentes com elixir para o hálito.
É putas do Senegal para nos afundarmos no seu cú majestoso, é coffe-shops e droga com fartura.
Se em Vila Viçosa a viúva é negra e loura platinada, em Amsterdão a viúva é white widow.
Se este cabrão presunçoso já esteve na Holanda do broche e da erva, passou a vida a ver canais, e quanto a Xamonix, prefiro mil vezes o xanax.
Espero que o Félix enrabe a sua esposa cândida na escada de serviço e ele ressone o sono do cornudo. Afago a minha laranja, estupro de novo o mini-bar e guardo a punheta salvífica para outra encarnação.
Pousadas de Portugal, nunca mais, prefiro acampar.

3/13/2005

Happy new year

segundo rezam as crónicas o ano novo já começou. Não sabia que as crónicas rezavam o terço e que um dia o Deus Pan tocava pífaro e se engasgou com um sugus, dando assim origem ao panteísmo clássico. Segundo o livro de S. Cipriano, o diabo gosta de tomar as mulheres bonitas pela frente e as mulheres feias port trás, o que revela um sentido estético muito apurado na prática da cópula. Resta saber que posição menos convencional adoptaria o maffarico caso tivesse que tomar uma mulher socialista. A julgar pela amostra, o mais prudente seria remeter-se à abstinência sexual prolongada e fazer uma joint venture pagã com o Deus Onan. E assim vai o mundo, na palma da mão punheteira. Glória aos céus e bom ano para todos os cães infiéis da minha matilha amiga.

12/16/2004

Andam a enforcar o Pai Natal

Os xinocas são tramados para a invasão silenciosa do capitalismo ocidental desatento. Já não chegava terem feito um ctrl alt shif no negócio de PC´s da IBM, de nos terem anexado com lojinhas de bugigangas baratas, produzidas à custa da exploração do trabalho escravo. Isso por si já bastava para na minha opinião abrir uma crise de mísseis balísticos apontados a Xangai. Nem nós neste cantinho à beira mar desterrado escapamos à invasão de bandeiras de Portugal made in china durante o Euro 2004. Que ironia amarga, uma onda de patrriotismo bacoco a sustentar a indústria de produção de bandeirinhas da China comuno/capitalista. Mas a golpada decisiva está a acontecer este Natal com a complacência de associações de pais, da DECO, dos Dragões Sandinenses e de toda a rede de hipermercados fatelas que são banidos para a Província.
Caso ainda não tenham reparado:

OS CHINOCAS ANDAM A ENFORCAR O PAI NATAL!

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- De repente como numa febre pós-Euro 2004, as bandeiras encardidas que aindam persistiam no estendal ao lado das peúgas do chefe-de-família, são agora substituídas por linchamentos públicos e decorativos do Pai Natal. Este mega vodoo natalício está a espalhar-se como uma pestilência medieval e não é raro passar numa rua e ver uma série de Pais Natais enforcados pelas janelas fora. Os chinocas estão obviamente a linchar o símbolo maior do capitalismo consumista e ironicamente servem-se dos desprevenidos consumidores ocidentais, que na sua crendice copista andam a dar nós à traqueia do Pai Natal, que agoniza assim numa esquina perto de si.
O Vacticano rejubila, porque vê aqui uma oportunidade de relançar o presépio como o maior merchandising de Natal, voltando a ocupar o lugar que era seu na pacatez dos lares cristãos.
O pior é que os sinistros chinocas já se anteciparam e aproveitando a experiência do Museu da Madame Tussaud com o Beckham a fazer de José e a Vitória de Maria, estão agora a lançar moldes industriais para no próximo ano comercializarem presépios dirigidos a cada mercado, utilizando figuras públicas para modelos dos pequenos bonecos de plástico.

Miguel Cadilhe e a Agência Portuguesa de Investimento já garantiram a instalação de uma fábrica chinesa de presépios na Boidobra, e fontes ligadas à espionagem industrial desvendaram já o nome das figuras públicas portuguesas que no próximo ano vão servir de moldes ao "Presépio Tuga", assim, e por ordem de entrada em cena:

José: Miguel Ângelo dos Delfins
Maria: Teresa Guilherme
Manjedoura: Luís Delgado, ou Celeste Cardona
Menino Jesus: Cristiano Ronaldo
Os três Reis magos -
Baltasar: Manuel Alegre
Belchior: Francis Obikwele
Gaspar: José Cid


Burro: Rui Gomes da Silva
Vaca: Henrique Chaves
Ovelha: Guilherme Silva
Hiena: Paulo Portas
Víbora: Marcelo Rebelo de Sousa
Papa-formigas:José Sócrates
Musgo: Miguel Relvas


Estrela do Norte: Pedro Santana Lopes
Pastor judeu 1: Belmiro Azevedo
Pastor Judeu 2: O gajo dos Silence Four
Pastor Judeu 3: Jardim Gonçalves
Agente da Mossad disfarçado de Pastor Judeu: Marisa Cruz
Feiticeiro Judeu 1: Jorge Sampaio
Profeta Judeu: Cavaco Silva
Cabana do Menino: Os gato fedorento
Garrafão de 5 litros de tinto: Clara Ferreira Alves
Lamparina dourada: Pinto da Costa
Apresentador de TV Shop Palestiniano: João Gabriel
Deus: Mário Soares
Diabo: João de Deus Pinheiro.






Portanto já sabem, este Natal aproveitem e enforquem o Pai Natal. Os chinocas agradecem, e a indústria nacional de presépios também.

Quanto a nós, amor na terra paz no Céu, e Filhós com vinho não fazem mal!

11/09/2004

Um homem sem qualidades

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Jacobino acordou terrivelmente mal disposto. Tomou um banho frio a contragosto (o gás acabara), comeu um prato de corn flakes ressequido com leite azedo.
Teve de vestir um fato com cheiro a mofo e umas peúgas remendadas. Descobriu que as varetas do guarda-chuva estavam retorcidas.
Já na rua, enfrentou o vendaval diluviano e o bulício irritável da manhã urbana.
Parou no café, onde se acotovelou com operários galvanizados pelo fragor do bagaço matinal, para poder chegar ao salvífico café. Bebeu de um gole. Estava frio e cheio de azedume. Tal como ele, Jacobino.
Tal como aquele dia invernoso e frio. Jacobino olhou para o relógio, estava já atrasado para picar o ponto na secretaria da 3º barra da Boa Hora.
Na paragem do autocarro, uma extensa fila de guarda-chuvas agitava-se com o frenesim da espera. Tomou o seu lugar na fila.
A chuva fria percorria-lhe a testa, para serpentear invasiva e gelada pelo colarinho, e afagar-lhe o pescoço com malícia.
Jacobino batia os pés enregelados, sentido o dedo grande em contacto humedecido com o couro do sapato gasto comprado em meia estação num Outlet. Tentava abrigar-se puxando os colarinhos para o nariz, como via fazer nos policiais americanos dos anos 50. Sentia-se um Marlowe derrotado e rendido. O autocarro chega com estrondo, levantando um vagalhão malcheiroso de águas e dejectos da berma que atinge, com salpicos lamacentos a face mal barbeada de Jacobino. A multidão ululante de guarda-chuvas desfaz a fila ordeira para se precipitar em horda bárbara para todos os orifícios abertos da besta metropolitana. Jacobino é projectado para trás com uma carga de ombro de pretalhão grande e untuoso, a fazer lembrar o Lilian Thuram.
Aterra de quatro no passeio. Sente-se vencido, inerte, rendido. Pela janela, uns enormes olhos azuis de uma universitária bonita sorriem-lhe com uma frieza compadecida. A rapariga resgata o olhar comprometido e volta a enfiar o nariz na leitura. O autocarro arranca vagaroso, e com uma lágrima salgada misturada com a chuva, Jacobino reconhece a capa encardida e usada numa edição dos Livros do Brasil, reconhece em tituleira antiga o livro que a rapariga finge ler, finge perceber. “Um homem sem qualidades” de Robert Musil.
Jacobino fica sentado no passeio com olhos marejados de gotas de chuva e de lágrimas. Jacobino desiste e fica sentado no passeio para sempre.
Ainda ali vive, perto da paragem de autocarros, dormindo no passeio, comendo o resto de esmolas e de indiferenças enojadas que se dedicam os vagabundos nauseabundos e a quem decidiu deixar de ser prisioneiro, de ser escravo da normalidade enlouquecida.

Homicídio horário


Hoje acordei com o despertador estridente. Levantei-me, fui à despensa buscar a caçadeira de canos cerrados. Apontei ao ponteiro das horas e disparei. O despertador caiu fulminado, calando-se para sempre. Sempre gostei de matar as horas mortas.

Chaise longue

Estico-me na espreguiçadeira, olho para o mundo lá fora. Chove a potes e está um dia cinzento.
Faço um zapping pelas notícias, e paro num documentário sobre a vida sexual das carraças. Bocejo, volto a espreguiçar-me na minha inactividade sexual e mental. Viro-me então para outro lado, que é para onde durmo melhor.
O mundo lá fora pode esperar, enquanto eu espero por melhores dias. As carraças também podem continuar a foder, que é para o lado que durmo melhor … na minha chaise longue.

I was dancing in a lesbian bar in a industrial zone, au au au!

E por esse motivo, tenho andado alheado, alienado, afastado, calado, marado, tarado, depravado, dominado, fechado e trauteado.
I`ve been too drunk to fuck!

8/18/2004

A ausência de Deus

O recado de Deus era suficientemente claro.
Não te fodas mas do que o absolutamente necessário.
Finalmente acabei por descobrir a grande vantagem de não acreditar num deus sms, e mais do que isso em deus nenhum

6/24/2004

Contos Para Bólicos II

Devir históricoAo primeiro tempo sucedeu-se o segundo tempo, e assim sucessivamente. O eterno destino do futebol é circular como uma bola.

Mercado de carne
No final da partida os jogadores das duas equipas trocaram de camisolas, mas não chegaram a trocar os corpos como numa música do Sérgio Godinho.

Pintar azulejos
O balneário tinha bom ambiente desde que os novos azulejos com patinhos estampados substituiram o cinzento cimento.

Metáfora Medieval
Galvanizada depois do golo, a equipa azul-celeste partiu para o ataque, no entanto a muralha defensiva adversária não abriu brechas.O futebol tem muito em comum com os cercos militares da Idade Média.

Amarguinha táctica
O catenaccio é uma táctica defensiva - proferiu o treinador - Por isso, hoje somos obrigados a jogar em fellatio !
Esta súbita ousadia estratégica trouxe muitos amargos de boca à squadra azurra.

Last call
A baliza estava aberta ... ao contrário do bar - lamentava-se o adepto da cerveja.

Opção líquida
A sangria estava óptima, o jogo nem por isso.


Vulgaridade artística

Zé Manel era um homem vulgar, típico e igual a tantos outros. O anónimo macho lusitano, conpíscuo e desprovido de qualquer tipo de sensibilidade. Tinha no entanto um apurado sentido estético, diria quase barroco, sobre a arte de ver um jogo de futebol à frente do televisor. Enquanto no ecrã de plasma se projectava a imagem dos dribles de Zidane, ou das defesas de Buffon, Zé Manel colocava no seu hi-fi um CD de Death Metal, e contratava putas de todas as nacionalidades para lhe fazerem grandes mamadas, enquanto bebia cerveja e arrotava copiosamente.
Está assim provado, que mesmo o mais anónimo dos homens tem um sentido de perversão artística muito superior a qualquer mulher dotada de inteligência e humor. Para Zé Manel, o broche era uma forma de expressão artística só comparável a ver um bom jogo de futebol. Essa é uma cacofonia que infelizmente nenhuma mulher compreende. As putas estão por isso muito mais próximas do verdadeiro universo masculino do que qualquer mulher letrada.

Trent
A cotação do petróleo está a dois jogadores brasileiros por barril.

Delfos online
"Um jogo de futebol é como uma tragédia grega", já dizia o Oráculo de Delfos, o mesmo que fundou a lógica de que prognósticos só no fim e anteviu o resultado final do Portugal-Grécia, na sua crónica semanal no Record online.


Distracções fatais

Aquiles num soberbo toque de calcanhar, desmarcou Ulisses, que distraído estava a dar autógrafos às suas fãs troianas e assim falhou o golo decisivo.


Máxima humanidade

A Intenção era boa, a execução não foi a melhor - Esta parábola futebolistica é ironicamente o epitáfio da humanidade.


Defesa da arte

"A verdadeira arte é a sagração da disciplina. Só a férrea vontade permite a disciplina da criação da obra, e a sua destruição. A verdadeira arte é por isso efémera, perecível e destrutível. É no caos e na negação que se concretiza a arte, nunca na sua criação."
Depois desta palestra do treinador daquela equipa Barroca, os defesas entreolharam-se, murmurando - o que será que o mister quis dizer com isto? Acho que é para cortar as bolas de qualquer maneira, traduziu o veterano capitão.


Ideologia

O futebol é um desporto colectivo e comunista praticado por ferozes individualistas ao serviço do capitalismo. A ideologia do futebol é por isso a síntese dos contrários.

Dupla atacante
Cadorin e Alain formavam a dupla atacante do Portimonense e mantinham um espectáculo de drag queens num bar manhoso em Albufeira.

Angústia no banco
Devido a um trauma profissional, o suplente tremia com a ideia de mudar um pneu.

Moeda báltica
Aquele derby teve de ser decidido por moeda ao ar, o que acabou por contribuir para a disseminação da moeda única naquele país do Báltico.

Hipnose galinácea
Panenka o hipnotizador checo deixou de marcar penaltis e passou a a fazer crer aos guarda-redes adversários que eram frangos.

6/22/2004

Contos Para Bólicos

Onze contra onze
As nações da Europa uniram-se para um torneio de futebol e desuniram-se para a Constituição do onze inicial.


Soluço decisivo
O guarda-redes foi acossado por um convulsivo ataque de soluços. Solidário, o avançado-centro da equipa adversária pregou-lhe uns valentes sustos.

Morte no éter
Este jogo é impróprio para cardíacos – anunciou em tom estrindete o narrador desportivo da rádio, antes de tombar vítima de uma síncope cardíaca. Uma morte etérea.

Matar saudades
O anjo das pernas tortas desceu ao relvado, fintou dois russos, um português, três centrais paraguaios, vários fiscais de linha, um “steward”, dois massagistas e uma horda de adeptos que se preparavam para invadir o relvado. Satisfeito, Garrincha voltou para o ceú para driblar toda a equipa do inferno.

Veneno digestivo
Da bota do venenoso extremo da selecção da Bolívia libertou-se um Piton que devorou toda a defesa adversária, mastigando com vagar o guarda-redes.

Perú me mata!
Que Perú – ululava a claque carioca, perante o desespero do guarda-redes da selecção do Perú.

Evolução tecnológica
Numa febre de modernidade o bandeirinha decidiu trocar a bandeirola por um tecnologicamente avançado sistema de semáforos. A TV Bandeirantes transmitiu em directo a inovação.

A ressureição
O avançado-centro morreu ao amanhecer... e ressucitou ao terceiro dia.

Filosoficamente correcto
Farto de rematar sem sucesso à baliza, o avançado-centro decidiu deixar de rematar à baliza. Uma excelente opção táctica, já que na prática o resultado foi o mesmo.

Líberus horribilis
O “líbero” cantava a plenos pulmões “O Sole Mio” e assim afastava os avançados contrários da sua área de jurisdição.

Todos nús
Num acampamento de nudistas o monitor decidiu organizar uma partida de futebol num campo pelado. O problema foi distinguir uma equipa da outra, afinal a Nike não patrocina pilas.

Bicla
Negrete trocou o pontapé de bicicleta por uma potente Kawasaki. Comprou o “on the road” do Kerouac e fez-se à estrada para o Euro.

Homo Erectus
O massagista continuava a esfregar o trinco, que envergonhado não evitou uma erecção espontânea.

Dieta táctica
Vão lá e comam a relva – gritou o treinador ao intervalo. Jarbas, o central de marcação, levou a ordem à letra e tornou-se vegetariano.

Não Vai Nuvem
O remate saíu potente e colocado. Num voo de águia, o guarda-redes estirou-se até às nuvens, e nunca mais desceu à terra.

Se te apanho ...
O árbitro soprou furiosamente no apito. Indiferentes, os jogadores continuaram a brincar à apanhada.

Apito melómano
Aquele apito era especial. Em vez do estrindente Priiiiiiiii !!!!! Soprava áreas completas de Mozart, numa gravação da Deutsh Gramaphone de um concerto de Van Karajan.

Tintol é gol
Venha outro penalti que o guarda-redes mexeu-se – escrevia o jovem jornalista desportivo, cofiando o bigodinho presumido enquanto cogitava – onde é que eu já ouvi isto?

6/01/2004

Contos Paragráficos IV

Al we ever wanted was everything
“Vitalis é uma água leve, pura e naturalmente equilibrado em minerais.”
Bebi uma golada e passou-me a febre do ouro.
Pude então escutar o meu velho disco dos Bahaus.
Al we ever got was gold


Desconto criminal
Uma tabuleta à porta daquele tribunal anunciava uma campanha de descontos:
“Homícidio premiditado – 10%”
“Assédio sexual no local de trabalho – 20%”
“Condução sob efeito do álcool – 40%”
“Crimes contra a humanidade – 90%”
“Penas iguais ou superiores a prisão perpétua – 100%”
“Fogo posto – 30%”
“Violação de velhinhas – 50%”
“Roubo de bicicletas – 5%”
“Fraude eleitoral – 40%”
“Ir ao cú a meninos – 100%”
A campanha de saldos judiciais foi um sucesso e o Ministro da Justiça foi condecorado e ofereceu a todos os juízes uma garrafinha de aguardente de pera, para se embebedarem com os meirinhos, fora do horário laboral.

O homem que engolia tralha
Começou por uma dieta baseada em sapos, que aliás se servem no refeitório da maioria dos locais de trabalho.
Rapidamente começou a engolir objectos. Para entrada um cabide, uns clipes ao ajillho e uns teclados de cabidela. Em casa, para destemperar, engolia a seco o elevador com o vizinho lá dentro, (coronel reformado de bengala e condecorações a granel.)
Para sobremesa engolia uma tábua de passar a ferro, salteada com um televisor Blaupunkt com ecrã de plasma. Era um funcionário bastante digestivo.
Entretanto, os sapos andavam dopados a Alka Seltzer e a conspirar com o director de recursos humanos para mudar a ementa do refeitório daquela multinacional.

Cometa na alheta
O cometa descrevia uma rota perigosa para a terra. A terra arrotou a camadas de ozono e desviou o cometa para a quinta casa do caralho.


Saladinha de mamão

O director daquela escola de alta cozinha do liceu francês cofiou o bigodinho retorcido e em flautulência grave disse: “Nunca confundir uma salada de mamão com uma mamada no salão”.
As criadinhas francesas não evitaram um risinho abafado, adivinhando já as iguarias que o futuro lhes reservava.

Figo maduro
D. Estroninho de Bourboun agachou-se debaixo de uma figueira secular, alçou as longas vestes dominicanas e iniciou uma cruzada escatológica. Um serraceno que por ali passava a trote, em puro sangue árabe, riu entre dentes
– Cão cristão, foram os figos quentes que te caíram mal.
Séculos mais tarde ali foi plantado o aeroporto de Figo maduro.

Colar assassino
O colar apertou a jugular da marquesa, asfixiando-a até à morte. O escândalo foi abafado no porta-jóias e na reunião de partilhas daquela aristocrática família.

O elevador zen
Aquele elevador vivia uma crise existencial depois de ler as obras completas de Jean-Paul Sarte. Quando subia, elevava-se em angústias. Quando descia, deprimia-se em hesitaçõe. Depois de consultar um oráculo, decidiu-se a estancar no rés-de-chão, para dali não mais sair.
Sem elevador, o pianista frustrado do 5º C, bebeu uma garrafa de anis e atirou-se da janela, despenhando-se no saguão. Aquele prédio vivia finalmente numa cordata paz imóvel.

O descanso da borboleta
A borboleta decidiu comprar um colchão Mola Flex, colocou as asas no prego e passou o resto da vida recostada no colchão, desfolhando revistas cor de rosa, vivendo as recordações de um passado faustoso.


O homem sem voz

O locutor perdeu a voz, em compensação ganhou a vida.

Relógio de sol a sol
O sol prosseguia a sua lenta marcha, indiferente ao relógio que continuava a dar horas.

À espera do amor
Beijaram-se, primeiro com ternura e lábios quentes de carícias, depois vorazmente com sofreguidão de carne.
Calaram os rostos e acenderam o silêncio, ficaram sentados no tabuleiro da ponte à espera de melhores dias para o amor.

Passarinho na brisa
O passarinho projectou-se suicida no pára-brisas daquele carro topo-de-gama de uma marca alemã de prestígio. Um som de ossos estaladiços interrompeu o som do subwoofer poderoso do “hi-fi” que fazia parte do equipamento de série daquele bólide. Friamente, o chauffer accionou o limpa-pára brisas, varrendo as penas, o sangue e os restos mortais do pássaro. O PDG que seguia no banco de trás ergueu o sobrolho inquisidor da aresta do Financial Times, e pigarreou as résteas de Monte Cristo que lhe irritavam o esófago mandão.

Faz-me um bico
Obviamente demito-me, disse despeitado velho fogão de bicos, quando viu entrar na cozinha o novo e reluzente micro-ondas, comprado nas últimas promoções do Intermarché

Deslocação do ar
O ar deslocou-se, mas o homem-espantalho, esse permaneceu imóvel.

Polivalente e imortal
O Professor de Filosofia da C+S da Quarteira apresentou o orador seguinte daquele sarau de poesia e pancadaria que se realizava no pavilhão gimnodesportivo do Imortal de Albufeira.
Sebastião D`Alma, insigne poeta, pensador, pintor, escultor e bêbado.
_Não necessariamente por essa ordem::: apresentou-se aquele venerando alcólatra com inclinação poética.


Gramar a gramática
Colocar um i antes do . ou um chapéu no avo, não é necessariamente sintoma de um bom domínio da gramática.
Aliás há quem veja ::: a dobrar, Pontos de ! sem ão no fim. Ou um . amantizado com uma , e nem por isso deixe de viver na idade dos ??? ês.
E o que dizer das “ que nascem das árvores chamadas “seiras, e dos escritores que deixam cair os ( ) na lama, e dos chavões que são os maridos das }. E ainda me vêem com onomatopeias e falinhas mansas, os embusteiros. Aos farsantes da pontuação, metia-lhes um / ão pelo rabinho a dentro. Ou asfixiava-os com o um endredao de ~tils.
A gramatologia a quem a trabalha.

Terapia pronta
- Dói-me a gramática !
Queixou-se o menino Julinho.
- Bochecha com o prontuário – aconselhou a professora.

5/11/2004

Contos Paragráficos III


O sabor da cereja
O Presidente cuspiu para o ar o caroço de cereja que lhe estava encravado desde a última recepção oficial ao Rei da Suazilândia. Aliviado, nem reparou que acabara de bater o recorde mundial da cuspidela do caroço de cereja, que até aí estava na posse de um trompetista de Nova Orleãs.

Bismark
Sou o Bismark, impôs em tom militar aquele austero general prussiano, perante a indiferença do porteiro do hotel, que maçado lhe respondeu:
– Está bem, Está bem. Eu sou o Bridge, ali ao balcão está o King, e se precisar de alguma coisa do “room service”, basta chamar ali a “bom dia senhorita”. O poker hoje está de folga, mas se quiser uma “sandwich club”, tenho a certeza que o bisca lambida não se importa de fazer uma.
-Insolente – resmungou o prussiano, girando o penacho e marchando sobre o lobbie do hotel.
O porteiro encolheu os ombros e entrecortou – Mais um burro em pé!

Sandocha na Bounty
Primeiro deitou-se o queijo. Logo a folha de alface lhe caiu em cima, com arrogância hierárquica. Foi de pouca dura, já que de maus modos o tomate aterrou de cu sobre a alface verde de raiva. Mas o pior ainda estava para vir, quando o queijo, a alface e o tomate foram sufocados por uma fina fatia de pão de forma. A insurreição acabou esmagada por uma tostadeira Moulinex, mais dada a sevícias do que a sedícias.

Natureza morta
O lago estava cheio de patos e nenúfares. O pintor surrealista que tinha a sensibilidade de um nenúfar não viu ali inspiração para a sua arte, e por isso, preferiu comer um Corneto de chocolate e atirar o papel aos patos.

Leis da Física
Estou a caír de bêbado, pensou Alves Tuna. Levantou-se e foi tocar banjo para a semana académica.

Denim Musk
Rasputine queria a barba bem aparada, mas acabou com ela degolada. Aquela loção de barbear era de facto muito agressiva.

Reforma administrativa
Fartos de uma vida de rotina e de sentido único, os ponteiros da relógio daquela repartição de finanças decidiram inverter o sentido da marcha. A partir daquele dia, os funcionários pegavam às cinco e largavam às nove.
O ministro, que era um zero à esquerda, anunciou no Parlamento que aquela era a primeira grande medida da Reforma Administrativa da Nação.


Pêlo só na venta
O ciclista não fez a depilação e acabou por perder tempo precioso naquele contra-relógio de montanha. A camisola amarela só se veste sem atrito aerodinâmico de perna felpuda, explicou Irene, a pedicure-comentadora para assuntos estéticos daquele canal por cabo de TV.

Despido de amarelo
Onde está a camisola amarela, perguntou o director de equipa. Está-se a vestir, ripostou o roupeiro.

Dali centenário
Salvador Dali nasceu há cem anos. Informou o professor de arte contemporânea.
E ainda está vivo, acrescentou.

O molestador de pianos
O afinador de pianos foi acusado de assediar sexualmente um piano de cauda longa da Orquestra Nacional.
Felizmente o afiandor, que tem uma reputação a defender, arranjou um bom advogado e agora o piano tem de meter a cauda entre as pernas porque está bem fodido. Aliás, duplamente fodido.

Esquimó esquizofrénico
Um esquimó esquizofrénico fechou-se na arca frigorífica, partilhando a prateleira de cima com uma caixa de gelados Olá e com dois salmões congelados.
Vivia atemorizado com o aquecimento global.

A lista de espera

O hipopótamo é hipotérmico e hipocondríaco.

O papa-formigas tem uma rinite alérgica.

O caranguejo é estéril

O garanhão é impotente

O galo tem um galo na crista.

A hiena é histérica.

A lula tem uma tendinite.

A toupeira é estrábica.

O koala é hiper-activo.

O pinguim é hiper-tenso.

O rinoceronte tem dor de corno.

O orangotango-médico, cofiou a cabeça perante a lista de espera daquele centro de saúde veterinária.
– Ainda se tivessem Médis...
- Mastigou enquanto lambia uma banana.

Poligamia com muito gelo

Jeremias era monógamo no que toca a copos. Bebia desde as brumas da memória um Bushmills “on the rocks”. Apesar da monogamia, gostava de “alcunhar” o seu whisky nos diferentes bares onde costumava pairar com a frequência de uma mosca estival.
“É como com as mulheres. Podemos dormir sempre com a mesma, mas se lhe chamarmos nomes diferentes, parece que temos uma aventura extra-matrimonial. É terrivelmente excitante.”
Explicava ao barman Simão, que já lhe conhecia a etimiologia copofónica de fio a pavio.
Assim já sabe, se um dia um cliente lhe pedir algo como:
- Helicóptero com muito gelo.
- Tira-nódoas.
- Xiribi
- Anti-depressivo
- Calmantezinho
- Prozac on the rocks
- Espanta-espíritos
- Badameco com gelo
- Stradivarius para a garganta
- Escorrega
- Mata-borrão
- Escocês voador
- Assobio
- Vai de vela
- Aguinha da boa
- Torpedeiro
- Desembaraço
- Tirol
- Limpa-lábios
- Estatosfera com gelo
- Sindicância
- Indemnização para o fígado
- Facilitador social
- Cambaleio
- Cambalacho com gelo
- D. Juan com gelo
- Um dabliú Bush.
Se alguém lhe fizer um insólito pedido destes, deve servir quatro dedos de Bushmills com 3 pedras de gelo em copo baixo.